quinta-feira, 29 de abril de 2010

a outra garota

já faz um tempo, foi aniversário da outra garota. e eu sempre tenho problemas sérios pra comprar presente pra ela. porque nada me parece certo, nunca. entra ano, sai ano, o drama se repete. então, criei um plano. eu pergunto, ela me dá coordenadas. porque eu sempre quero que o meu presente pra ela seja legal. porque ela é garota querida. e eu gosto de acertar nessas coisas. então, em se tratando da garota, eu funciono com briefing.

e aí eu apareci na festa de aniversário dela com as mãos abanando. porque tinha rodado o shopping naquele dia mesmo, e não tinha achado nada que eu quisesse dar pra ela. e eu estava acompanhando o namorado dela, também amigo querido, e ele tinha comprado uns anéis muito incríveis. e eu continuava sem ideias, e ele ficava me dando as sugestões mais esdrúxulas, tipo comprar uma caixa de mágicas, porque todo mundo sempre quis uma caixa de mágicas e etc.


cheguei na festa com as mãos abanando, e expliquei o drama. o presente vinha depois. por depois, pode-se imaginar uma semana, um mês, seis meses. o tempo certo de achar o presente. perguntei se podia entrar sem presente, e ela disse. sem presente pode. sem blush, jamais. foi a garota que me viciou em blush. e em maquiagem em geral, lá nos idos de 2005.


uns dias depois, eu perguntei o que ela queria ganhar. e ela me contou uma história bonita sobre o pai dela levá-la sempre numa igreja de são judas tadeu. a garota nem é religiosa, mas tem essa coisa com o santo. que é parte da história dela com o pai. e ela me disse que queria uma imagem de são judas tadeu. uma bem bonitinha, pra enfeitar o apartamento novo e incrível.


e o tempo passou, e eu venho nessa busca por uma imagem fofa de são judas tadeu, o presente de aniversário da garota.


hoje, eu chamo no msn e a seguinte conversa se estabelece.


[madame ç] diz:

vc é daquelas pessoas que não gosta de papel mache?

just wondering

Madame T diz:

nao tenho nada contra papel mache

[Madame ç] diz:

hahaha

Madame T diz:

acho que meu santo vai ficar lindo em papel mache

pode fazer

[madame ç] diz:

;-)

já encomendei.

céus.

como eu sou previsível
Mademe T diz:
obaaaaaaaaa

hehehe


só quando uma pessoa te conhece bem, ela é capaz de torcer uma conversa aleatória, encaixar no contexto certo e saber exatamente o por que de você estar fazendo aquela pergunta, naquele momento.


Ou então eu sou deveras previsível.


o santo dela está encomendado. com um artista plástico genial, que faz as coisas mais incríveis com papel machê.

=)

internet é um trocinho engraçado.

entrei num desses blogs que a gente acaba não entrando nunca, por causa do google reader. eu estava buscando um twitter. se tem coisa que eu adoro nessa vida é seguir gente que eu leio. não achei twitter, mas achei coisa melhor. o nome de uma das gênias coloridas, ali, no blogroll. cliquei no blog, mas ele era somente aberto pra convidados. me apressei em pedir privilégios.


se tem coisa que eu adoro nessa vida é ler coisas que meus amigos escrevem.


é um blog antigo, sem atualização há quase dois anos. é como conhecer a história de alguém antes de os seus caminhos se cruzarem. tinha uma foto, de 2008. e eu pensava. em 2008 eu estava chegando em sp. dali mais um ano, a gente ia se esbarrar e se aproximar. e a pessoa que iria virar minha amiga querida é fruto daquelas coisas escritas ali, há tanto tempo.


me pergunta se eu quero ler?


tudo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ao lado da minha mesa,

na baia seguinte, era um espaço vazio. Eu vinha torcendo muito muito pra que meu novo amigo designer, que senta num lugar muito longe, e com quem eu começo a me comunicar por telepatia, fosse transferido prali. Porque teríamos os dois uma paredinha, e por cima dela poderíamos nos comunicar lindamente, e bolar planos infalíveis, e trocar bilhetinhos tipo em sala de aula.

Mas não.


Chegou esse designer novo. Bonachão, grandalhão, metido a roqueiro. Não faz a figura de quem pode vir a ser meu amigo, tal qual o outro, colorido, lá longe exilado. Esse que chegou e sentou é grande, e meio desajeitado. Encheu a baia com brasão do São Paulo, porta canetas, caneca. Aquelas coisas que tornam a mesa da gente algo NOSSO. A minha não tem nada, ainda. Tirando os desenhos que o designer bonitinho que tem namorada me fez, e a Olivia Palito que eu roubei da oficina colorida, porque era minha por direito. Eu não fiquei exatamente feliz com o maluco que divide a baia comigo. Porque ele fica me olhando por cima da paredinha, e quando eu olho de volta, ele desvia o olhar de um jeito meio psicopata.


O problema é outro. Ele agora trouxe uns fones de ouvido. E não, eu não tenho problema com música, eu gosto de ver gente trabalhando com os ouvidos cobertos, cada um em sua cápsula. O problema é que ele insiste em levar a vibração da sua capsula para a mesa. E batuca com as duas mãos. E com os dois pés. E eu não sei se ele é músico, e ele muito bem pode ser. Que seja. Mas eu não sou obrigada a escutar batuque. A mesa treme, a água balança dentro da garrafinha. Eu tenho olhar feio, mas ele não se toca. Eu acho deveras desagradável ter que chamar a atenção de alguém porque algum comportamento está passando dos limites do aceitável. O maluco precisa saber que ele não trabaçha sozinho, que a minha mesa é pregada na dele, e que existe esse troço de ondas que se propagam all over the place. E que cada vez que ele batuca a minha mesa treme, e o som me incomoda. E eu estou aqui pensando num jeito infalivel de deixar claro que ele precisa parar, que isso não é aceitável. Mas eu não sei. Virei pessoa que tem problemas com limites, e problemas pra dizer não.


Então, eu olhei feio pra ele. E não funcionou. Dei um porradão na minha mesa, desses que vibraria na mesa dele, pra ele entender que incomoda. Não funcionou e eu ainda ganhei uma mancha roxa no braço. Olhei feio mais um pouquinho. Não funcionou.


Acho que o proximo passo é a abordagem. Que era tudo o que eu não queria precisar fazer. Porque isso devia vir no pacote. As pessoas deveriam saber se portar em comunidade.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

o tempo vai passando

e eu vou levando o designer bonitinho que tem namorada para a friend zone. que é onde ele deve estar, já que, well, ele tem namorada. eu não sou o tipo de pessoa que joga os cabelos e fica fazendo doce. se eu fosse essa pessoa, eu até poderia tentar alguma coisa, abalar o namoro dele, whatever. acontece que eu não sou.

é muito difícil ser do jeito que eu sou, nos dias de hoje. porque boa parte dos caras legais tem namorada, ou é gay, ou está apenas querendo se divertir. e eu sou pessoa estragada por filmes e séries, onde você tem um encontro incrível na locadora, ou na lavanderia. eu não tenho encontros incríveis. e eu não sou pessoa que transforma 5 minutos de small talk em assunto pra vida toda. repito. eu não sei jogar cabelo. eu não sei gargalhar e jogar o rosto pra trás. eu não consigo fixar o olhar durante cinco segundos sem desviar, envergonhada. foi daí que surgiu a brincadeira de eu dizer que tenho 13 anos. eu tenho que ser tomada de assalto. de um jeito que desconcerte, senão a coisa toda se esvai.


eu não sei onde queria chegar com esse post. acho que era só isso, mesmo. pontuar. ter 13 anos não é nada divertido esses dias.

meu pai sempre diz que quando coisas ruins acontecem sucessivamente, é sinal de que tem coisa muito boa pra vir. eu não sei se acredito nisso, mas é algo bonito de acreditar. to precisando de coisas boas.
Eu fui trocar a terapia de dia e não tinha notado que ali, na mesma rua de freud, a duas quadras de casa, tinha o prédio perfeito. Antigo, poucos andares, em formato de L, salmão. Janelas grandes, provavelmente mais de uma por ambiente. Fiquei pensando que precisava morar lá. Fiquei pensando tanto, mas tanto, que quando eu dormi, sonhei que ia até lá pra achar um apartamento, e descobria que o prédio era, na verdade, um hospital, desses antigos, meio posto de saúde. Acordei acreditando nisso, meio desolée, como se o meu sonho de morar lá fosse mesmo impossível.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

caos

eu fico lembrando de todos os blogs que eu já li, em todos os pedacinhos de vidas de desconhecidos que eu absorvi, que eu me vi acompanhando e torcendo, que eu quase que podia esticar o braço e tocar. completos desconhecidos. o dia a dia de confusão, de bagunça, de tentativas frustradas de se equilibrar no meio do caos. porque blog pessoal acaba sendo um pouco isso. uma forma de lidar com o peso das coisas todas, o peso que mal se sustenta. e eu acordo todos os dias de manhã, e me visto, e passo blush nas bochechas, e ando pela rua passando por cachorros, velhinhos, crianças e mendigos, e eu entro na firma colorida com a cara mais inteira do mundo, e eu digo bom dia, e boa tarde, e todas aquelas coisas que a gente diz no elevador. e eu sorrio. e boa parte do tempo eu não sei o que eu estou fazendo. eu sei pra onde vai o meu trabalho, eu resolvo os problemas que surgem durante o dia, eu discuto ideias com uma equipe colorida. e sou agradável, e falo de lost, de séries, de terapia, de vida em geral. todo um esforço de pertencimento, quando às vezes tudo o que eu quero é entrar debaixo dos cobertores e ficar quietinha, um tempo que seja. sem ninguém perguntar o que eu tenho, o que vai comigo, se eu tenho algum problema. não, eu não tenho. nada que me aflija, nada que me machuque demais, só as dores todas que são da gente, e que moram ali, e acompanham pra todo canto que se vá. a sensação de não saber onde se está indo. se era esse caminho mesmo que eu queria. eu passo 90% do meu tempo com a certeza absoluta de que sim, era isso. é isso. e eu sorrio e me sinto bem, e penso que tudo está em seu devido lugar, assim como eu planejei, assim como eu imaginei. mas não. de repente alguma coisa aperta e eu não sei bem o que é, mas uma vontade estranha, de que o tempo corra mais rápido do que eu possa perceber, e que o mesmo tempo congele, não ande, não mude. e eu possa estar sozinha, em silêncio, meio anestesiada de todo o resto. e eu fico pensando que eu sou apenas mais uma, e que existem outras, outros, assim como eu, vagando por aí. se sentindo sozinhos, recolhendo pedaços, tentando se equilibrar no meio do caos. sorrindo, dizendo bom dia e boa tarde, parecendo inteiros, mas aos pedaços, espalhados. as mesmas dúvidas, o mesmo desconforto, as mesmas questões.

todo mundo perdido.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

mais do mesmo

Eu estou há semanas pra escrever isso aqui. O mais novo round no meu embate com a terrível criatura que atende pelo apelido de menina de cabelos vermelhos. Tínhamos tido aquele entrevero na mesa de almoço, quando ela tentou me convencer que eu era uma pessoa ruim porque eu disse que escolheria vir de carro para o trabalho, se isso poupasse meus pezinhos das bolhas. Vejam bem que o verbo está no futuro do pretérito, escolherIA, porque, de fato, eu ando todas as dez fucking quadras todos os dias. Eu só disse que preferia carro.


Porém, na cabecinha fantasiosa dela, eu disse que vinha sim, de carro, pra firma. E, não bastasse ela ter exercido a sua especialidade - ser intragável - na mesa de almoço em que ela não havia sequer sido convidada, ela resolveu angariar uma turminha de pessoas que pudessem ajudá-la a me odiar.


Por que ela me odeia? Não sei. Uma das gênias veio me perguntar como é que eu consigo que as pessoas não gostem de mim pura e simplesmente. A verdade é que é preciso perícia. Mentira. Eu não sei que dom é esse que eu tenho, principalmente depois do meu estágio em fofurezas e fofurices com julinha, nos idos de 2007/2008.


E aí ela tem esse grupo de amigos. Que, well, eu não sei se são exatamente amigos. Parece uma turminha evil do harry potter, seguidores em torno da criatura suprema, fazendo truques e tentando parecer inteligentes para que ela os aprove. E eles têm essa lista de e-mail, só dos amigues, onde eles fazem tópicos e tópicos na vida em geral, só pra reafirmar o quão superiores eles são e o quanto o mundo e as outras pessoas - todas elas, não se enganem - são apenas arremedos de qualquer coisa. Muita genialidade, people. Tenho até engulhos.


Estava eu quieta no meu canto e fiquei sabendo da lista de email. E que o embate na mesa do restaurante, da pessoa muito muito ruim que prefere carro a andar a pé (eu) contra a menina boa e preocupada com a natureza (ela) tinha virado tópico. Tópico de email da evil red headed e os seguidores.


E aí, cai no meu colo, todo o log da conversa. E foi bem aquilo mesmo que eu já tinha contado aqui, mas que terminava lindamente com ela dizendo:


"muito orgulho do povo que não usa carro, à toa, viu. e essa (inserir o apelido pretensamente engraçadinho que ela me atribuiu), aí, tá no meu top 3 pessoas em que eu gostaria de bater (muito) um dia."


Ela quer me bater. (muito). Além disso, ela usa vírgulas em excesso. Tem outras duas pessoas NO MUNDO, junto comigo no olimpo das pessoas que ela quer bater. (muito). E eu fico pensando que devem ser o pai e a mãe dela. Porque, né?


Sou fofa.

a verdade é que eu ando tomando horror a gente arrogante. gente que se acha melhor, gente que acha que as pessoas só têm a aprender com elas, gente que fala mas não admite escutar. gente que se acha mais legal do que as outras pessoas, como se fosse um privilégio para qualquer outro a oportunidade de rodeá-la.

ao mesmo tempo, eu não canso de me surpreender positivamente com as pessoas que me rodeiam, nesse momento exato da minha vida. gente inteligente, divertida, legal, colorida. gente que sorri e tem palavras doces, e gentilezas. e manda link porque acaba de ver um sapatinho que é a sua cara. gente que tem histórias incríveis pra contar, e eu não me canso de ouvir.


gente que presta atenção. em si, no outro, em quem passa. que tem cuidado ao escolher as palavras, mas nem precisava, porque não há nada ruim a ser dito. eu troco arrogância por suavidade. todo segundo que eu tenho a chance.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

comfort zone

o mais bizarro de ficar sem o iphone é ter perdido os contatos. não, eu não tinha backup. ok, eu sobrevivo. mas é que eu sempre vivi em universos controlados. eu não sou pessoa que lida com eventos inesperados. não sou. experimenta me ligar de última hora me chamando pra fazer qualquer coisa? tudo bem, de vez em quando, muuuuuito de vez em quando, eu topo, mas isso sou eu querendo ser uma pessoa um pouco menos, hum, eu. porque eu não sou de decidir as coisas assim, out of the blue. eu gosto de saber o que vai me acontecer num futuro imediato. eu não sou do tipo que planeja longe, não mesmo. mas o agora tem que ser exatamente como eu imaginei que seria.

e aí, sem o iphone, lá se foi a minha proteção. sou "atacada" por números estranhos o tempo todo. não há registro, eu não sei quem me manda mensagem me chamando pra tomar um café. pode ser um amigo, pode ser um desconhecido. minha resposta, também por sms, levemente assustada será um "quem é?". da mesma forma, recebo mensagem fofa de alguém que ouviu regina spektor e lembrou de mim. mas eu não sei de quem se trata. foram-se embora todos os meus sorrisos ao ver a foto de algum querido na ligação esperando pra ser atendida. agora, só tem susto. quem é? quem é?


se não servir pra mais nada, esse ano já está servindo pra aprender a me desapegar. pra me tirar da comfort zone. eu sou obrigada a desapegar de pessoas, sou obrigada a desapegar do meu gadget querido, sou obrigada a prestar atenção em cada ser humano que resolver praticar amizade comigo porque, bem, ele pode ser um sociopata esperando o momento exato de invadir a minha bolsa e me tirar algo querido. não há controle nenhum, aqui onde eu estou.


estranhamente, eu estou me saindo bem. os sustos estão a cada toque do celular, mas eu já consigo começar a pensar mais no iphone novo, que ainda vai chegar, do que no iphone querido, que tinha as minhas coisinhas. desapegar dos queridos também não foi fácil, mas o trabalho simplificou quando eu desconstruí as pessoas todas. e pensar que, há alguns meses, eu morria de medo de perder algumas amizades. sentia um silêncio diferente e já ficava aflita. e doía o coração. essas mesmas pessoas estão longe, sumidas, nas brumas. perdidas. assim como eu tanto temia que acontecesse. e eu estou bem. é quase como se elas não tivessem existido. elas existiram. mas a gente aprende a se desapegar. doi no início, parece que o mundo vai acabar, some tudo o que se considerava referência. e aí você se dá conta de que aquilo não era referência, era o que você estava - erroneamente - se apoiando. e eu volto pra música da alanis, toda vez. you will learn to lose everything, we are temporary arrangements.


a gente aprende. a perder tudo. os amigos, os amores, o apoio. o passatempo. a gente perde as esperanças, até. e desacredita que as coisas fiquem bem, de novo. porque é tudo muito temporário mesmo, o que liga as pessoas é um fio, e ele se parte tão rápido que, às vezes, a gente nem nota. às vezes, a gente nota. sente arrebentar, fio a fio, desfazer. doi cada pedacinho. mas ainda assim, a gente aprende.


e agora eu estou assim. solta, sem fios. sem memória, sem as lembranças e as fotos dos queridos, sem os telefones, sem os "amigos". é um lugar curioso de se estar. não é confortável. mas, de forma alguma, é ruim. é novo. só isso.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

ironic

na firma colorida, todo mundo tem algum desenho/ilustração/colagem nas respectivas mesas. é sempre alguma coisa que pareça com a pessoa. tem cachorro são bernardo, tem amy winehouse, tem alex, do laranja mecânica. a mesa onde eu me sento hoje era de uma menina linda. a gravura dela era um gremlin, porque, mesmo sendo linda, estranhamente ela se parecia com um gremlin. quando eu cheguei, deixei o desenho na parede. porque eu não tinha nenhum, e porque o gremlin era simpático.

o autor da brincadeira sempre é o designer bonitinho que tem namorada. vamos abreviar o nome dele, ok? DBQTN. ele é o mago das practical jokes aqui no andar. eu cheguei na minha mesa na segunda feira e tinha um jack, do nightmare before christmas, usando peruca de cabelo chanel, na minha mesa. eu meio que entendi a piada, não é a primeira vez que me dizem que eu pareço com um personagem do tim burton. e, cá entre nós, eu acho super ok ser parecida com um personagem do tim burton. mas é um esqueleto. não nos esqueçamos disso.

eu fui até a mesa do DBQTN e disse. o jack? really? ele riu, eu ri, o assunto passou. depois disso ele me perguntou umas duas vezes se a brincadeira tinha me aborrecido, e eu disse que não, mas fazendo um charminho, que é coisa que eu tento fazer, mesmo. porque eu não tenho juízo. e aí a gente vem se aproximando, e na festa que terminou com a perda do meu iphone, a gente estava conversando muito muito.

primeiro porque eu descobri que ele faz análise. e quando duas pessoas que fazem análise se encontram, elas criam imediatamente um elo. porque uma sabe a experiência genial pela qual a outra está passando. e a gente ficou falando sobre coisinhas essas que a gente fala em festas. e aí o telefone foi roubado e eu fiquei inconsolável, e ele foi super querido tentando me ajudar.

ontem de manhã, ele me ligou pra saber como eu estava. eu estava bem aborrecida mesmo. era assim que eu estava. e ele ficou meio que rondando o dia todo, e de tarde quando eu voltei do almoço tinha um outro desenho na minha mesa, ao lado do jack. uma fadinha, meio mangá, com orelhas pontudas. nada a ver comigo, mas super bonitinha. logo depois, um e-mail, me chamando pela versão curtinha do meu nome, aquela que eu adoro quando uma pessoa diz pela primeira vez, e dizendo que tinha ficado chateado com o que me aconteceu, e que o desenho era pra me animar. arrematava com o contato de msn dele.

nesse meio tempo, daniel vem me dizer que ele meio que contou que, se não tivesse namorada, bla bla bla whiskas sachê. e que ele também me achava incrível. acontece que, como muito bem diz a renata, se minha avó tivesse rodas, ela não seria a minha avó. ela seria a minha bicicleta. se muda tudo. se não é nada. o menino tem namorada.

e eu to aqui meio puta com o universo. porque é coisa rara nessa minha vida eu me interessar por alguém e ser correspondida, e, na hora que acontece, alguma menina, provavelmente fofa, chegou antes.

pois é. morri.

"há males que vêm pra bem" ?

há males que vem pra bem, comenta um anônimo, ou anônima, no meu post sobre o roubo do iphone.

queria abrir uma questão. que tipo de bem? como funciona isso de alguém invadir a minha bolsa, pegar uma coisa que é minha, e isso servir para o bem?

porque, fato. meu iphone foi roubado num lugar onde só havia gente que trabalha comigo. gente bem próxima, gente que eu conheço. as gentes que eu não conheço, ainda assim, são próximas de gente que eu sou próxima, e que me garantem que ninguém, ou quase ninguém seria capaz disso.

e aí tinha o garçom e o dono do restaurante. que eu duvido que tenham alguma culpa, vejam bem. ninguém ia ser tolo de roubar cliente da própria casa. ao mesmo tempo, pensando assim, ninguém que trabalha comigo precisa roubar um aparelhinho desses. todos eles têm bons celulares, boa parte deles têm iphone.

e mais. desligar um iphone não é para iniciantes, é para iniciados. tem que apertar um botão, manter pressionado, esperar a tela escurecer e a maçã aparecer, daí surge um slider com mensagem de confirmação: você deseja realmente desligar este aparelho? é muito trabalho. leva tempo. não é qualquer um que saberia todos os procedimentos. todo mundo que trabalha comigo conhece os procedimentos. e aí eu parei a festa, pedi pra abaixar a música, e falei. gente, meu iphone sumiu de dentro da minha bolsa. e todo mundo fez cara de paisagem. e eu tenho certeza de que uma daquelas caras de paisagem era mentira, e que meu iphone estava ali, ainda. mas é uma acusação muito séria, e eu jamais poderia fazer isso com qualquer um deles.

foi um climão, a festa ficou estranha, e o ambiente de trabalho também está estranho, desde então. porque todo mundo ficou desconfiado de todo mundo. há, por aqui, nesse exato momento, alguém que abriu uma bolsa que não era sua e tomou para si um telefone que não era seu.

e, assim. eu quero acreditar que foi só pelo aparelho. que a pessoa estava interessada nele, de alguma forma. mas aí me chamaram num canto, e me perguntaram se eu já tinha pensado na hipótese de alguém ter feito isso comigo pra me fazer mal. pra me atingir, de alguma forma. e eu fiquei bem horrorizada que essa possa ser uma opção. porque eu sou querida, e sou uma boa pessoa. e nada justificaria alguém querer me atingir tirando de mim alguma coisa que eu gosto.

mas sabe como é, né? eu sou meio ingênua. eu sempre acredito em pessoas, e em sorrisos, e em palavras gentis. eu criei essa bolha cor de rosa e eu quero muito acreditar que nada ruim vai acontecer dentro dela. só que acontece.

por isso eu pergunto, anônimo(a). você trabalha comigo? poderia me explicar melhor essa sua teoria? porque, sinceramente, pra mim, isso é coisa de sociopata.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

roubaram meu iphone

coisa linda isso de gente desapegada. roubaram meu iphone. meu mundo caiu. fiquei 12 horas incomunicável, e quando cheguei na vivo pra comprar um novo chip, a vendedora me perguntou se eu tinha feito seguro para o aparelho. e eu comecei a chorar. tolinha, eu.

o problema não é só terem roubado o meu principal instrumento de trabalho, o meu dispositivo de internet móvel, aquele que me acompanha nos momentos de insônia quando eu quero saber o que andam twitando na minha timeline as 4h30 da manhã. abriram a minha bolsa e tiraram ele de lá. junto, levaram as fotos, os sms com as gênias coloridas, as mensagens fofas do meu pai, toda a minha lista de contatos. a lista de contatos eu recupero. dou um jeito. aos pouquinhos. serviu pra levar embora os ultimos resquícios das múmias, que eu não tinha tido coragem de apagar, e que apareciam ali, no meio dos queridos todos, fazendo doer o coração. agora, nem que eu queira, eu posso estabelecer contato. o último fio se foi.


e algumas pessoas dizem. ah, é só um telefone. e, no fundo no fundo, eu sei que é só um telefone, mas eu não fico fazendo drama quando o seu fone de ouvido arrebenta ou a sua calça favorita rasga bem entre as pernas. eu respeito o que cada um tem de querido. e não, não é só um telefone. era minha vida, eram meus amigos, minhas fotos, meu e-mail, o acesso a toda uma vida online que, well, é a minha vida. e era meu instrumento de trabalho.


eu nunca perco nada. nunca na minha vida eu esqueci celular no ônibus, deixei cair na água, fui assaltada ou larguei em qualquer lugar. eu cuido das minhas coisas. então, não, não sei lidar com a perda. ah, é só um telefone. não, não é. eu saí correndo pela faria lima no meio do expediente pra comprar ele. eu ensinei cada um dos meus amigos o quão genial ele podia ser. meu trabalho leva em consideração a minha loucura com o aparelhinho. se a apple me pagasse por pessoa convencida a comprar um, eu tava rica. não é mentira. deve ter uns 10 na lista, pelo menos. eu sou a pessoa pra quem todo mundo corre quando acontece alguma coisa com o aparelho. o vidro do iphone da dra freud quebrou, e ela me pediu ajuda. frá pergunta de aplicativos, dani me ligou de dentro da loja pra saber se valia mais a pena comprar um de 16gb ou um de 32. e agora o meu está por aí. passando frio, largado num canto, longe dos apetrechos que vieram junto com ele, na caixa. no histórico de gravação de voz, tem minha última visita à tarot lady. se o imbecil que me roubou resolver escutar, vai ver a minha vida exposta ali, na gravação. ela disse pra tomar cuidado com roubo entre abril e maio. eu não ouvi. perdi meu iphone.

(e é óbvio que eu já comprei outro. por muitos, MUITOS dinheiros a mais, parcelados a perder de vista. não vou poder tomar martinis com as genias nunca mais. morri, sabe?)

(se você tiver um iphone, faça uma coisa, por mim. seguro contra roubo. senha de acesso ao sistema. eu devia ter tomado esses cuidados. não me perdoo jamais.)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

feliz aniversário, w.

eu espero que você seja feliz. que entenda que pessoas são pessoas, cheias de defeitos, e que ser amigo é aceitar cada um deles. ser amigo é aceitar as pessoas como elas são, e não impor regras ou condições. é entender do que o outro é feito. é saber exatamente o poder que se tem de atingir uma pessoa, e ser comedido, pra não perder o limite. e, se for o caso, quando for o caso, escolher não fazê-lo. é olhar no olho da pessoa e entender cada uma das limitações dela, porque ela entende as nossas.

porque ninguém é perfeito. não há regra, cada um reage de um jeito às curvas no caminho. não há certo ou errado. ser amigo é saber respeitar. e pensar que toda moeda tem dois lados, e que toda situação não é só como a gente a percebe. tem o lado do outro. é saber quando falar, sim, mas principalmente saber quando calar. isso é raro, por esses dias. é saber avançar, mas é saber recuar. saber ser duro, e saber ser doce.

eu me lembro de cada uma das vezes em que você foi doce, e foi amigo, e foi querido. cada uma. e me dói a alma saber que os meus bons momentos foram escondidos num canto, como se nunca tivessem existido. é por causa dessa pessoa que eu conheci, e cujas qualidades eu faço questão de não apagar, que eu escrevo. e que eu desejo, de verdade, dias melhores. dias de maior entendimento, de maior compreensão, de menos dureza nas palavras e nos sentimentos.

não sendo possível, eu desejo paz. e silêncio. e desejo que ainda assim você seja feliz.

porque ser amigo é isso, basicamente.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

=)

porque faz mais de dois meses que eu voltei pra firma colorida, e tava difícil de um tanto marcar um happy hour com aquelas meninas. e eu queria, sabe?

porque aos poucos todas elas vão se tornando tão queridas, nas histórias sobre as sapatilhas verdes ou nas implicâncias recém descobertas e tão, tão parecidas.


porque eu chego na minha mesa e tem um cupcake fofo me esperando, que eu sei que foi feito com carinho. e que o caminho é árduo, e ninguém fica amigo em cinco minutos, mas o tempo foi cuidadosamente separado pra isso, e todas rumamos para o bar coloridinho, e todas pedimos champagne, e falamos, falamos, falamos. e porque, nisso de falar, a gente também ouvia, e concordava. e discordava. e gargalhava.

porque acaba dando pra conhecer detalhes que a gente não presta atenção no dia a dia, mas que estão ali, o tempo todo. e a gente ergue as taças e brinda, e sorri, e gargalha, e na verdade aquele brinde é o início. do grupo. da unidade. unidade que eu busco, o tempo todo, sempre sempre.

coisa bonita isso de amizade começando.