quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010


Em 2010 eu quero pintar as paredes do apartamento novo, tão branquinho e tão ensolarado. Quero cortinas coloridas para o meu quarto, e uma estante grandona, pra encher com livros e caixinhas. Uma mesa pra deixar o computador, espalhar meus livros e, quem sabe, voltar a estudar francês, assim, em casa.

Eu quero ser a pessoa mais adorável do mundo, sempre sorrindo. A melhor companhia do mundo, irritantemente feliz. Shiny happy people, bem daquele jeito que sempre me irritou tanto. Em 2010 esse tipo não vai me irritar. Eu vou me juntar a eles, e rir descontroladamente de tudo.

Quero não ter preguiça de passar protetor solar todos os dias, e aprender a passar o delineador direitinho. Eu quero aprender a usar tiaras engraçadinhas, e roupas coloridas, e perder essa mania boba de cobrir os ombros. Eu tenho ombros bonitos.


Quero voltar pra yoga e recuperar centímetro por centímetro o alongamento dos tempos de ballet. Eu quero ir com a roomate ver todos os filmes que estrearem, e nunca recusar os convites pra ir ver os queridos. Quero música pelos 4 cantos da casa, e gérberas em cantinhos felizes.


Do trabalho novo eu vou querer tudo. Vou querer o espaço, as gavetas, cada uma das descobertas incríveis que eu vou fazer. Quero ser uma ilha, cercada de geeks por todos os lados. Quando se está na nave mãe, é preciso aproveitar. Eu vou levar meu boneco do Einstein e a minha boneca da Coraline, e deixar os dois sentadinhos na mesa, praticando amizade. Vou ter lápis e canetas coloridas, e tentar colocar uma foto ou outra no quadro de espuma. Pra olhar de onde eu venho, e me dar conta de onde eu estou. E continuar sabendo exatamente pra onde eu vou.


Vou rechear meu ipod com músicas novas, mesmo sabendo que vou recorrer às velhas. Vou guardar o carro na garagem e desbravar o 1,5km que me separa da firma colorida a pé. Vou almoçar de novo nos lugares felizes, com os queridos antigos, lá do terceiro andar. Vou descobrir lugares novos, com os geeks do oitavo. Vou fazer novos melhores amigos no mundo todo, e me incluir nas festinhas cheias de guitar hero que eu já sei que eles fazem. Vou experimentar cafés novos da starbucks, e rechear meu pendrive com séries, e descer ali no 5o, onde estão outros queridos, pra discutir sheldon e penny.
Vou competir pra ver quem baixa Lost na frente. E vou tratar de ganhar sempre.

Vou me arrasar vendo Greys Anatomy, e combinar almoços mulherzinha pra debater os novos atendentes do Seattle Grace. Eu gosto dos personagens novos. Vou aproveitar que a firma nova disponibiliza massagens, e farei religiosamente uma vez por semana. Da outra vez eu não fiz, não queria me apegar mais ainda àquele mundo colorido. Mas agora eu posso. E eu super vou. Me apegar. a cada cantinho. Vou beber chocolate quente da máquina, e coca cola do carrinho de doces. E aloe vera. E comer chocolates.
E reclamar do ar condicionado, que é isso que eu faço. \o/

Vou achar novos amigos, pra começar a encher a lista de aquisições indispensáveis de 2010. Vou estreitar laços com os amigos distantes, e colidir os universos todos, tão logo me seja possível. Porque eu descobri que colidir universos é coisa incrível. Se ver rodeada de gente diferente, que não tem nada em comum a não ser você, é coisa incrível. Vou sair mais pra dançar, e beber mais caipirinhas. E mais bloody marys, e mais mojitos. Quem sabe alguns martinis?


Eu menti quando eu disse que não tinha planos pra 2010. Eu tenho um monte.

Meme de fim de ano.

1. Onde você estava quando 2009 começou?
Em casa, na cidade siderúrgica, com a família.

2. O que você fez em 2009 que você nunca tinha feito antes?
Um monte de coisas. Não dá nem pra listar.

3. Você manteve suas resoluções de fim de ano e fará novas para 2010?
Me lembro de não ter planejado nada pra 2009. E o ano foi incrível. Então, seguindo a tradição, não planejo nada pra 2010.

4. Você foi a algum show em 2009?
Não. Vergonha. Perdi Alanis e Killers.

5. Você procurará um novo emprego em 2010?
Não. Eu começo um em 2010.

6. Você bebeu muito em 2009?
Teve o porre histórico do casamento do Bernardo. Foi lindo. Teve o outro, no casamento da Tati. Prosecco explains it all.

7. Você viajou nas férias? Para onde?
Nope. Pra casa dos pais, e só. Ah, não, pera, teve a ida pra Ubatuba, com queridos do trabalho. Mas eu não gosto de praia, então não conta. Gosto dos queridos.

8. Qual foi sua maior conquista em 2009?
Algumas. A maioria relacionada a trabalho. =)

9. Se você pudesse voltar no tempo, para qualquer momento de 2009, e mudar alguma coisa, o que seria?
Mudaria nada não. O ano foi como devia ser.

10. Você ficou doente ou ferido?
Não. Tive várias gripes, mas sobrevivi.

11. Qual foi a melhor coisa que você comprou?
Câmera e iphone.

12. Quais são as pessoas cujo comportamento mereceu aplausos?
Alguns amigos. Eu.

13. E quais são as pessoas cujo comportamento você reprovou?
Não sei. Não tomo conhecimento.

14. Onde você investiu a maior parte do seu dinheiro?
Gadgets e contas.

15. O que te deixou muito, muito, muito feliz?
A proposta pra voltar pra firrrrma colorida, agora no finzinho do ano.

16. Qual música sempre vai te lembrar de 2009?
Duas. Details in the Fabric, do Jason Mraz. E Soda Shop, do Jay Brannan.

17. Comparando este momento com o que você viveu exatamente um ano atrás, você está mais feliz ou mais triste?
Absurdamente mais feliz. Nem se compara. \o/

>>> mais magra ou mais gorda? Mais magra. \o/

>>> mais rica ou mais pobre? Mais rica. \o/

18. O que você queria ter feito mais?
Fui pouquíssimo ao cinema.

19. O que você gostaria de ter feito menos?
Trabalhei mais do que devia ser permitido.

20. Como você passou seu Natal?
Bem, em família.

Não existe a 21…

22. Você se apaixonou em 2009?
Não. Mas foi por pouco.

23. Qual foi a maior mudança para você em 2009?
Trabalho. Foi bem incrível, esse ano.

24. Quais foram os seus programas de TV favoritos?
Seriados: The Big bang Theory, Gossip Girl, Lost.

25. Você odeia alguém agora que você não odiava há um ano?
Não. Tem gente que eu escolho não ter por perto, mas não odeio não.

26. Qual foi o melhor livro que você leu?
Livros técnicos. Trabalho.

27. Qual foi a melhor descoberta musical?
Redescobri Strokes. E Regina Spektor.

28. O que você queria e conseguiu?
Voltar pra firma colorida? Check.

29. O que você queria e não conseguiu?
Não sei.

30. Qual foi o seu filme favorito em 2009?
Gostei bastante do 500 Days of Summer. Bobinho, eu sei, mas me lembrou John Hughes. Também achei Shortbus BEM BOM.

31. O que você fez no seu aniversário (e quantos anos você tem)?
Fiz 30. Almocei com amigos queridos, jantei com amigos queridos, saí pra dançar com amigos queridos.

32. Que coisa teria tornado seu ano imensuravelmente melhor?
Ele foi um bom ano. Tenho reclamações não.

33. Como você descreveria seu conceito pessoal de moda e estilo em 2009?
Melhorou. Misturei muita coisa, choquei meus pais. Sinal que fiz tudo mais ou menos direitinho.

34. O que manteve sua sanidade?
MSN com queridos distantes.

35. Qual celebridade/figura pública que mais te fascinou?
Obama. Mas já passou.

36. Escolha o trecho de uma canção que melhor resume seu ano de 2009.
Suddenly the world actually seems to be revolving around me. - Soda Shop, do Jay Brannan, na trilha de Shortbus.

37. Do que você sente falta?
Veneceous e Julinha, mais que tudo.

38. Quem foi a melhor pessoa que você conheceu em 2009?
Daniel. Genias coloridas da oficina. E mais um tantão.

39. Conte uma lição de vida importante que você aprendeu em 2009.
Tudo o que eu tenho é o que eu sou com as pessoas. E eu preciso confiar que isso seja suficiente. Porque eu sou legal, e coisa e tal.

40. Quais são os seus planos para 2010?
Me perguntem quais eles eram daqui a um ano. ;-)

domingo, 27 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009

O ano começou devagar, e eu quase desanimei. Consegui o trabalho que eu queria, na firma colorida que eu queria. Quatro meses, apenas. Vaga temporária my ass, mas valeu cada segundo. Fiz miséria com aqueles quatro meses. Fiz um tantão de amigos, tive alguns crushs em gerentes com e sem covinhas. Aprendi coisas que eu não sabia. Tive a sensação única e incrível de estar exatamente onde eu devia. Saí com aperto no coração, mas com portas escancaradas pra voltar. E eu volto. Dia 18 de janeiro 2010, meu segundo primeiro dia lá. So damn happy.

Mantive os amigos queridos, entrei em crise com a roomate freak que parou de falar comigo pra sempre, fui atacada pelo namorado sonâmbulo dela. Mudei de casa, mudei de rua, mudei de ares. Retomei amizades que haviam sido postas pra cochilar, dormir. E que despertaram com tudo.


Tive três empregos em pouco mais de uma semana, fiz amigos novos, chorei até dormir várias e várias vezes, enquanto se aproximava a despedida do trabalho que eu tanto quis. Quando tudo estava prestes a acabar, ganhei forças, botei um sorriso no rosto e mantive a pose. Era necessário. A firma colorida me rendeu o Daniel, amigo geek personal code solver, me tirando de imbróglios nunca antes imaginados. Disparado a melhor aquisição do ano. Mantive Julinha e Veneceous ao alcance dos dedos via msn, e quase não pareceu que estávamos tão longe. Cortei franja, cortei channel, emagreci uns cinco quilos sem nem fazer dieta. Primeiro por tristeza, depois por correria. Fui parar onde escolhi parar, na oficina de gênios. Conheci meninas tão fofas que o coração esquenta só de falar nelas, geeks apaixonadas pelas mesmas séries que eu.


Tomei mais café do que devia, mais coca cola do que devia. Perdi a compulsão com doces. Perdi o interesse em comida.


Ganhei interesse em pessoas, andei muito a pé, com ipod nos ouvidos. Ouvi Strokes, ouvi Killers, ouvi Regina Spektor. Conheci um menino de covinhas que me tirou de leve o equilíbrio, por um tempo. Durou menos do que podia ter durado, mas serviu pra descongelar o coração, que era de pedra fazia tempo. Hoje ele é amigo querido, tanto assim quanto os outros.


Voltei pra terapia, desenterrei problemas antigos, que dormiam esquecidos numa gaveta. Nessa parte, o trabalho apenas começou. Fui parar na praia, comprei gadgets caros e necesssários, mais roupas do que eu precisava. Guardei pouco dinheiro. Bebi mais vodka, comi mais frituras, estreitei laços.


Assumi minha nerdice e hoje eu grito meus conhecimentos de séries, assumo que tenho blog, mas não passo o endereço não. Quem achar, que ache. Isso aqui é meu cantinho, não pode ser devassado. Comprei um iPhone, que me deu algo que eu nem sei como pude viver sem: internet de bolso. Agora sou conectada 24/7, ninguém me segura. Vi menos filmes do que eu gostaria, mas ok, vida que segue. Comecei a olhar pra mim e me achar legal, sabe? Não de um jeito arrogante, nem nada. Mas aquela sensação de que você é quem você queria e devia ser, e de que está onde queria e devia estar. Isso é demais. Recomendo.


2009 termina com o título de ano mais louco da minha vida. O melhor, e o pior. O que mais me cansou, o que mais me fez doer o coração, o que mais me tirou o chão de debaixo dos pés. E aí trouxe de volta. Termino 2009 esgotada. Como nunca estive antes, de verdade. Mas não troco por nada o ano que eu tive. Valeu cada segundo, cada dia, cada pessoa. Cada lágrima e cada gargalhada.


Não tenho nem cara de pau de pedir nada pra 2010. Mentira. Tenho sim. Quero mais, do mesmo.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Outro dia, almoço com pessoas do trabalho. Uma das meninas diz. Hoje, eu olho pra mim e eu me questiono. Eu já fui tão mais legal, tão mais interessante. Hoje eu ando sem brilho, sem vida.

Todas as demais concordaram. E se puseram a dizer o quão legais e incrivelmente interessantes elas já tinham sido. O quão mais divertidas e, quem sabe, felizes.

Todas com a minha idade. Todas com trabalho, amigos, namorados. Todas se achando absolutamente sem graça, sem brilho e sem vida.

Menos eu. Eu disse em alto e bom som. Que eu olho pra quem eu era há coisa de dois, três anos atrás, e a mudança é tão incrivelmente chocante, que eu mal acredito que sou a mesma pessoa. Porque eu me acho mais legal, mais bonita, mais feliz, mesmo. Me acho engraçada, e cercada de gente inteligente, e interessante. E eu SEI que eu sou a mesma pessoa. E é por isso, especificamente por isso, que eu faço questão de lembrar. Que as mudanças estão aí pra serem feitas, que a vida está aí pra ser engolida. E que ninguém é obrigado a se acomodar sendo uma pessoa que não gosta de ser.

Recebi olhares de leve desdém, como se eu tivesse sido arrogante nas minhas colocações. Não liguei. Eu gosto de ser quem eu sou. E isso, ninguém tira de mim.

Com relação às meninas, eu acho todas elas bonitas, e interessantes, e cheias de brilho. Mas elas não percebem.

Elas não sabem. Eu sei.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

No ipod em 2009

As mais ouvidas de 2009, segundo meu Last.fm. Porque Killers, Strokes e Regininha fizeram o meu ano.

1. All These Things That I've Done - The Killers
2. Read My Mind - The Killers
3. Somewhere Only We Know - Keane
4. Bones - The Killers
5. Is This It - The Strokes
6. Red Light - The Strokes
7. Razorblade - The Strokes
8. Last Night - The Strokes
9. Soda Shop - Jay Brannan
10. On the Radio - Regina Spektor
11. This Piece of Poetry Is Meant to do Harm - The Ark
12. Fidelity - Regina Spektor
13. On the Other Side - The Strokes
14. You Only Live Once - The Strokes
15. Mr. Brightside - The Killers
16. Heart in a Cage - The Strokes
17. Electricityscape - The Strokes
18. Barely Legal - The Strokes
19. Take It or Leave It - The Strokes
20. I'm Yours - Jason Mraz
21. Vision of Division - The Strokes
22. 15 Minutes - The Strokes
23. Someday - The Strokes
24. Details in the Fabric - Jason Mraz
25. Better - Regina Spektor
26. Juicebox - The Strokes
27. Sam's Town (Abbey Road version) - The Strokes
28. Ask Me Anything - The Strokes
29. Change Your Mind - The Killers
30. Human - The Killers

Top 30 artistas de 2009

1. The Strokes
2. The Killers

3. Placebo

4. Regina Spektor

5. Travis

6. Alanis Morissette

7. The Beatles

8. Franz Ferdinand

9. Amy Winehouse

10. Keane

11. Jason Mraz

12. The Ark

13. Coldplay

14. Jay Brannan

15. Death Cab for Cutie

16. David Bowie

17. Madonna

18. Beirut

19. R.E.M.

20. Ben Folds

21. CAKE

22. Rufus Wainwright

23. Snow Patrol

24. Katy Perry

25. Bon Jovi

26. Oasis

27. Britney Spears

28. The Temptations

29. Silverchair

30. George Michael

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Off with her head

Voltando do almoço com geniazinha colorida querida, resolvemos fazer um desvio, e entramos na livraria. Estávamos, as duas, interessadas no mesmíssimo livro. Uma edição ilustrada de Alice no País das Maravilhas, da CosacNaify.

O livro é incrível, eu tenho loucora com a história, tenho diversas edições em casa. Precisava dessa, sabe como é. E ela também.

Peguei o livro nas mãos, e abri aleatoriamente numa página. E eis o diálogo que surgiu:

- Quanta asneira! - disse Alice bem alto. - Onde já se viu dar a sentença antes de julgar se o acusado é culpado ou não?
- Mais cuidado com o que fala! - gritou a Rainha, ficando toda vermelha de raiva.
- Vou falar o que eu quiser! - respondeu Alice.
- Cortem a cabeça dela! Cortem a cabeça dela! - pôs-se a berrar a Rainha, com toda a força dos seus pulmões.
Mas ninguém se mexeu.
- Quem é que liga para você? - disse Alice. - Vocês não passam de um pacote de cartas de baralho.

Gente, sério. Qualquer semelhança com o meu drama atual NÃO PODE ser mera coincidência.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Meu dia de Molly Ringwald <3

Então. Sabe quando acontece uma coisa, e durante todo o acontecimento pipocam na sua mente todos os clichês de filmes água com açúcar americanos? E aí você nem se importa, porque você se lembra que, quando você tinha 16 anos, isso era tudo o que você queria? E dane-se que isso venha te acontecer quando você acaba de fazer 30, você é perfeitamente capaz de esquecer esse detalhe e viver de leve o conto de fadas?

Pois então.

Sábado foi o casamento de uma amiga querida, lá da cidade siderúrgica. Ela mora nos EUA há 4 anos, com esse namorado incrivelmente lindo. E eles iam se casar, e ele trouxe todo o galerê da familia, e os três melhores amigos.

E o casamento foi fofo, e a festa tava ótema, e eu me vi girando em torno do irmão mais velho de uma das minhas amigas de colégio, exatamente como eu fazia aos 16 anos. Ele NUNCA quis nada comigo. Ficou com todas as nossas amigas, destruiu minha auto estima, partiu meu coração em tiny little pieces, mas ele olhava com aqueles olhos azuis e eu não ligava tanto assim. Desmanchava. E ele estava lá, lindo, e eu estava lá, linda, super dando mole, e o rapazinho NADA. Imune ao meu charme, imune ao fato de que, com todo aquele prosecco, eu tava fácil.

Cansei dele e engatei um papo com um dos best man. Dave, rapazinho simpático. Bêbada eu não tenho a menor inibição em falar inglês com um english speaker original. Discutimos Obama, discutimos Lula, discutimos o sonho americano. Minha amigas foram indo embora, e eu bebendo e discutindo em inglês com rapazinho Dave. De repente, olhei em volta, festa quase vazia. Eu estava sozinha, sem carona. A noiva, bêbada, dançava com o noivo, lindo e bêbado, no meio da pista.

Fui até lá e falei. Tati, a festa acabou? Porque foi todo mundo embora e eu ainda não acabei de comemorar. E nisso surge o segundo best man. Kevin. Ela já tinha me falado dele, que eu precisava conhecer, e coisa e tal.

E antes que eu pudesse me dar conta, eu estava girando com Kevin pela pista de dança, ao som de "When you were young", do Killers. E esticamos pra um bar, os meninos americanos, umas meninas desconhecidas, a noiva bebada, o noivo bebado. E cada um foi saindo, e indo embora. E eu lá, no bar, vestido de festa, shivering, como ele dizia, por causa do frio.

Antes que eu pudesse perceber, once again, Kevin e eu estávamos all over each other. E ele era fofo, e querido, e colocou sua jacket nos meus ombros. E eu chamei ele pra ver o nascer do sol, e em pouco tempo eu não fazia a menor ideia de pra onde haviam ido todas as outras pessoas. E dane-se.

De manhã, Kevin me acompanhou caminhando até a porta da casa dos meus pais. Eu estava descalça, de pés sujos. Toda a nossa conversa foi recheada com clichês, e eu pouco me importava. Eu dizia "you just got to second base", ele dizia "Whut? Second base was two hours ago". E corrigia a minha pronúncia pra uma ou outra palavra, e eu ensinava que obrigado é para meninos e obrigada é para meninas. Kevin me deixou de pernas bambas. Como poucos até hoje conseguiram.

Well, cheguei em casa e a minha mãe estava LOUCA, sem dormir. Como se eu tivesse 16 anos. Me fez uma vitamina de banana, me passou um esporro, e não adiantou de nada eu dizer pra ela que era adulta.

Mas eu nem era. Eu tinha 16 anos, no domingo de manhã. Eu era Molly Ringwald, dá licença. pelo menos uma vez, uma vezinha que fosse.

No dia seguinte, vi que minutos depois de me deixar em casa, menino Kevin me procurou na internetz, e me adicionou no facebook. Oi, gente, sou geek. Morri de amor. 457 vezes.

Então, mais um amor impossível. Eu voltei pra sumpolo, cresci 14 anos, ele foi pro Rio aproveitar os dois ultimos dias de viagem ao país tropical. Eu mandei uma mensagem, pra ver se dava tempo de ele vir me ver em São Paulo. Ele respondeu dizendo que tentou trocar o vôo e não conseguiu. E que, sadly, precisava estar em casa para a Christmas eve. Nada feito.

Fim.

Enquanto isso...

Enquanto eu passava loucas aventuras no acampamento do barulho, duelando com a gerenta destemperada que não administra o próprio cabelo e usa batom boka loka, me desfazendo do ódio que eu sentia, esperando as mãos pararem de tremer - sim, porque eu brigo, mas eu fico bem desestruturada depois, essa é a verdade - meu msn pipocou o dia inteiro.

E eram as coisas mais lindas. Queridos variados, lá da firma colorida, agora que a notícia começou a correr. Todos me dando boas vindas, verdadeiramente felizes pela minha volta.

É muito amor no meu coração, juro. Não vejo a hora. Não vejo MESMO.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O embate com evil manager - parte 2

Então. Devo pedir que se sentem, relaxem. O post vai ser comprido. Daquele tipo que tem que tomar fôlego, lá no meio. ;-)

Como eu dizia ainda ontem, eu tinha descoberto que o aviso previo terminava 3 dias antes do que a evil manager planejava. E hoje era dia de ir lá drop the news.

The bitch went nuts.

Entramos na salinha e eu contei pra ela. Ela disse que eu tinha combinado outra coisa, eu disse que não, que ela encerrou a outra reunião pra checar o
cronograma e nesse meio tempo eu descobri a data *correta* do fim do meu contrato. Ela disse que não. Eu disse que sim.

Daí ela ameaçou tirar a minha folga de fim de ano. Folga essa que: 1) um dia foi dado à equipe, pelos esforços ao longo do ano (1 fucking dia, apenas, pois é); 2) as duas outras folgas foram abonadas dos finais de semana e noites viradas que eu passei no projeto do demo. Tudo documentado por e-mail, que se tem coisa que eu não sou nessa vida, queridos, é boba. Eu me cerco. Sempre.

A bitch quis cancelar a minha folga. Eu não topei, botei ela no devido lugar e ainda disse que tinha tudo documentado. A bitch recuou.

Daí ela ficou forçando a barra pra eu ficar até dia 15. Jogou a carta que eu ia deixar ela na mão (really?), que eu ia sobrecarregar alguma geniazinha fofa (really?), que eu não estava sendo profissional, vejam bem. E eu. Gerenta, a regra é essa. Meu pai é especializado em direito trabalhista (mentiiiiiiiira!), e eu sei tudo de aviso prévio. A lei é clara, meu último dia é dia 12. E eu pretendo cumprir a regra, direitinho.

E ela. "Você se prende demais em regras". E eu. Exatamente. (Quando a co-worker fofa sofreu o inferno na semana retrasada, com todo tipo de retaliação porque aceitou uma vaga numa empresa foda, ela foi atacada com o argumento de que não estava seguindo as regras, por sair antes de o tal de aviso prévio terminar, e etc.) Pois bem. Ag
ora eu sou atacada exatamente por seguir as regras. "Você se prende demais em regras", ela disse. Rá. Conta outra.

Coerência, não trabalhamos.

A verdade é que a mulher tá se acostumando a acuar as pessoas, a fazer com que elas concordem com o que ela quer. E ela nunca quer coisas viáveis. E eu, well, eu sei acuar também. Eu não gosto que gritem comigo, e eu sou fofa toda vida, mas eu sei ser intratável de um tanto que pouca gente imagina. E eu to numa vibe "Vem nimiãm". Ela que venha. To preparada.

E quando ela levantou a voz, ela não esperava que eu levantasse de volta. E quando ela argumentou, ela não esperava que eu argumentasse de volta. E eu ainda joguei lindamente na cara dela que ela chegou lá ontem, que ela não entende nada daq
uele ambiente.

E ela lá. Você tem que ficar até o dia 15. E eu lá. Não, evil manager. A regra é clara. Eu fico até o dia 12. Daí ela recuou, de leve, e me pediu, com a falta de educação e trato que lhe é peculiar, que eu ficasse até o dia 15, e que a oficina me pagaria pelos 3 dias extras. E eu disse que agradecia o convite, mas preferia sair dia 12, e ter 3 dias lindos de folga.

Ela saiu da sala batendo porta, e encerrando a conversa. Quando eu saí da sala, algumas das gênias estavam olhando, provavelmente pelo som que vazou pela porta fechada.

Daí ela foi pro twitter. Porque, gente, profissionalismo, não trabalhamos:

Seria uma ameaça velada? Um vou destruir geral? Será que ela não entendeu direito que EU pedi pra sair? Well, a tarde seguiu.

Algumas horas depois...

Estou eu na minha mesa, discutindo com outra genia o projeto que eu tinha que fazer. Que o cronograma é dia 7 de janeiro, mas que ela resolveu que eu tinha que entregar hoje. Eu mostrei pra ela que tinha problemas, e que hoje não rolava de ficar pronto.

The bitch went nuts. (2)

Disse que era absurdo eu não terminar. E eu. Gerenta, o site é cheio de peculiaridades. Eu convido você a navegar por ele e entender que o roteiro não fica pronto assim, num passe de mágica. E ela. Eu nunca tive esse problema antes, com ninguém. Eu não entendo.

E eu esbocei um sorriso BONITO, olhei pra ela com desdém, e disse. Não, gerenta. Você não entende.

E ela olhou, e repetiu. Eu não entendo. E eu, repeti. Realmente, você não entende.

E ela disse. Enfim, esse problema vai ser resolvido.
E eu. Well, é como você mesma disse. Esse problema vai ser resolvido. Em breve. Dia 12.

E ela saiu da minha mesa, passou bufando pra dela, e novamente usou a mágica ferramenta do twitter pra extravasar todo o seu ódio e frustração:

Well. Eu chamo isso de, hum, nem sei. Tem nome? Profissional é que não é. Destemperado?

Por enquanto é só, amiguinhos. Tenho pra mim que a guerra só começou. Torçam por mim.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O embate com evil manager - parte 1

Cena 1. Chamo Evil Manager pra uma conversa. Ela diz ok, mas não se levanta. Eu me levanto, e paro em frente a mesa dela. Encaro. Ela levanta os olhos e dia. O que é? Eu digo. Vamos para a salinha?

Cena 2. Eu e Evil Manager na salinha. Eu digo assim. Eu tenho um problema, e preciso te comunicar. A firma colorida me chamou pra voltar. E eu disse sim.


Ela se retesa na cadeira, meio que acuada. Visivelmente contrariada, sem pensar, dispara: "Eles quebraram as regras". (Uma coisa meio Wildmore versus Ben Linus. You broke the rules. I'm gonna kill your daughter).


Regras? eu pergunto. E ela continua. Nós temos um acordo de cavalheiros para que uma empresa não leve profissionais da outra. E eu. REAAAAALLY?


A conversa foi linda, e eu distribuí generosamente todos os tapas com luvas de pelica que cabiam na situação. Expliquei que eu não estava ok com os cronogramas loucos, que esses meses de oficina colorida tinham sido de muito aprendizado, mas que me levaram muitos kilos e muito da minha qualidade de vida. E que a firma colorida era a minha nave mãe, e que quando a nave mãe chama, não tem discussão. A gente volta.


Ela reclamou que eu tinha um projeto nas mãos. E que ~o ideal seria~ que eu finalizasse tudo antes de ir embora. Isso representa fazer o trabalho de UM MES em duas semanas. Percebam a vibe de punição. De se vira aê. Eu recusei, delicadamente, e disse que não toparia outro projeto do demo. Que eu continuaria lindamente fazendo meu trabalho, mas que a aconselhava a colocar alguém comigo, alguém que pudesse assumir as coisas quando meu prazo acabasse. E ela lá. Falando de mundo ideal. E eu aqui. Tentando explicar pra ela que no meu mundo ideal, ela é uma pessoa transformada em cinzas.


O mais legal foi quando eu disse pra ela que tenho MUITO FOCO na minha carreira, e que eu não brinco com trabalho. E que esse convite era, pra mim, uma recompensa por um bom trabalho que eu sabia que tinha realizado por lá, e que era um puta desafio, e que eu estava muito, muito, muito, muito feliz. E que eu terminava o meu ano de 2009 com todos os meus objetivos alcançados. Cada um deles.


Ela sorriu amarelo. E concordou que eu era boa, sim. Disse que minhas entregas tinham qualidade e whatever. Coisas que eu já sabia. Eu conheço os meus super poderes. Cada um deles. Minha briga é adquirir novos, mas eu nunca questionei os antigos.


Com relação ao projeto louco que ela insinuou que eu deveria fazer inteiro em pouco tempo, ainda vamos falar mais. Nesse meio tempo, eu descobri que meu aviso prévio me libera do trabalho 3 FUCKING dias antes do que ela gostaria, lá no mundo ideal de merda dela.


Preciso dizer que estou adorando o processo? A lei do meu lado, a cara de tacho dela, a confusão que ela vai ter pra acertar os cronogramas. Not my problem, not my business.


Mais novidades a qualquer momento.

domingo, 20 de dezembro de 2009

I'm back!

In the meantime, eu vou quase acreditando que o universo me ama.

Quase nada. Eu super acredito que o universo me ama. Deixa eu contar.

Meu telefone tocou na semana passada, e era lá da minha querida e saudosa firma colorida. Não era o gerente de covinhas, era a equivalente dele numa outra área. E ela me queria.

Pausa pra barulho de torcida em estádio lotado.

Então, aparentemente, o bom filho à casa torna. Eles me querem pra janeiro, pra fazer um troço que eu super acredito, um projeto super legal. Sem prazo, tudo bonitinho. Dessa vez, a porta é de entrada. E de entrada, apenas.

Estarei a alguns andares do gerente de covinhas e de todos os meus queridos. Estarei a alguns metros do Daniel, que levou o troféu melhor aquisição do ano de 2009, por todos os scripts feitos, todas as horas de msn, todos os cafés de starbucks. Amigo de verdade é assim. Surge do nada, e quando você nota tá ali, instalado, indispensável. Muito da minha volta tem o dedo dele. Ele ficou lembrando galerê que eu existia e queria voltar. Durante os últimos seis meses.

Então, valeu aê, 2009. Vai terminar bem do jeito que eu queria, bem do jeito que eu super acho que fiz por merecer. Deu uma volta completa, parou onde precisava parar.

Vou fazer novos amigos, novos queridos. Me meter a jogar guitar hero com os geeks todos, porque esse é o andar dos geeks. Também é o andar onde ficam os jornalistas, o galerê que produz o conteúdo propriamente dito. Só outro dia eu contei 7 caras interessantes. 7. Em 20 minutos, sabe? Imagina a quantidade de covinhas que eu vou ver por ali? Sério?

E ainda tem a coisa incrível e maravilhosa que vai ser olhar na cara da evil manager e dizer que o galerê do maior portal de internet desse país confia que eu sou multitarefa e me quer por lá de novo. Sabe como é, né? Ninja. Como eu vinha dizendo que era e ela debochava. Vamos ver quem ri por último.

E ainda tem a história incrível e digna de comédia romântica de sessão da tarde, comigo no papel que naturalmente caberia a Molly Ringwald. Coisa rica, conto depois. Só digo uma coisa. Goosebumps.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

go ahead, bitch. make my day.

Agora na oficina eu sou tachada de implicante. Juro. Porque eu, teoricamente, sou.

Acontece que a gerenta nova, além de ser buuuuuurra de um jeito que me ofende, é também arrogante e centralizadora. E é nítido que ela não gosta de mim. e é nítido que estamos alinhadas nesse sentido. E APENAS nesse sentido.


Depois daquele feedback do demo, ela me tirou do projeto e me jogou em outro. Mal eu ia começar, ela me tirou do projeto e me jogou em outro. E eu fiz o que tinha que fazer no projeto que ela me jogou por último, e quando eu ia voltar pro anterior, ela me perguntou se estava tudo pronto. Tudo pronto no projeto que eu não tinha trabalhado, porque ela estava brincando de me dar nos nervos e me jogar de um lado pro outro.


Daí eu passei um e-mail FOFO, dizendo que ela olhasse o cronograma, e que estávamos nele. E que ela não se preocupasse, porque eu era NINJA. E dava conta de tudo, tudinho. Porque é isso que eu faço.


Ela pegou isso e resolveu me colocar no meu devido lugar. Mandou e-mail no dia seguinte, dizendo que se eu era ninja mesmo, eu ia fazer o que ela me pedia. E me passou 4 projetos, um atrás do outro, prazos apertados, pressão. E eu fui chorar na terapia, e voltei pro trabalho, e fui ninja. E fiz TUDO. Nos prazos desumanos que ela estruturou.


E aí a mulher resolve marcar a parte que envolve os usuários. Well. É difícil explicar o que eu faço sem dar dicas demais por aqui, mas digamos que tem uma parte que a gente testa os sites com usuários, pra ver se eles têm problemas ou não.


E o cliente é o Google, #prontofalei. E eles não colocaram a fucking ferramenta no ar, e então eu não posso pegar o usuário e falar pra ele. imagina que aqui tem um link. Clica e vamos ver o que você acha. E ela lá, marcando os testes. E eu assim, dando corda pra ela se enforcar. Que é isso que eu faço, na vida em geral. Eu dou corda pra idiotas completos se enforcarem.


\o/


Daí tava aqui, ~implicante que sou~ olhando o subject do e-mail que ela mandou pro cliente, pra ver com ele se eu estava certa e se a gente tinha que parar tudo e esperar o ok deles. E era basicamente assim: IMPORTANTE - go ahead nos testes do (nome do produto em teste)?


Go ahead? Really?


E o maluco cliente diz. Whut? Tá louca? Isso só entra em janeiro, não tem cabimento testar antes. E eu ouço barulho de torcida em estádio lotado dentro da minha cabeça, seguro o sorriso e sigo adiante.


Madame Ç 1 x Evil Manager 0


Na verdade a contagem já mudou e tá bem maior do que 1 a 0. Mas eu to tentando ser humilde.


E eu penso no e-mail. Go ahead? Go ahead, kill yourself, bitch.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Montanha russa

Sofrida pela morte do computador. Apertei a tecla sleep por engano, ele dormiu sono profundo, para nunca mais acordar. Fiquei helpless, me enfiei embaixo do edredon e me cobri até a cabeça. Só um buraquinho, pra respirar. Eu tenho esse post em construção, da minha retrospectiva 2009, mas ele muda toda hora. Desde junho eu não tenho descanso. Minha analista deve me achar doida. Numa semana eu gargalho sobre uma história, na semana seguinte eu falo segurando o choro. E o assunto é sempre o mesmo.

A verdade é que mesmo faltando tão pouco, eu fico com a sensação de que a minha vida pode mudar totalmente ainda esse ano. Porque PODE. Tem coisas acontecendo, e é um daqueles momentos em que o chão está estranho por debaixo dos meus pés. Não de um jeito ruim, mas de um jeito que provoca angústia, de leve. Indefinição. Muito ruim o momento da espera, principalmente quando se está tão cansada. Eu estou cansada.

2009 me surrou loucamente. Me deu coisas e me tirou depois. E agora ameaça dar de novo. E eu quero. Tudo o que é meu. Eu só quero o que é meu.

Samuca querido me disse que tem coisa que é nossa, e que a gente só precisa tomar posse. Eu quero acreditar que é esse, o caso. Porque se for, se for MESMO, eu não vou ter nem cara de pau de querer mais nada em 2010.

Post escrito no iPhone, que é tudo o que me restou nesse resto de domingo, notebookless. Quem curte?

Enviado de meu iPhone. --> acho isso tão @victorfasano.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

(L)

Estou distraída na minha mesa, concentrada numas coisinhas de trabalho. Sinto baterem no meu ombro. É uma das geniazinhas coloridas, e ela diz. Madame Ç, tem um rapazinho do (inserir aqui o nome da firma colorida) que quer te ver.

E eu olho para a co-worker fofa e repito a frase. Tem um rapazinho da firma colorida aí, e ele quer me ver. (L)

Sempre tem pessoas da firma colorida na oficina, porque eles são clientes, e dos mais assíduos. Estão sempre lá, modos que eu não morro tanto assim de saudades. Dá pra ir dizer oi, contar coisinhas, trocar informações, combinar almoços. Fora os contatos diários de msn, todos ali, ao alcance dos dedos.

Levanto, imaginando qual dos meus queridos está ali, e perguntou por mim. Ando até a sala onde eles ficam quando nos visitam.

E é o gerente de covinhas. Sorriso escancarado, olho brilhando, tão incrivelmente bonito. Como sempre foi, como é. E ele quer dizer oi, e me abraçar, e falar amenidades, só um tiquinho.

E nosso encontro não passa de cinco minutos, em pé, ali no cantinho da oficina, em que ele fala que vai levar a filha à Disney e conta que vai conseguir tirar férias.

E o meu coração se enche de amor, e de saudades de cada uma daquelas pessoas. Cada uma. E quando eu me despeço, e volto pra minha mesa, a mão treme, e eu estou naturalmente afobada.

Porque é esse o efeito que ele tem sobre mim. É esse o efeito que aquela experiência teve. Eu vibro por dentro, estranhamente.

Fico desconcertada.

PS. E aí, de noite, jantando num mexicano com amiga querida, é outro querido da firma que me aparece. O viado territorialista, que agora é só viado fofo, vem me abraçar. E eu morro mais um tiquinho, de saudades desse mundo que ainda é um pouco meu. E agora, enquanto eu escrevo esse post, aparecendo offline no msn, mas online no gtalk, e um terceiro querido de lá que me aparece. Eles estão everywhere, o tempo todo. Estou cercada. E gosto disso.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

¬¬

Podem me chamar de implicante. É possível que eu seja. Eu tenho feito um esforço pra gostar da pessoa. Eu juro. Fato é que, dado o caos na oficina, foi contratada uma gerente de projetos.

E eu tava lá, no meio do projeto do demo, com o dobro de coisas pra fazer na metade do tempo. Trabalhando 12h 13h por dia, cansada, sem descanso, e as coisas surgindo pra serem feitas sem aviso nenhum, sem organização. Vejam bem. Passei duas, quase três semanas, nesse ritmo. Dormindo pouco, e mal. sendo cobrada por coisas que não eram meu trabalho. E com um sorriso FOFO nos lábios. Óbvio que no final da terceira semana, eu dei uma pifada. E isso foi bem quando a gerente chegou. Eu me alimentava de amendoim, que era o que tinha pra comer no trabalho. Saía 23h todos os dias. Amigos, não sei, não vejo. Sono? Lembrança distante.

E chegou a gerente nova, cuja função é botar ordem na bagunça. Quando eu digo bagunça, eu me refiro a cronogramas absolutamente surreais, que são estipulados por outras pessoas, sem considerar quem vai cumprir. E que entendem, naturalmente, que eu tenho todas as minhas 24h do dia disponíveis pro trabalho, as well as finais de semana.

Imaginem a minha cara, no final do processo? Restless, mal humorada, sofrida. Doente. Uma alergia que fez minha boca pinicar, como se tivesse queimada de frio. Menos 1kg na balança. Olheiras cobertas com argamassa, porque só o corretivo não dava mais conta.

E eu tinha essa apresentação, que era numa quinta-feira. E na quarta-feira surgiram mais coisinhas não previstas, que deveriam ser feitas pra deixar o cliente incrível. E eu lá. Morrendo. Chegou uma hora que eu tinha terapia, e avisei que estava indo, e voltava depois. E tomei cara feia. Mas nem liguei. Minha terapia não é negociável.

E o projeto ficou pronto, e eu virei aquela última noite, e fiz uma apresentação perfeita. Na quarta, véspera, eu estava mais ansiosa que de costume. Eu sou ansiosa. Ponto. Estava mais, é bem verdade, porque as coisas começaram a pesar nos ombros, mesmo.

E a gerente de projetos lá. Observando, demandando. Organizando, função dela.

E essa semana eu fui chamada na sala de reunião, pra um feedback. Você é muito ansiosa, ela disse. Não lidou bem com pressão naquele último dia antes da apresentação. Deixou as pessoas em volta nervosas, etc e tal. Disse que eu não devia ter saído para a terapia no meio do caos (que foi intencionalmente causado, vejam só, por ELA, com tarefas não programadas e de última hora). Minha terapia é pós-expediente. Nem preciso dizer, né? Disse mais. Que eu preciso achar a minha válvula de escape. E que a dela é sair pra beber uma cerveja com os amigos.

E eu. Whut?

Fiquei puta. Agredeci o feedback, e disse que contava com ela para a organização de cronogramas mais justos com os funcionários. Que a minha terapia não era negociável. Até porque eu trabalhava 13h por dia e nos finais de semana. Aquela hora era minha, e não cabia a ela questionar isso. Disse mais. A minha válvula de escape, sabe gerenta, é SONO. DESCANSO. Coisa que eu não tive nas ultimas três semanas. E ainda dei um duplo twist carpado, fazendo ela me elogiar, dizendo que SIM, o projeto foi lindamente apresentado, mesmo com o caos a que eu fui submetida. E que eu sou boa, sou ótima. Mas sabe quando a conta ainda não fecha?

Faça-me o favor.

Tomei horror a ela. Pode ser o cabelo mal cortado e arrepiado pela escova mal feita, pode ser o tipo de roupa ERRADA que ela escolhe se vestir todos os dias, com vestidinhos esvoaçantes e sapatos pesados, ou coisas ripongas. Ou o batom. Meodeos, o batom. É vinho, e tem brilho. Não é só brilho. Sabe aqueles batons anos 80, que tem tipo um cintilante purpurina horroroso?

E depois não entende quando eu vou pra terapia.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O maior fora da história da humanidade.

preciso contar.

dei o maior furo da história da humanidade. o maior.


você aí. todos os furos que vc der na vida, todos os furos que você presenciar alguém dando na vida, você vai ter a incrível oportunidade de lembrar desse momento e saber que EU ganhei. Que eu bati o récorde. E, que se eu não apanhei hoje, foi a mais pura sorte.


Estava eu no restaurante, almoço com gênias coloridas. Não sei bem de onde o assunto surgiu. Mentira, sei sim. Estávamos falando de turismo de tragédia, e eu super dizendo que havia público sim. Que quando a Daniela Perez morreu e o meu pai botou eu e a minha irmã no carro pra refazer o caminho da garota antes de morrer, e depois parou do lado do mato onde o corpo dela havia sido encontrado pra gente saber que foi ali que ela tinha sido morta, e eu e a minha irmã super achamos mó legal essa aventura, eu não estava preocupada com o fator horror da situação. Lá na minha casa todo mundo sempre teve humor negro, a começar pelo meu pai. Casa de médicos, a gente sempre lidou com acidente, machucado e morte de um jeito meio escroto. Insensível, irônico. Não desmerecendo a tragédia, mas de um jeito que o assunto jamais foi tabu, e sempre foi considerado parte de como a vida acontece.


E eu lá. Discorrendo sobre turismo de tragédias. Tipo ir ver onde é que foi mesmo que o maníaco do parque atacou aquelas mulheres, ou onde Suzane Von Ritchoffen morava com sua família comercial de margarina, antes de mandar todo mundo morrer a pauladas. Onde foi mesmo que Isabelinha morreu? Queria saber o bairro, onde fica o prédio.


Comecei falando de Isabelinha, e as gênias também, mas eu mais. Confesso. Eu fiquei super chocada com a história dela, e a menina era fofa, e eu quis MUITO acreditar que o pai dela não era culpado, porque veja bem, ele é pai. Mas depois a história foi tomando contornos de espetáculo, e dá-lhe fantástico entrevistando a mãe da menina. Meu choque com a situação veio depois. Num dia que teve um evento qualquer pela paz, desse que têm Padre Marcelo Rossi cantando, com cobertura do Jornal Nacional. E eles disseram que a Ana Carolina Oliveira, mãe da menina morta, tava lá.

Todo um caráter celebridade que me incomodou demais da conta. Porque não há celebridade em cima de tragédia. E eu acho que a garota foi meio colocada de mártir, de símbolo da violência e da dor, e talvez tenha faltado uma boa assessoria. Pra dizer que não é ok tirar fotos com fãs, que querem fotografias ao seu lado porque você é famosa. Porque, meu bem, você só é famosa porque a sua filha morreu. Barbaramente.


E eu tava lá, incrédula, vendo a Ana Carolina, com camiseta estampando o rosto de Isabelinha, posando pra fotos com fãs, crianças, velhinhos. Sorrindo pras fotos, dizendo xis.


E. Mermão. Se eu tivesse uma filha, e a minha filha tivesse sido morta, e eu tivesse sido jogada nesse circo, e neguinho viesse me pedir foto, eu rosnava. E avançava. Porque isso não se faz.

E era exatamente isso que eu vinha dizendo na mesa do restaurante, pras gênias. Que eu achava horrível ela posar pra fotos. E nisso. A frase se esvai no meio, a voz me falta. A mãe da menina Nardoni estava a apenas alguns poucos metros, olhando pra mim, prato de comida na mão. Ela estava lá desde quando eu falei do turismo de tragédias, acompanhou toda a minha tese sobre como você deve se comportar quando o seu filho morre barbaramente e o Jornal Nacional faz a cobertura.


Tomei um carão sem precedentes. Foi a situação mais bizarra, quais eram as chances de isso acontecer? De ela estar no mesmo lugar que eu, na hora em que eu falava aleatoriamente disso?


Fiquei meio sem saber o que fazer. Eu realmente penso tudo aquilo que eu estava dizendo, mas ela não precisava estar ali ouvindo. Porque machuca.


Conclusões. Vou cortar o cabelo, pra não ser reconhecida. Vou dar um tempo do restaurante, pra ela esquecer de mim. Vou gradear as minhas janelas quando tiver uma filha, pra que a praga que ela tenha me jogado não tenha efeito. Vou pro inferno.