quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Das coisas que em breve eu não saberei mais

Ilminha me chama no msn, dizendo que anda gagá e sem certeza de seu – sempre – bom português. Dá uma olhadinha no blog, ela diz. E eu, que adoro tudo que ela escreve, corro lá. E vejo mais um texto delicioso, rico daqueles detalhes que fazem a gente imaginar direitinho o que ela está falando. Não tenho correções, a garota sabe escrever. Tirando uma palavrinha com hífen. Bobagem.

Corrijo, né?

Para, dois segundos depois, me dar conta de que em pouco menos de 24h, valerá a tal reforma ortográfica, assinada pelo senhor presidente. E que, sabe-se lá, o hífen volte com tudo, em algumas palavrinhas. Eu sei que ele volta. Só não sei onde, exatamente.

Minha serventia como corretora de português, como revisora de textos amigos, está no finzinho. E, 23h36 eu viro abóbora com tudo o que sei.

+_+

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Em 2008, eu:

- Recebi uma proposta pra trocar de empresa e não topei.
- Escrevi num blog.
- Fiz terapia.
- Estudei francês.
- Briguei feio com uma grande amiga.
- Larguei o blog antigo.
- Trabalhei com algo que eu odiava.
- Economizei dinheiro pra trocar de carro.
- Briguei feio com o meu pai.
- Fiz terapia.
- Pedi demissão.
- Adiei a troca do carro e resolvi trocar de cidade.
- Precisei parar com a terapia.
- Precisei parar com o francês.
- Fiz as pazes com meu pai.
- Troquei de cidade.
- Fiz novos amigos.
- Fiz um novo blog. =]
- Virei vizinha de uma amiga querida da faculdade.
- Emagreci um pouquinho.
- Fui assediada numa entrevista de emprego.
- Beijei um japonês.
- Fiz as pazes com a amiga com quem havia brigado.
- Fiz as pazes com outra amiga com quem não falava desde 2003.
- Fiz entrevista pra uma vaga muito legal. E não passei.
- Chorei. Mas depois passou.
- Fiquei bêbada muito acima da média.
- Passei muitas e muitas horas no computador.
- Não li mais do que 4 livros. Mas continuei comprando livros.
- Perdi o medo de dirigir em São Paulo. Me perdi em São Paulo.

vi aqui. e copiei descaradamente. =]

domingo, 28 de dezembro de 2008

dos planos para 2009 (1)


um amigo tava dizendo que ele quer ganhar dinheiro em 2009.
daí eu pensei, né. se queria ganhar, e tals.
não.
em 2009, eu quero gastar dinheiro.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Das coisas que eu odeio no Natal

Odeio a decoração, com sua neve sintética em um país que, como diz a música, é tropical. Odeio a profusão de brilhos, e papais noéis, e shoppings lotados, e pessoas se acotovelando cheias de sacolas. A demora pra se conseguir uma vaga no shopping, o engarrafamento histérico. Odeio a calça jeans que aperta porque alguma química maligna do meu cérebro me deixa sugestionada a acreditar que dieta, dieta mesmo, só depois do dia 2 de janeiro. E dá-lhe Coca-cola, não a light, e nem a zero. A comum, cheia de açúcar e alegria. E Panetone. Sabe outra coisa que eu odeio? Os telefonemas de pessoas que ficam longos minutos enumerando os desejos felizes para o próximo ano. Odeio os scraps mandados em forma de spam, com mensagens genéricas onde o seu nome nada mais é do que uma tag a ser substituída. Odeio que Natal seja aniversário do meu avô, e que ele não esteja vivo e fique tão óbvio que falta alguma coisa, falta alguém. Odeio que os meus seriados parem, pra só voltar em janeiro, não sem antes se despedir com um episódio que me deixe louca de curiosidade, como o último Gossip Girl, ou o último Heroes. Odeio que o meu Google reader diminua a marcha, já que ninguém posta tanto, e eu acabe sendo capaz de zerar os itens não lidos algumas vezes por dia. (/mauhumor)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Scrooged

Aqui na cidade siderúrgica onde eu fui criada, interior do Rio de Janeiro, onde meus pais vivem e onde eu vim me esconder no fim de ano, chove todo dia. Choveu ontem, choveu hoje, choverá amanhã. Sempre no meio da tarde, o dilúvio vem e vai rápido, deixando tudo alagado. Mas agora tem uma novidade. Quando chove, acaba a luz. E isso acaba com o meu bom humor. Acabou a luz na segunda e eu desci 11 andares de escada, porque ia anoitecer e eu não queria pegar estrada de noite. Quando eu voltei de viagem, ontem, mais uma vez pude testar os poderes de anfíbio do meu carro, andando nas águas. Hoje, em casa, confortavelmente instalada, pernas ao alto pra recuperar as panturrilhas do grande exercício escada abaixo, e acaba a energia elétrica. E, vem cá, comofas pra viver sem energia elétrica às portas de 2009?

Peguei o notebook, botei a bateria no modo econômico e comecei a assistir The Big Bang Theory, que estava ali me esperando. A bateria começou a acabar, eu gravei mais alguns episódios no pen drive e passei pro note da minha irmã. E nada da luz voltar. Fiquei imaginando um Natal à luz de velas, péssimo. Eu nem gosto de Natal. Eu passo pelo Natal, desde que não me incomodem tipo me deixando sem luz. E sem internet. Não é por bobagem que um amigo só me chama de Srta. Scrooge. Sou um pouco, sou mesmo.

Aliás, vendo The Big Bang Theory, fiquei meio preocupada. Super me identifiquei com o Sheldon, e eu sei que ele é o personagem mais caricato. Ainda to tipo no episódio 4, mas algo me diz que ele tem boas chances de entrar na minha galeria de favoritos. Be afraid.

Meu irmão diz que eu fico em estado vegetativo. Fico mesmo. Pernas pro alto, Coca-cola ao alcance das mãos, computador no colo. Ninguém ouse me incomodar. Não vou pra piscina, não vou visitar nenhuma tia velha. Espero não ser incomodada. Trouxe alguns seriados pra ver, alguns filmes antigos, tenho todo um iTunes pra organizar. Odeio telefonemas pra desejar Feliz Natal, odeio as cobranças de onde você vai passar o ano novo, e mais ainda o mas não vai fazer naaaadaaaa? Não. Não vou fazer nada. Não faço a mínima questão. Odeio festas, odeio essas cobranças que vêm com as festas, essa obrigação de ter coisas divertidas pra fazer, e pra contar pras pessoas. Pra mim, ficar na casa que eu cresci, batendo papos aleatórios com meu pai, falando com alguns queridos pela internet, ensaiando formas elementares de comunicação com a calopsita, comendo farofa de miúdos na xícara durante a tarde, é a mais completa expressão de felicidade. E me recarrega para o resto do próximo ano.

Alanis no Brasil =]



Eu devo confessar que já gostei mais de Alanis. Acho que todo mundo que é fã deve pensar isso. O trabalho dela pode ser dividido em fases, meio que contando a historinha de sua vida. Jagged Little Pill foi aquele sucesso retumbante, com todos os seus recordes de vendas. Era um cd mais raivoso, com batidas mais fortes, letras mais pesadas. Não tem como não gostar, o disco é redondinho. E olha que eu nem gosto dos sucessos dela, daquelas músicas que todo mundo gosta. Eu sempre caio de amores por uma ou outra que esteja espremida entre faixas que viram sucesso. Nesse disco, gosto de Not The Doctor e Wake Up. Your House, escondida depois da segunda versão de You Oughta Know, também acho de partir o coração. Linda, linda.


Depois veio Supposed Former Infatuation Junkie. Meu CD favorito dela, uns dos meus favoritos ever. As letras são mais cheias de ressentimento, negativas, desesperançadas. As músicas são compridas, minutos e mais minutos de gemidos e frases atravessadas. Pra mim, Infatuation Junkie é Alanis em sua melhor forma. The Couch é ótima, Simpathetic Character é genial, I Was Hoping, Front Row, Your Congratulations... Depois veio Under Rug Swept, já sem a mesma graça dos trabalhos anteriores. Alanis ia ficando felizinha, eu acho, e isso estragou a festa, a minha, pelo menos. As músicas são legais, mas eu não estranhei quando o cd não explodiu. Ainda assim, esse disco tem duas das minhas músicas favoritas dela. You Owe Me Nothing in Return e Surrendering.

O Alanis Unplugged, gravado nesse meio tempo, com outros arranjos para músicas já conhecidas – e queridas – eu acho muito bom. Duas das inéditas ali são queridas toda vida. Amo No Pressure Over Cappuccino. Tomei uma das frases da música como lema de vida “You Will learn to lose everything, we are temporary arrangements”. These are the Thoughts é uma delícia de cantar. Adoro Princess Familiar, bem como os novos arranjos para I Was Hoping e Joining You.

E foi mais ou menos aí, quando ela lançou So-called Chaos, que o rumo se perdeu um pouco. Ela ficou feliz, começou a namorar o Ryan Reynolds, e a fazer músicas cheias de esperanças e felicidades. Até os arranjos ficaram felizes. Ela passou a cantar mais relaxada, largou um pouco a gaita desafinada. Esse CD tem This Grudge, música linda, linda. Tem Everything, que virou música de trabalho e é bem boa, também. Gosto bastante de Eight Easy Steps e Out is Through, mas o cd não me ganhou de vez, não. Muita alegria de viver. Alanis shiny happy people não é legal.

O CD/DVD Feast on Scraps traz pouca coisa que eu gosto, de verdade. Fear of Bliss, Purgatorying e Simple Together. Escutei pouco, pouquíssimo. Sei as músicas todas, como boa fã, mas não me apeguei.

E foi aí que chegamos onde estamos. Flavors os Entanglement. Eu me lembro de que, quando soube que vinha CD novo, fiquei hiper mega ultra feliz. Pipocavam na mídia histórias sobre o término do noivado e pensei cá com meus botões. A mulher vai estar com a macaca, de novo. Criei expectativas, ainda mais quando Ryan começou a sair com a Scarlett Johanson. Fiquei imaginando algo como os dois primeiros trabalhos, cheios de raiva e ressentimento. Mas nem. Não consegui escutar, juro. Vieram coisinhas felizes, tenho o cd há meses e nem consigo terminar uma música. Óbvio que o momento dele chegará. Tipo do do Coldplay, que espera pacientemente a sua vez no meu iTunes, ou o novo do Oasis. Cada coisa a seu tempo.

Mas aí, a vinda de Alanis ao Brasil agora no comecinho de 2009 apressou as coisas. Vou ter que ouvir o cd, e naturalmente vou me arrepender um pouquinho de não ter descoberto alguma música antes, e provavelmente vou achar que podia ser melhor. Mas vou começar uma imersão em Flavors of Entanglement, pra me preparar. O show em São Paulo vai ser em 3 de fevereiro, há tempo. O show que Alanis fez no Rio em 2003 foi dos melhores da minha vida, e isso sem uma gota de álcool. Eu berrava as músicas, cheguei a irritar um maluco atrás de mim. Tenho, portanto, grandes expectativas para o show de 2009. Ela há de tocar coisinhas antigas, há de cantar coisinhas novas, e eu hei de aproveitar cada segundo.

Vou começar a pensar no meu setlist dos sonhos, enquanto não descubro o oficial.

Shows confirmados pelo site oficial:

· Manaus (AM): 21/01, no Studio 5;
· Brasília (DF): 23/01, no Ginásio Nilson Nelson;
· Fortaleza (CE): 24/01, no Siará Hall;
· Teresina (PI): 28/01, no Atlantic City Club;
· Recife (PE): 30/01, no Chevrolet Hall;
· Salvador (BA): 31/01, no Festival de Verão;
· São Paulo (SP): 03/02, na Via Funchal; =)
· Rio de Janeiro (RJ): 04/02, no HSBC Arena;
· Belo Horizonte (MG): 05/02, no Chevrolet Hall;
· Florianópolis (SC): 07/02, no Pacha;
· Porto Alegre (RS): 10/02, no Pepsi on Stage.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Dieta vegetariana FAIL

Desde que eu aterrissei em são Paulo, me vi cercada por vegetarianos. Sério, um monte deles. Muito para a minha surpresa, eles não eram hare krishnas, nem budistas, e nem dessas pessoas estranhas que falam devagar e parecem estar viajando a maior parte do tempo. São legais, se vestem com roupas coloridas, falam rápido e gostam de boa música. Apenas não comem carne. Uns comem peixe, e nada no mundo me faz entender a lógica que faz um peixe não merecer a clemência que a vaca recebe, mas, anyway. O grande lance é que quando você conhece e fica amiga de vegetarianos, você acaba fazendo programas de vegetarianos. A essa altura, já conheço vários restaurantezinhos, alguns muito excelentes, seriamente concorrentes à lista de favoritos, que só servem comidinhas animal friendly.

Então, né? Eu, carnívora inveterada, tenho me alimentado com alguma freqüência com grãos, legumes, soja e outras paradinhas integrais. Essa dieta rica me levou a uma séria crise de abstinência de carne. Saí prum restaurante argentino com outros amigos, pedi um bifão, mas não passou, ainda. Fico querendo mais carne. Daí, vindo pra cidade siderúrgica passar o fim de ano, meu pai me pergunta o que eu quero na ceia. Todo ano ele faz uma farofa de miúdos divina. Esse ano, porém, resolvi inovar. Disse que queria uma farofa de corações de galinha. Porque acho que, psicologicamente, ver tantos corações de galinha espalhados no meu prato, talvez aplaque a minha sede de sangue fome por carne.

Hoje, chegando do supermercado, vi o pacote. Quilos e mais quilos de coração de galinha, do jeito que eu pedi. Todos para essa farofa que eu inventei e ele comprou a idéia, e vai fazer amanhã. Mal me contenho de tanta alegria.

E antes que algum vegetariano venha me atacar. Eu gosto de carne. Acredito que a beleza da vida está na liberdade. Na minha modesta opinião, uma vaca de sucesso termina no meu prato, mal passada. Essa vaca cumpriu seu destino, o de me alimentar e me fazer feliz. Eu gosto de grãos e respeito quem só come isso, mas esse lance de ser vegetariana não é pra mim. E eu não sou uma pessoa pior por isso.

Gente, gente!

Preciso falar da Alanis, que confirmou shows no Brasil ano que vem. Mas fica pra amanhã, que hoje eu tô cansada.

=]

Às vezes, tudo o que eu preciso é de algumas horinhas com amigos queridos, bebendo Coca-cola, atualizando novidades e falando bobagem.

Dirigi 170 km numa chuva torrencial, só pra jantar com eles. E super valeu à pena.

2008 pode acabar, agora. =]

Madame Ç, chuva e galochas fofas

Esse ano eu comprei as galochas mais lindas do mundo. Acontece que eu ainda morava no Rio, e o Rio não tem o frio necessário para que galochas se façam necessárias. Mas eu quis, quis, quis, pesquisei, e descobri que vendiam em São Paulo. Porque São Paulo é terra de garoa, de chuva, de alagamentos and stuff. E frio. E, lá, galocha vai com tudo.

Mas eu queria uma galocha e estava no Rio. Liguei pra loja e implorei para a gerente me enviar pelo correio. Ela disse que não ia caber, mas a gente mediu a palmilha da galocha e eu comparei com a palmilha do allstar, e tudo ia dar certo. Depósito feito, muitos dinheiros a menos, chega uma caixa gigante pelo correio. Num sábado, quando eu voltava das aulas de francês. Nesse sábado, especificamente, fazia sol. Rio de Janeiro, sabe como é. No sábado anterior, no entanto, tinha caído um dilúvio, e tava tudo alagado. E quando eu parei o carro na frente do curso de francês, tinha uma poça gigante, que eu só vi quando senti a água encharcando os pés dentro do allstar. E foi naquela hora que a dúvida virou certeza e eu me dei conta que precisava demais de um par de galochas.
a minha é a quinta, da esquerda pra direita. pobrezinha, esquecida no armário.

As botas são xadrez, clarinho. Lindas. Ficaram um tiquinho grandes no meu pé, mas nada que uma boa palmilha, acompanhada de meias, não dê jeito. O problema é que não choveu mais no Rio, não daquele jeito que faz as galochas serem necessárias. Não enquanto eu estava por lá. Começaram a cobrar que eu as usasse, porque eu tinha falado tanto, mas tanto das benditas, que criei uma espécie de comoção no trabalho. Mas só chuviscava. Ou então até chovia muito, mas depois de um dia de sol, e eu não ia adivinhar quando que ia chover, né?

Daí, mudei pra São Paulo. O calor veio e as botas continuam guardadas. Custo-benefício fail total, né? E, aí, eu tiro uns dias, pego o carro e tomo o rumo do Rio, deixando as galochas por lá, dentro do armário. E chove em São Paulo. Não um tiquinho, mas chove muito, do tipo que alaga tudo, do tipo que galochas, oi?, são o máximo, super pertinentes. Mas eu não estou lá. Estou no Rio, onde também choveu, mas eu não trouxe as botas. Estou aqui, de pé molhado, a 470 quilômetros das botinhas fofas. Que super poderiam ser usadas, tanto numa cidade quanto na outra. Mas dormem, esquecidas no armário.

Tudo que eu preciso é de uma conjunção desses três fatores. Eu, a chuva e as botas, todas no mesmo lugar e ao mesmo tempo.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O dia em que eu quase cometi um assassinato no show da Madonna

Você vai ficar aqui? – eu perguntei, prum maluco careca que, em cima da hora de começar o show da Madonna, se postou exatamente no meu lugar.

Não ao meu lado, não na minha frente. Ele ficou em cima de mim. De braços cruzados. Cutuquei as costas, e perguntei, né? Porque vai que ele estava de passagem. E era tão óbvio que NINGUÉM ia ficar na minha frente. Tão óbvio. Não pra ele, por isso eu perguntei. E, quando o maluco respondeu que ia, sim ficar ali, eu evoquei os meus parcos conhecimentos de física. Dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo, é impossível e tals. Eu estava ali há mais de uma hora, comportada, esperando Madonna. O maluco aparece em cima da hora e queria ficar no meu lugar?

Ah, não. NÃO.

E empurrei com tudo. Era arquibancada, escada, pra baixo todo santo ajuda, e tals. Ele ameaçou voltar, levantei a voz. Menina doce e educada que sou, rodei a baiana. Eu sou calma, ou pelo menos estou calma. Mas guardo toda a minha agressividade para esse tipo de situação. Pro caso de um maluco querer dar uma de esperto. Barraco. Continuei praguejando, enquanto ele me olhava desmoralizado, já três níveis abaixo. Ele me olhava bravo, acho que até queria me dar umas porradas, mas eu nem ia discutir aquilo ali. Meu lugar estava a salvo. E ele sumiu. Se ele tivesse tomado o destino oposto, tivesse voltado pro meu lugar, eu juro, ele seria promovido. Da arquibancada para a pista, porque eu ia empurrar com tanta força que ele ia cair lá embaixo. Imagina. No meu lugar. Não do meu lado, e nem na minha frente. Fiz até um desenhinho pra provar.


Não é um absurdo?

Mas ele aprendeu a lição.

Eu também aprendi a minha. Aprendi que apressado come cru e quente. Que se eu tivesse ficado blasé, sem me desesperar com a possibilidade de os ingressos se esgotarem, e tal e coisa, eu teria ido hoje, lépida e fagueira, ali pro Morumbi, e teria ido ao show da Madonna, na Pista, que eu preferiria MIL VEZES, por 50 dinheiros, com ingressos obtidos de cambistas.

Além disso, reúno, agora, uma bolha em cada sola, de cada pé.

Mas valeu à pena. Ô, se valeu.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

pessoas favoritas no mundo todo

Eu tava aqui fazendo um exercício, em termos de medir os ganhos dos últimos 3 anos. Não ganhos materiais, até porque nem ia ser lá muita coisa. Tava pensando em termos de pessoas. Eu tenho isso de, de vez em quando, me dar conta de que algumas pessoas são minhas favoritas no mundo todo, naquele momento. Muitas das vezes, são pessoas que surgiram recentemente. Tipo, eu começo o ano sem fazer idéia de que fulano existe, e no fim do ano, fulano é pessoa querida por demais, favorita mesmo. Não interessa muito se a amizade vai durar pelo resto da vida, não interessa muito se dali a seis meses a gente vai estar afastado, ou brigando, ou se alfinetando, ou rindo juntos. Eu entendo bem que relações são circunstanciais, e que as pessoas são arranjos temporários.

Em 2006, meus ganhos incríveis foram os amigos do MBA, quatro pessoas que eu pesquei no meio de uma pequena multidão de gente que não me interessava. Rolaram churrascos, rolaram amigos-ocultos, festinhas, chopes, essas coisas que shiny happy people gosta de fazer pra praticar amizade. Faltei a cada um deles. Com orgulho. Eu saia, sim, mas com essas quatro pessoas, quatro amigos queridos que eu mantenho na minha vida até hoje, e que vou encontrar na semana que vem, quando eu pisar no Rio de Janeiro exclusivamente para vê-los. 2006 me trouxe o Veneceous, e isso é algo realmente incrível, porque Veneceous vai comigo, conversando no MSN, debatendo Britney e mortes de maridos da Suzana Vieira, por toda a vida. 2006 me trouxe, ainda, Frá e Bruno e Samuca. Que estão por aí, por aqui, pertinho, pertinho.

2006 foi um ano gordo de amigos pra toda a vida.

2007 me trouxe Julinha, e essa vale por um bom número de pessoas. E vai comigo, assim como Veneceous, discutindo coisinhas japonesas, Sylar, Izzie e Meredith, discutindo mercado de trabalho, me ensinando toda vez como é que faz o link abrir outra página, o bendito do target blank. Teve outras pessoas, of course. Ilminha, como não pensar nela? Mas, de resto, salvo só essas duas.

2008 me trouxe gente nova de verdade. Outra cidade, outro mundo. Gente do Rio, de Minas, de São Paulo mesmo. Já contabilizo 4 queridos por toda a vida. E alguns outros com potencial. Mais legal ainda foi 2008 me trazer meio que de volta gente perdida lá em 2003. Não de volta DE VOLTA, mas taí um começo que eu gosto de ver. Um recomeço. Quem sabe pro próximo ano.

Pra 2009, eu espero um ano gordo como foi 2006, com a importância dos que chegaram em 2007 e a novidade dos que vieram em 2008. Gente que eu nem conheço ainda. E, que daqui a um ano, possivelmente, serão favoritas no mundo todo.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

new resolution


but, mostly, learn when it's ok to come back. =]

*
daqui, de novo.

sábado, 13 de dezembro de 2008

São Paulo 1 x Madame Ç 0

Eu sou uma pessoa boa. De coração puro. E foi com a boa intenção de ajudar um amigo, que eu liguei pra ele e me ofereci para levá-lo lá naquele shopping de bacana, cidade jardim whatever, pra pegar a câmera na assistência técnica.

Peguei o carro, peguei o GPS, onde obviamente nem me dei ao trabalho de verificar o endereço. Eu tinha ido lá com outro amigo, no sábado, não iria errar o caminho. Sou ninja.

Acontece que eu não sou ninja. Peguei a entrada errada, hora de rush, todos os carros de São Paulo na rua, bem ali, na marginal. E eu dei a volta, peguei a ponte de novo, e errei o caminho de novo. Liguei o GPS. E ele não sabia achar o caminho. Um GPS. Qual é a razão de ser de um GPS?

E, de repente, nos vimos perdidos no Morumbi. Várias ladeiras e nada de eu voltar pra marginal, pra tentar, ainda, entrar na porcaria do shopping. Quando finalmente voltamos pra marginal, continuávamos seguindo no sentido oposto, rumo ao fim do mundo. Eu estava vendo a hora em que eu ia ver uma plaquinha dizendo "Você está deixando São Paulo. Volte sempre".

Falhei miseravelmente. Três horas. Three fucking hours. No trânsito. Na chuva. Eu super culpada, pedindo mil desculpas por arruinar a única folga que o pobrezinho teve na semana. O ipod mudo, sem coragem sequer de tocar uma musica feliz, que me acalmasse. Quase chorei. Quase gritei. Quase liguei pro meu pai. Quase morri. Só não quase cheguei no shopping.

Falhei miseravelmente, né? Fiz a volta, a muito custo consegui pedir ajuda e voltar para a marginal, sentido correto. E voltamos pra casa. Ele, sem câmera e sem resto de dia pra aproveitar a folga. Eu, sem a menor moral.

O mundo está em festa

Primeiro foi Suzaninha, que se livrou da comunhão de bens e é viúva, livre leve e solta pra pegar um ex-bbb qualquer que apareça.

Depois Ana Maria, que descobriu que tem poderes supremos de desaparecer com pessoas da face da terra.

Sonia Abrão garantiu a audiência da semana, quando nada de muito escandaloso parecia acontecer no mundo, e ela teria que desenterrar alguma subcelebridade do passado pra chorar miséria e pedir emprego em rede nacional.

Essa tal de namorada nutricionista, alguém duvida que vai posar nua? E virar atriz de filme pornô? E aparecer de novo na Sonia Abrão, onde chorará lágrimas sofridas em troca de uns poucos dinheiros? E na Luciana Gimenez?

Todos os blogs ganharam assunto, inclusive o meu. Te Dou Um Dado, com seu plantão, me fez gargalhar. Katylene, Casa da Narcisa, hilários. E aí, quando eu achava que nada de muito mais incrível aconteceria, o G1 surge em cena com o seguinte link:

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL919341-5606,00-MARCELO+SILVA+SE+FODEU+BONITO.html

Adoro.



*Update

Veneceous me ligou meio bêbado. Me dizendo que tudo começou porque Suzaninha fez a Branca, naquela novela Duas Caras. Branca. Pescou? Branca. E eu me lembrava de uma outra Branca, a do Manoel Carlos, lá em Por Amor.



Eu só consigo me lembrar que Branca Letícia de Barros Motta se junta à Maria Regina Cerqueira Figueira e Laura Prudente da Costa na minha galeria de vilãs favoritas de todos os tempos de novelas da Globo. E que Flora tem boas chances de fazer do trio um quarteto.



Será?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Dona Ana Maria?

Faz o porteiro larápio do porteiro do meu prédio desaparecer da face da terra?
Grata.

Aliás, vou ali, agora

fazer uma listinha de todos os meus desafetos, pra Ana Maria Braga mandar sumir da face da terra. Ô boca.


Ana Maria tem o poder.

Carta de condolências

Devo começar dizendo que, Suzana, eu não gosto de você. Também não te odeio, mas me cansa um pouco toda essa sua verborragia e alegria de viver. Não sou lá muito fã de shiny happy people. Achei chato quando você fez essa lipo, quando começou a querer parecer que tinha 20 anos. Mas isso não é da minha conta. Todos nós acompanhamos o seu drama. Amor é coisa que deixa as pessoas meio alteradas. Você se apaixonou por um imbecil. E daí? Quem nunca se apaixonou por alguém que não deveria sequer ter nascido? O maluco te traiu, Suzaninha, dois meses depois do casamento, com uma garota de programa, e você, magnânima, perdoou.

Ele levou o seu cachorro para a morte. E você chorou, e perdoou. Seu cachorro, numa última demonstração de amor, porque cães, esses sim, são fiéis, mordeu e arrancou o dedo do malandro. E você buscou o dedo no chão, botou no gelo, e mandou colar de volta. E pagou tudinho.

Ele te traiu com uma garota buuuuuurra. E foi na Sonia Abrão chorar e dizer que te amava. E apareceu com a aliança no dedo, surfando na praia. E voltou na Sônia, com a garota burra, dizendo que a amava e que iria se casar com ela. E povoar o mundo com pequenos imbecis. E eu, que mal havia me recuperado do horror associado a viver num mundo povoado por filhinhos do Dado Dollabela e da Luana Piovani, me vi novamente tremendo nas bases.

E foi nessa hora que eu me juntei à Ana Maria Braga, e me apiedei de você. Porque não há coisa mais horrível do que humilhação pública, e Marcelo estava lá dizendo que você era como uma mãe pra ele. Papelão, Suzaninha. Papelão.

E agora ele morreu. Ana Maria está feliz, eu estou feliz. Se você não estiver, eu entendo. É preciso elaborar o furacão que passou por sua vida nesse fim de ano. Pode chorar um tiquinho, mas escondida. Mostra não. O povo quer lágrimas, o povo quer sangue.

Eu, se fosse você, mandaria uma coroa de flores pra ele. Com os dizeres. “Vá para o Inferno. Beijosmeliga. Suzaninha.” Você se livrou de uma boa.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Caixinha de Natal é o c***

Hahaha. Not.

Agora tem aqui no prédio uma caixinha de natal dos funcionários. E, teoricamente, os moradores devem contribuir. Acontece que já pagamos cota de 13º durante todo o ano, justamente para que os funcionários não fiquem sem o extra de fim de ano. Acontece que eu fui roubada há dois meses, por um desses funcionários. E que ninguém fez nada a respeito, e ele continua na portaria, sorrindo amarelo e me desejando bom dia, boa tarde e boa noite. E fingindo que não me vê quando eu chego com compras e preciso que alguém segure a porta assassina do elevador. Porque ele só me ajuda quando eu deixo a bolsa e os pertences no chão. Porque aí sim fica legal de ajudar.

E tudo o que eu consigo me lembrar é do episódio de Friends que o Ross não quer doar dinheiro pra aposentadoria do zelador, porque acabou de se mudar, e daí todo mundo odeia ele. E ele vira o cara que não deu dinheiro pra caixinha. Pra sempre.

E, cá entre nós, eu já dei o meu adiantamento, né? R$ 50,00, direto pro bolso do seu Zé, porteiro maldito. Vou mandar buscarem com ele a minha parte da caixinha.

Odeio Natal. Já disse isso?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Sobre amizade e outras coisas tão simples

Há alguns anos, ainda na faculdade, eu tinha uma melhor amiga. Melhor amiga no mundo todo, pessoa querida demais. Éramos absurdamente diferentes, e no entanto, funcionávamos muito bem juntas.

Um dia, essa minha amiga resolveu que não queria mais ser minha amiga. Do nada. Não houve uma briga, uma pisada de bola de nenhuma das partes. Ela decidiu isso e se afastou. Eu percebi, e fiquei magoadíssima, um dos maiores choques da minha vida. Óbvio. As pessoas achavam que eu tinha feito algo de ruim, mas nem. Eu era uma boa amiga, preocupada, atenciosa, legal. Foram meses tentando entender o que tinha havido, meses em que fiquei pessimista e parei de acreditar nas pessoas.

O tempo passou, eu descobri que tinha mais gente legal no mundo, mas criei uma espécie de medinho, assim, de ser limada, banida da vida das pessoas. Fiquei mais fechada do que eu deveria, mais desconfiada, e achando que se eu fosse realmente eu mesma, as pessoas veriam que não era legal me ter por perto. Paranóia, né?

Ano retrasado, uns 3 anos depois do silêncio absoluto que se abateu sobre a nossa amizade, recebi um e-mail. Era essa minha amiga, tentando juntar palavras e me explicar os motivos que fizeram com que ela se afastasse. Ou a falta de motivos. As respostas me vieram quando eu já não as buscava, era uma espécie de catarse, eu podia finalmente elaborar toda a situação. Eu respondi e desejamos, as duas, felicidades uma para a outra. E a vida seguiu.

Eu nunca deixei de procurar saber dela. Fosse no Orkut, fosse com os nossos amigos, eu sempre buscava pecinhas. Porque eu acho que ser amigo é um pouco isso. É querer saber, meio que zelar, ainda que à distância. E eu tive outros amigos, outros melhores amigos depois disso, eles vieram e se foram, alguns permaneceram, e permanecem, mas o lugar dela continuou sendo dela. Não houve substituição. Ainda existem assuntos sobre os quais eu conversaria com ela e somente com ela. Filmes, músicas, vestidinhos, amores. Essas coisas de amizade.

Hoje, vendo um link de um blog especializado em armazenamento de livros, lembrei dela, leitora voraz, apaixonada por livros e livrarias. Achei seu e-mail perdido entre os outros e parei pra pensar. Eu deveria mandar o link, estabelecer uma conversa tão simples e, ao mesmo tempo, tão complicada e doída? Eu mandei o link. E ela respondeu, agradecendo, perguntando como eu estava, esperando que eu estivesse feliz.

Eu não acho que a gente vá se aproximar de novo, nunca mais. Não como antes. Mas, ao mesmo tempo, ver que esses laços, ainda que tênues, frágeis, sobreviveram a todas as crises e tormentas, me faz acreditar que o silêncio pode, sim, ser sobreposto com palavras. E eu gosto de pensar que, num universo paralelo, nós sempre fomos amigas. E vamos continuar sendo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

amor e algumas outras catástrofes

E ele contava sofrido as suas últimas tragédias amorosas. Contava como o encontro havia sido tão especial que ele não achava que encontraria alguém assim, nunca, nunca, em sua vida. Alguém tão perfeita, tão do jeito que ele queria que alguém fosse. Os olhos meio mareados, falando sobre os desencontros das últimas semanas, sobre o passado dela ter voltado à tona e confundido tudo. E bagunçado algo que era tão simples. E tão bonito, e único. E ela pediu um tempo, e ele, como um bom rapaz, espera. E espera. E sofre. E espera mais um pouquinho.

Não tem coisa mais triste, pra mim, que ver gente sofrida de amor.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Rufus

A semana começou mal, com todas aquelas tragédias já exaustivamente abordadas. Então, eu precisava consertar, pra chegar no domingo, assim, felizinha.

Não, eu não fui pra gandaia, não me joguei na balada.

Eu fui passear com alguns amigos queridos, desses do Rio que moram aqui em São Paulo, pertinho pertinho. Fomos almoçar comidas gostosas e eu até escolhi suco de tangerina no lugar da Coca-cola. Depois fomos passear na feirinha de cacarecos da Benedito Calixto, onde encontrei também os amigos novos e fiz um episódio especial desses que juntam elenco da velha e da nova temporada.

Mas eu ainda não estava feliz, sabe? Então precisei apelar.


Meet Rufus =)

Rufus tem 120gb de memória e cabe tudo que eu tenho de música. Rufus está recheado com Killers, Travis, Shout Out Louds e Alanis. E Madonna, e Britney, porque dançar é preciso. Como vocês podem notar, Rufus também tem Sylar, ali na tela, dizendo hi, i'll kill you. E pensando nas formas mais malignas de roubar os poderes da pessoas. Rufus fica de irmão mais velho pra Jacob, o irmãozinho caçula que chegou antes mas que só cabia 1gb e não tinha tela. Mas que, em compensação, grudava nas coisas como um clipe, assim, todo lilás.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

computador - a saga continua

Então, com a saga do meu computador brilho eterno de uma mente sem lembranças, eu preciso reinstalar tudo. E venho fazendo, né? Porque não há opção. Toda vez que isso acontece eu me pergunto por que diabos eu não fiz um cdzinho, desses bem básicos, com os arquivinhos instaláveis dos programinhas que eu uso, e que eu gosto. Porque eu gosto, sabe, de universos controláveis. Eu controlo o universo do meu computador, quais programinhas eu uso porque eu gosto, porque os atalhos já estão gravados no meu inconsciente e eu nem penso pra mexer. Então, pra assistir os meus torrents de Heroes e companhia, eu usava o bsplayer. Mas não o atual, mega colorido e cheio de coisas desimportantes, um lançado lá em 2004. E toda vez eu tenho que buscar a versão certa, pra instalar o bsplayer azulzinho e pequeno, simples.

E dessa vez NÃO FUNCIONOU. Instalei, desinstalei, reiniciei, e nada da imagem aparecer. E eu escutava o Previously on Heroes, mas nada vinha de imagem. E eu escutava o Gossip Girl here, your one and only source... e nada de aparecer a fotinha da Serena ilustrando a fofoca dos Upper East Siders. No image for you. E eu banquei a nerd, e fui parar em fóruns, e resolvi, mas no segundo seguinte o problema voltava, e travava, e me obrigava a uma nova desinstalação, posterior reinstalação e reinicialização do sistema. Ok, já passamos por aquela routine do Mac não tem disso. Eu uso Windows, sou old school. E precisei dizer adeus, e me despedir do programa que usei nos últimos 5 anos. Sou reacionária, odeio mudanças, odeio depedidas.

E coloquei um outro, chamado kmplayer. Que vem cheio de elogios e atalhos, supostamente lê a legenda tão bem ou melhor que o bsplayer falecido. Mas vem toda a questão do se acostumar, né? Aguardemos cenas do próximo capítulo.

E aí eu usava o twirl pra postar no twitter. E o twirl é um aplicadivo que funciona na plataforma do adobe air. Conhecem o adobe air? Nem eu. Só instalei por causa do twirl. E dá-lhe reinstalação de toda a parafernália, once again. E o adobe air NÃO FUNCIONA. O que impede a correta instalação do twirl, que NÃO FUNCIONA. As well. Fora a toolbar do google que travou e precisou ser reinstalada. Pela primeira vez na vida. E eu precisei buscar um por um os meus botões dos meus atalhos, e quando e puxei o do twitter, ele veio sem logo. Que fica feio. =/

A semaninha dos infernos ainda não acabou. Se eu não tenho controle do meu próprio computador, meodeos, o que será que eu controlo, então?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Da série: juro que vi

Hoje de manhã, Olga Bongiovanni, naquele programa qualquer nota da Rede TV: Logo após os comerciais, o Jeff vai contar tudo sobre o encontro da Madonna com a primeira dama da Argentina, ops, corrigindo, a PRESIDENTE da ARGENTINA, Ingrid Betancourt.


Morri.
Então é assim. Fui instalar uma atualizaçãozinha de nada no computador e corrompi algum DLL whatever do Windows. Tinha mexido no HD externo na véspera e não tinha feito backup. Que beleza. Lá fui eu pra assistência técnica, praticar amizade com um funcionário simpaticíssimo chamado Francisco, que consertou o computador e fez backup dos documentos, músicas, fotos e e-mails por alguns muitos dinheiros. Eu mereço. Cheguei em casa e fiz a proeza de desinstalar o Office recém-instalado. Volta pra loja, mais uma hora e meia de Francisco solícito consertando os meus estragos. E eu com cara de ops, foi malz aê.

Agora estou aqui. Dois dias e meio sem computador, uma viciada que acaba de receber de volta a droga após longa abstinência. Nos e-mails, uma mensagem formal e simpatiquinha de um Rh, dizendo que eu não passei para a vaga mais legal do mundo. No computador, o vazio. Trezentos milhões de programas pra reinstalar, um antivírus a ser atualizado, torrents e mais torrents de tudo o que perdi durante a semana. Novos contatos pra fazer, novas vagas perfeitas pra procurar, e mais algumas não tão perfeitas assim. Eu sabia que ia ser assim quando disse adiós no trabalho antigo e larguei tudo pra me mudar pra cidade grande.

A verdade é que a RH foi fofa, dizendo que eu fui muito bem, e cheguei muito perto de conseguir. Mas tinha alguém mais experiente, whatever. Odeio pessoas experientes que chegam e levam a minha vaga. Onde está o valor das pessoas menos experientes, pessoas cheias de idéias mirabolantes, como eu?

Então, aparentemente, estas são as conclusões da semana, so far. Eu não sou experiente o suficiente, sou muito boa, mas tinha alguém um tiquinho melhor. Uso o computador errado, um PC. Um crime, sabe como é. Bem que mereci essas tragédias todas. Se eu usasse Mac, veja bem, não estaria às voltas com problemas de instalação de Windows. Mas eu gosto de PC. Sou old school. E to aqui, baixando e instalando, e reiniciando vez por outra, e começando tudo de novo para o meu querido computador voltar a parecer meu.

Fora isso, tem o reader, acusando um 1000+ na parte de coisinhas a serem lidas. Muita informação a ser absorvida, muitos posts em blogs queridos, muitas fotos fofas em sites de fotos fofas. Preciso me alimentar com fofuras pra tomar fôlego depois desses últimos 3 dias.

domingo, 30 de novembro de 2008

How to be good. Or kind. Or likeable.

E foi mais ou menos assim que o assunto começou. Leo apareceu no MSN reclamando que lá no trabalho dele rolava um papo de que ele botava medo nas pessoas. Ele, naturalmente, ficou paranóico. Eu ficaria. Eu já estive nessa situação e fiquei. Paranóica.

Então eu comecei a apelar para o óbvio. Seja fofo. Leo não é fofo, não mesmo. Nada, nada. Eu não sou fofa. Nada, nada.

O problema é que alguns de nós somos incompreendidos. É muito mais fácil uma pessoa não ir com a minha cara à primeira vista do que gostar de mim, assim, do nada. Pergunta pra Julinha. Pergunta lá pra outra garota. Pergunta pra Julinha.

Julinha é fofa. Julinha usa coisas cor de rosa, fala coisas no diminutivo. Julinha tem pena dos animaizinhos e usa produtos que não agridem o meio-ambiente. Eu sou super preocupada com o meio ambiente, mas uso maquiagem da natura. E dizem que natura testa os cremes em gatinhos. E eu continuo usando. Eu falo alto, e rápido, e a minha voz sai firme e sem doçura nenhuma. As gentes todas se assustam. Eu sou irônica, e sarcástica, e levemente ácida, e politicamente incorreta. Eu tenho mais de 1,70, o que já é por si só um fator ameaçador. Mas eu sou um doce, sabe? Sou querida, boa amiga, gente boa. Fui fazer terapia pra descobrir essas coisas. Antes, eu achava de mim o que acham as pessoas que mal me conhecem. Antes, eu achava que eu botava medo.

Então, lá no trabalho antigo, eu também não era, assim, uma miss simpatia. Mas eu tratava a todos com educação. Por favor, obrigada, bom dia, boa tarde e boa noite. Not enough. As pessoas continuavam não indo com a minha cara, tirando os que conviviam mais, as equipes com as quais eu trabalhava diretamente. Daí eu lancei um modo de comportamento que eu denominei Sugar High. E que consiste basicamente em sorrir até doerem as bochechas, perguntar da família, elogiar o outfit ou o novo corte de cabelo. Porque é disso que o povo gosta, de atenção.

Mas nem sempre, né? Porque cansa. Nos outros dias eu era só educada mesmo.

Não sei dizer se surtiu efeito, propriamente, porque eu acabei meio sem paciência com aquelas pessoas lá, e pulei fora antes de testar a eficácia do meu método. Deletei no mesmo dia uma boa parte deles do meu MSN, e quem permaneceu, permaneceu porque EU gosto, e passou da categoria co-worker para a categoria amigo. Quase a metade. Uma boa média.

Leo, que não é fofo, assim como eu, tem que se esforçar. Sorria, elogie, seja feliz. Seja a pessoa mais legal do mundo, shiny happy people, laughing e holding hands. O povo costuma comprar.

Muito tchubaruba por nada

Sobre Mallu Magalhães e Marcelo Camello. Acho chato, muito chato. Acho o Marcello chato, assim como tudo o que Los Hermanos fizeram, até hoje. Sorry, my opinion. Acho algumas musiquinhas da Mallu fofinhas, até botei no ipod, aquela Tchubaruba por exemplo. Aquela outra, J1, que tocava no comercial da Vivo. Mas acho a Mallu beeeem chata. Não porque ela é cantora, mas por causa daquela verborragia toda aos 16 anos. Eu devia ser bem assim. Eu devia ser chata.

Com relação ao namoro, nada a dizer. Acho válido. Não julgo. Vai que é amor, mesmo, sabe-se lá. Que sejam felizes, whatever.

Se ela conseguir fazer com que ele tire aquela barba de mindingo, já considero uma história de sucesso.

sábado, 29 de novembro de 2008

Então eu estava vendo o novo episódio de Heroes

E Heroes, sabe como é. Contém spoilers, e tal.
Quando, há alguns vários episódios atrás, Heroes fez uma visitinha ao futuro, eu tirei cá as minhas conclusões. Não é pra isso que servem esses episódios? Não é basicamente em flashbacks e, mais recentemente, em flashforwards que Lost, por exemplo, se sustenta? Pois bem. Heroes não haveria de ser diferente. Então, quando eu leio isso, não posso deixar de discordar. Como assim evitar viagens no tempo, senhor criador? Pois eu digo que aquele episódio centrado no futuro, ainda na primeira temporada, foi uma das coisas mais legais que eu vi. Ir deduzindo quais personagens estariam mortos através dos poderes novos do Sylar foi genial.

Ok. Me perdi no raciocínio. Mal do DDA. Voltando. Eu ia dizendo que tirei cá as minhas conclusões com o episódio do futuro dessa temporada atual de Heroes, quando o Peter vai ao futuro buscar o poder do Sylar. E Sylar agora é Gabriel, um bom pai de família, cuidadoso e com um filho fofinho. (Hormônios mode on, ai, ai.) Então, no episódio tinha Sylar papai, filho e não tinha mãe. Entrei numa discussão com Julinha, que insistia em dizer que não dava pra saber quem seria a mãe da criança. E pra mim era sim, bem óbvio. Elle, a garota em curto-circuito. Agora, após o episódio dessa semana, que a historinha de amor entre Sylar e Elle começa a se delinear, Julinha concorda. E diz que eu estava certa. Mas era tão óbvio. Ele, um garoto perdido, (mal) criado por uma mãe adotiva que dizia que ele não era bom o bastante, que não era especial. Ela, filha de um maluco que dizia que ela não era especial. E que não era boa o bastante. Façam a soma, 2 + 2, muito simples.

E então a Elle fica fazendo maldades e dando choque em pessoas, e jogando flashzinhos azuis em seres inocentes, pra impressionar o pai. E o pobre do Gabriel vira o Sylar, e sai cortando tampinhas de cabeça pra roubar os poderes alheios, quase que como um retardado repetindo “I wanna be special”. E as temporadas vão, e vem, e um belo dia surge a Angela Petrelli pra dizer pra ele que ele era especial. E, oh, Sylar fica bom, e a chama de mamãe, e cumpre ordens, e quer se tornar um ser humano melhor. Nisso, Elle também perde o controle dos seus raiozinhos azuis e entra em curto circuito. Adorei quando ela é detida com um balde de água, hehe. Anyway. Elle fica boa, Sylar fica bom, aprende que não precisa matar pra pegar poderes e eles fazem todo um balé enquanto ele aprende a usar o brinquedinho novo, os raios azuis. So lovely.

Então, eu não posso tolerar um so-called criador de série me pedindo desculpas pelas “trapalhadas”. E não me diga que criar viagens no tempo é que é o problema. O problema é achar roteiristas minimamente organizados, que entendam bem sobre continuum espaço-tempo, pra continuar a história. E eu não estou dizendo que EU entenda dessas coisas, mas seria legal alguém entender e explicar, assim, bem desenhadinho. Porque eu super me interesso.

Eu quero saber que fim a Elle levou, já que EU sei que no futuro ela não estava na casa do papai Sylar com o filhinho whatever. Eu quero saber mais sobre essa história do sangue da Claire ter poder (hehe) e curar as pessoas. Eu quero saber como foi que o Sylar foi enjeitado pelos Petrelli, e adotado pela bruxa má que destruiu a auto-estima dele. Eu quero saber mais sobre o poder do Matt, e sobre o Linderman. Cara, como assim o Linderman não é regular em Heroes? Ele era o Alex, de Laranja Mecânica, for christ’s sake. Não dá pra não querer saber mais, e muitas das vezes, basta um episodiozinho no futuro pra dar as respostas, ou induzir as conclusões.

Cadê a chata da Molly? Hiro ficou mais pateta ainda, e eu achando que isso não seria possível. A boca do Peter fica a cada dia mais torta. O Sylar perdeu de vez as frases engraçadinhas? A única legal do episódio dessa semana foi o “I hate heroes”, e foi tão rápida. Cadê o Micah? Eu nunca superei a morte da Eden, lá no inicinho da primeira temporada. Eu NUNCA vi o Sylar usar o poder que roubou dela, e sabemos que ele não desperdiçaria poder. Cadê ele convencendo as pessoas de qualquer coisa no carisma? A própria Claire ficou chata, com aquele cabelo falso e os olhinhos apertados.

Nem mesmo apreensiva com o tal eclipse eu fiquei. Eu já vi o futuro, hello, sei que eles têm poderes no futuro. E eu não quero ver uma série chamada Heroes sobre pessoas que tinham poderes e perderam. Isso é trapalhada. Na minha humilde opinião.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

i have a crush.

Quando eu tinha uns 13 anos, adorava o Johnny Depp. Na época ele namorava a Wynona Rider, e fazia Anjos da Lei, que eu via na Globo, no horário que hoje pertence à Malhação. Johnny Depp era lindo. Ele continua lindo, okay. Eu continuo sendo a pessoa que mais acha que aquela tal de Vanessa Paradis tirou a sorte grande, mesmo com aqueles cabelos desgrenhados e os dentes separados. Diastema, o nome disso. Não sei se configura defeito, ter os dentes assim separadinhos na frente. Tem gente que fica legal. Anna Paquin tem. E é linda. Mas os tais dentes separados não funcionam na Vanessa Paradis. Minha opinião, cheia de recalque, anyway.

Depois do Johnny Depp surgiram milhares de outros atores bonitos. Mas nenhum deles me causou, assim, nenhum efeito. Até meados do ano passado, quando eu vi esse moleque:

Ed Westwick, senhores e senhoras.

Sim. Ele é o Chuck Bass de Gossip Girl, seriado que eu vejo, adoro e assumo sem um pingo de vergonha na cara. Adoro o ar blasé, as roupas excessivamente afetadas, a scarf quadriculada. Adoro o ar levemente atormentado do personagem, um garoto riquinho que sofre com o desprezo do pai. Alô? Clichê. Adoro o rosto dele com as feições perfeitas, a boca pequena e os olhos rasgados. A pele clara com o cabelo escuro, tapando as leves entradas na testa. A orelha pequena e levemente pontiaguda. Um moleque. Uma criança, 21 anos. Mais novo que o meu irmão mais novo. E TÃO absurdamente bonito.


OMFG!

Ah. E ele é inglês, apesar de não ter sotaque em Gossip Girl. Mas o sotaque existe, deve existir, o que é um algo a mais. Como se ele precisasse de algo a mais.

Oi. Eu sou a Madame Ç. Uma adolescente.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Daí eu fico lendo nos blogs das pessoas que moram fora do Brasil, tipo no Canadá, que hoje foi a primeira neve do ano. Tá todo mundo tão feliz, preparado pra entrar no clima de natal, com lareiras acesas e meias coloridas.
Aqui em São Paulo fez sol, alguém se interessa? Antes de ontem choveu, e ontem choveu. E sábado choveu também, chuva torrencial, daquelas que alagam tudo em questão de minutos. Adoro chuva, adoro mesmo.

A minha primeira neve do ano talvez chegue essa semana. Pode ser que também não venha, sabe-se lá o que passa na cabeça das pessoas. Tô aqui, na espera.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Fred e Estevão

Quando eu era bem pequena, fui estudar numa escolinha que ia tipo até o pré primário. Tinha maternal 1, 2, 3, jardim e pré. Meu avô me levava de carro e depois me buscava. Tinha um pé de amora junto ao muro, e sempre que eu saía da aula, meu avô tinha um punhado de frutas colhidas nas mãos, esperando por mim. Nesse colégio, eu fiz os meus primeiros melhores amigos: Fred e Estevão. Dois moleques, do tipo mais bagunceiro que existe. Não me lembro de me entrosar com as meninas, se você for me perguntar o nome de uma, uminha que seja, não sei. Lembro de Fred e de Estevão.

Por ser menina, eles provavelmente jogavam toda a culpa em mim. Eu me lembro que na escolinha tinha a hora do lanche, quando as crianças se sentavam em mesas pequenas e comiam com pratos e talheres pequenos. Eu nunca gostava da comida, e sempre queria fugir da mesa. Um dia olhei para o lado e vi os meninos, em pé, longe das mesas, brincando no meio de um círculo feito por cadeiras pequenas. Me levantei da mesa e fui brincar com eles. Lembro-me que rodamos, dançamos, giramos, demos chutes no ar. Eu imitava tudo o que eles faziam. Chutei uma cadeira e ela tombou, assim, para trás. Um estrondo horrível, a cadeira caindo. Nós rimos, os três, e continuamos. A professora veio até nós, segurou o meu braço com força e antes que eu pudesse me dar conta, estava na sala da Diretora. Dona Amália. Ela era gordinha e tinha os cabelos cacheados, bem anos 80. Bem, era anos 80, afinal. Essa foi a minha primeira de muitas visitas á sala da diretora, por me envolver em companhias suspeitas na escola.

Eu chorava de soluçar. Perdia o fôlego, dizia que não tinha feito nada, mas eu tinha. Eu estava apavorada, como se pudesse ser presa, levada a um paredão de fuzilamento. Como se fosse ficar trancada num cubículo escuro sem ver meus pais nunca mais. O que poderia acontecer comigo, além do esporro? Depois desse dia, até hoje, uns 25 anos depois, eu ainda comparo os meus choros com o daquele dia. Se não forem fortes ou cheios de soluços, é porque não foi nada de mais. Aquele dia o meu mundo parecia que acabava. E era só a sala da diretoria, por causa de uma mini cadeira amarela chutada.

Eu tinha muitos pesadelos quando era pequena. Pesadelos horríveis, sonhos cheios de aflição, daqueles que a gente acorda sofrida. TODOS os meus pesadelos incluíam Fred e Estevão. Eu sonhava que eles me obrigavam a dirigir, e eu não sabia quais botões (?) apertar. E não tinha controle algum sobre o carro andando pelo bairro, nem parar eu sabia. E Fred e Estevão estavam ao meu lado, me mandando continuar. Eu sonhei, certa vez, que estava num barco grande, com meus pais. E a esse barco grande era acorrentado um pequeno. E Fred e Estevão me convenciam a pular de um barco pro outro. E eu pulava, e ficava no barco menor. E um deles soltava as correntes, e os barcos iam se afastando um do outro. E eu ficava mesmo muito desesperada com a idéia de me perder pra sempre da minha mãe. Pesadelo de criança. Fred e Estevão riam, gargalhavam, os sádicos. Teve um outro pesadelo, que eles me jogavam numa casa cheia de múmias, que saíam de caixões e andavam com os dois braços erguidos para a frente, tipo sonâmbulos. Eu tinha uns 4 anos, o que faz o maior sentido.

Hoje, eu não tenho a menor idéia de por onde andam Fred e Estevão. Imagino que estejam por aí, e gosto de pensar que eles ainda são amigos, e que saem para beber juntos e falar sobre garotas. Nem mesmo uma foto com eles eu tenho. Meus dois melhores amigos do maternal.

sábado, 22 de novembro de 2008

Eu tenho a mania de separar as pessoas em grupos. Pessoas que gostam de café e pessoas que não gostam. Pessoas que comem carne e pessoas que não comem. Então, tem dois tipos de pessoas, pra tudo. Os dois tipos subdividem-se em outros, que subdividem-se em outros, mas tudo começa lá, nos dois tipos iniciantes.

Tem dois tipos, então. As que gostam de reality shows e as que desprezam. As que desprezam se subdividem em dois grupos outros. As que simplesmente não se interessam e as que se importam o tanto necessário pra querer que eles sejam instintos, junto com seus criadores, participantes e fiéis espectadores. Como eu. As que gostam de realities, por sua vez, também se dividem em grupos. Pessoas que assistem, porque vêem qualquer coisa na televisão. Pessoas que assistem com alguma regularidade e até elegem um preferido entre os participantes. Pessoas que surtam, e gastam seu almoço de trabalho discorrendo sobre votos e formação de panelinhas. Como eu.

Não tem coisa que eu goste mais na televisão, sério. Não posso nem pensar na hipótese de confinamento de pessoas em condições especiais de temperatura e pressão que fico louca, quero ver, saber qual é. Adoro essa dinâmica. Já vi American Idol, Top Chef, Project Runway. Estou baixando a atual temporada de America’s Next Top Model. Porque, né? Tem que ver. Tudo. O pior é que eu sempre perco. Quase sempre. Eu tenho uma galeria de participantes queridos, e minha preferência muda de acordo com a natureza do reality. Em ANTM, eu sempre torço para a bitch da vez. A que for mais twisted, que desdenhar das outras garotas, desenvolver uma tendência a exagerar no vinho ou na auto-adoração. Nunca vou esquecer a Jade, que demolia a auto-estima das concorrentes e se dizia a grande modelo undiscovered. Ela tinha um cabelo meio ruim, o nariz meio largo e tinha, sei lá, 26 anos. Velha pra ser modelo. Mas tinha também uma confiança absurda, e se achava realmente superior. Eu achava divertido. Quando a casa inteira se virou contra ela, ela gritou: “This is fucking America’s Next Top Model. This is not America’s Next Top Best Friend!” Um dos melhores momentos ever.

Adoro Tyra Banks falando fierce, ou toda aquela rotina do “Two beautiful girls stand before me. The girl that i do not call must immedially return to the house, pack her belongings and go home”, adoro Chef Ramsay dizendo fucking a cada duas palavras e fazendo os concorrentes chorarem como criancinhas depois de um esporro. Adoro o “Move that Bus” gritado pelo Ty em Extreme Makeover Home Edition. A parte das lágrimas e das histórias tristes me cansa um pouco, confesso. Adoro What Not to Wear, adorei Casa dos Artistas, aquela que tinha o Supla chamando o Alexandre Frota de Frotinha. Adoro o Simon Cowell destruindo o resto de segurança de cantores wannabe. Tim Gunn dizendo “Make it work” a cada vez que vê um outfit bizarramente construído. Adorava a Kara Saun chamando carinhosamente o Jay, vencedor de Project Runway, de Jay Bird. Naquela edição eu torcia para o Austin Scarlett, porque ele era adorável, e usava brilho labial cor de rosa. E porque fazia roupas com as quais eu adoraria vestir a minha Barbie há quase 20 anos atrás. Gosh, estou ficando velha. Parei.

Não vejo a hora de começar o Big Brother. Sério.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Então na sexta tinha uma festa. E era aqui na rua.

Aqui em São Paulo, aparentemente, eu moro numa rua que tem muitas festas. Não foi a primeira desde que eu cheguei, e certamente não foi a última. E então todo mundo combinou de vir aqui pra casa. E veio. E são pessoas que já vieram aqui, amigos, desses novos que eu tenho feito, todos muito queridos, todos. E tinha cerveja, e música, depois não tinha mais música, e tinha conversa, e tour pelo apartamento, que é pequeno, e uma volta de 360º em torno do próprio eixo já resolve.

E chegaram pessoas que eu não conhecia, mas que iam pra baladinha, que é assim que se chama festinha em São Paulo. E, algum tempo depois, umas duas horas, sei lá, a gente resolveu, então partir, ali pro outro lado da rua, pra essa festa. E contando as cabeças na porta nos demos conta de que alguém tinha ficado pra trás, dentro de casa. E não deu outra. Resolvemos trancar o maluco, às gargalhadas, e fingir que tínhamos ido. Uma gritaria no corredor. Acontece que eu e a roomie temos uma vizinha. E a porta dela é MUITO perto da nossa. E nós esquecemos que a vizinha, assim, existia at all. E dá-lhe gritaria no corredor, e gargalhadas. Eu costumo ser super preocupada em não incomodar, vigio até o volume da TV. Nem me ocorreu que a gente tivesse vizinha, àquela altura do campeonato. Já chegando no elevador, a vizinha aparece na porta, muito puta mesmo, com toda razão. Pijamas, cabelo solto e desgrenhado. Era 1h da manhã. E eu nem tinha me dado conta, podia ser, sei lá, 22h, 23h. Na minha cabeça.

A vizinha deu um mega esporro, gritando mais alto do que todos nós, disse que aquilo era absurdo – porque era – e que era falta de respeito, e que ela acordava cedo. Nem me ocorreu, ali, de pedir desculpas na hora. Descemos para a festa, com a idéia de tentar recompensá-la pelo incômodo. Mas depois, né? Quando eu finalmente voltei da festa, algumas horas depois da roomie, vi a caixinha fofa no tapete da vizinha. Me abaixei, peguei o bilhete e li o pedido bêbado de desculpas, que era meu, também. Pensei comigo, que ótemo que ela tenha pensado nisso, já que a vodka não me deixaria ir ali, até o supermercado, pensar em agradar a vizinha. Mas roomie pensou. E tinha um resto de sobriedade pra colocar as coisas no lugar.

Dia seguinte, batidas na porta. Não temos campainha, até iríamos colocar uma, mas depois achamos mais legal não ter, e forçar batidas na porta. Era a vizinha. Cara doce, cabelos penteados, voz trêmula. Pedindo DESCULPAS. Por ter brigado com a gente. Eu disse que ela tinha toda a razão, e que a gente não tinha se dado conta do barulho, mesmo, etc. Mas era ela pedindo desculpas. Desculpas por ter se incomodado com o nosso barulho, praticamente. Chocolates operam milagres nessa vida.

Note to self. Próxima festa, fazer menos barulho. Ou então, convidar a vizinha, ou então comprar chocolates, e deixar na porta, antes mesmo de fazer barulho.

Algo de podre no reino da Dinamarca


smile like you mean it.

Então, eu trabalhei nos últimos dois anos numa empresa. Não vou entrar no mérito se era ou não uma empresa legal, no sentido do objetivo do negócio. Era uma empresa normal, num mercado que tinha tudo pra ser legal, e acabava não sendo. Talvez por culpa do mercado, talvez por culpa da empresa. Eu acho que por culpa da empresa. A gente fica vendo essas empresas de internet que são super legais de trabalhar. Google, Facebook, Yahoo. Os maiores executivos, não raras vezes os fundadores são caras super novos, geniozinhos, geeks. Eu adoro geeks. Super me identifico. E a empresa que eu trabalhava foi criada por caras novos, três deles. Um sério e mal-humorado, um geek magrelo e gente boa e um louco e engraçado, mas meio freak. Esse era o meu chefe direto. Trabalhar com eles era divertido, não tinha rotina nenhuma. Mas a empresa foi tomando uma forma estranha, e ficando muito ruim de se trabalhar. Porque eles queriam forçar uma unidade que não existia. E veio a festa de fim de ano. E na primeira delas eu fui, de pé quebrado. Joguei pingue-pongue com o sócio nerd a tarde toda, e o amigo-oculto nem foi assim tão traumático. E o ano transcorreu, e a empresa foi tomando umas atitudes escrotas com os funcionários. Tipo obrigar a compensar faltas futuras, criar rotinas de trabalho que incluíam uma hora a mais de expediente sem consultar as pessoas sobre compromissos pessoais pré-agendados, etc. Eu fiquei puta, né? Porque eu acho que tudo deve ser conversado, e combinado. Não gosto de me sentir vítima de decisões arbitrárias. E veio o segundo fim de ano, e eles criaram todo um alvoroço em torno da tal confraternização, once again. E eu vinha num processo de achar aquilo tudo uma grande hipocrisia, e disse que não ia. Ao meu grito se juntaram outros, e a festa até rolou, mas não foi quase ninguém. E o ano novo veio, e eu já não estava feliz, e pedi demissão. E vim pra Sumpolo, aquela história que meio que existe aqui nesse blog. Saí de lá em agosto, mas meus amigos queridos continuam, e eu falo com eles com freqüência. Então, né, eu sei o que anda rolando naquele universo ao qual eu já não pertenço mais.

Primeiro chegou um novo diretor, e botou os 3 ex-sócios, atuais diretores, como consultores. Parece legal, uma golfada de ar puro e fresco. Daí ele disse que queria que a empresa fosse feliz, o que deixou meus amigos felizes, e levemente esperançosos. Eu não, porque eu sou cínica. Quando eu pedi demissão, eu já estava saturada de um jeito que nem dava mais. Podiam pintar a empresa de ouro, subir a temperatura em 10 graus e ainda assim eu ia achar ruim. E ia morrer aos poucos. Podiam me dar a cadeira super foda do meu chefe, e com dor no coração, porque a cadeira era realmente incrível, eu ainda diria no, thanks. Esse diretor novo disse que já que ali era empresa de internet, ia colocar um wii pra galera se divertir. E eu achei legal a iniciativa, mas não adianta ter wii e não poder brincar porque a chefe olha de cara feia, né? Tudo que ia aparecendo de legal, eu ia percebendo que ia deixar a empresa um pouco mais igual ao que ela já era. Porque o problema, ali, é a cultura da empresa, e isso não muda fácil. Tem que trocar equipe, trocar quem ta lá há muito tempo, as múmias, trocar métodos.

E aí veio a festa de fim de ano desse ano. Eu já não estou lá há três meses, e faz onze meses da festa do ano passado, mas aparentemente a ausência em massa do ano passado calou fundo no coração das múmias de plantão. E a festa desse ano é obrigatória. O que não tem nada de “legal”, como a nova direção se propõe a ser, mas que faz algum sentido. E eu sou, acima de tudo e de todos, pro-choice. E acho que as pessoas deviam poder escolher ir, mas dessa eu escapei, né? E que se a empresa fosse assim tão legal, ela NUNCA precisaria obrigar os funcionários a irem na confraternização. Porque sol, churrasco, piscina e prática de amizade ao ar livre deveriam falar por si só. E, se não falam, amigos, é porque ainda há algo de podre no reino da Dinamarca. E agora eu recebo, encaminhado, o email da confraternização. Dizendo que vai ser uma festa explosiva (sic). E que TODOS DEVEM ir, e que devem levar roupas sobressalentes, pra participar das brincadeiras, que são obrigatórias, assim como a festa. Rumores dão conta de que os serviços de um futebol de sabão foram contratados. No meu planeta, isso se chama coação. E assédio moral. E constrangimento.

Duvido que o Google faça uma atrocidade dessas.

resolution (?)



Menos quando for numa entrevista de emprego, ?

* Achei aqui, que pegou daqui, que pegou daqui.

Frutas e livros

Já faz um tempo, mas a minha mãe disse que eu não tenho o hábito de ler. Não mais. Logo eu, que fui criança habituée da biblioteca da escola, que li tudo o que passou pela minhas mãos durante anos a fio. Eu também tinha o hábito de comer frutas, mas de alguma forma, perdi. Deve ser porque eu cresci, porque eu aprendi a fazer compras e que era mais fácil ir logo ali mais adiante comprar comida processada e coisinhas ricas em açúcar. Pois eu lia muito, o tempo todo. Quando a conclusão materna me tomou por assalto, obviamente que eu ri, né? COMO EU NÃO LEIO? Eu leio sim, muito, o tempo todo. No computador, na internet, todos os blogs do mundo. Quando a revista época faz lá a sua listinha de blogs que merecem ser lidos, eu já conheço quase tudo. Já li, já analisei, tenho até opinião formada, veja só. Isso não é ler? Então eu vinha praguejando o seqüestro do meu querido exemplar de “About a Boy”. Porque queria reler. E chegou uma hora que cansei de pedir, de jogar indiretas, de tomar livros como prisioneiros e tentar, assim, uma troca de reféns. E eu fui ali na Fnac e comprei outro. E disse para a garota que ela podia ficar com o meu, assim, presente. Mas que lesse, que aquilo encostado na estante era pecado por demais.

E o meu novo exemplar descansa, agora, na minha estante. Não reli, ainda. Nesse meio tempo, conversa de bar (sim, agora eu mantenho conversas de bar), um amigo me disse que eu precisava ler outro livro. Tirou uma cópia, dessas compradas em sebos, da mochila, e me deu. De presente. Fiquei sensibilizada. Ele pediu que eu lesse, que o livro era maravilhoso, era uma espécie de guia para a vida dele, e que tinha certeza de que eu iria adorar. Peguei o livro, guardei eu, na bolsa quadriculada, e trouxe pra casa. Folheei, parece bom. Tipo de livro que eu leio numa tarde, fácil, fácil. Li o epílogo, a orelha, a contracapa. Umas folhas outras, que ainda não começam propriamente a história. Deixei na cabeceira e, oh, esqueci. Porque voltei pra internet, organizando feeds, lendo meus blogs queridos e amados. Tenho descoberto uns blogs tão bons. Mas tão bons, que eu nem te falo. Quer dizer, óbvio que falo, tudo linkado aqui do lado direito. Daí fico lendo, gosto, folheio, vou pros arquivos. E nada do livro. Nem do que eu ganhei de presente, e nem do que eu comprei de novo, pra mim mesma.

Então, fazendo as contas, são dois livros, um não relido e um não lido. Com relação às frutas, tenho observado a roomate, triatleta super disciplinada. Come maçãs all the time. Eu já fui de comer maçãs assim, aos montes. Agora as minhas ficam na geladeira, ela acaba com as dela, e come as minhas, pra que elas não estraguem. Fomos à feira e compramos frutas. Melancia, abacaxi. Coisas que eu gosto, sabe? Picamos estão prontas para o consumo, basta pegar e comer, lá na geladeira. E eu nem. Só lembro das coisas quando ela aparece, assim, na minha frente, comendo e dizendo que está super doce. E aí eu digo que daqui a pouco vou pegar um pouco. E esqueço. Então, talvez, eu não seja mais uma pessoa que come frutas e lê livros.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Crocs: o horror, o horror.

Não tem nada, em termos de vestimenta, por assim dizer, pra ser “boazinha”, que eu despreze mais, odeie mais, do que a tal da sandália crocs. Primeiro foi meu irmão, lá no Rio. Me aparece com a sandália dizendo que era tendência, que era a coisa mais leve do mundo, que o ser humano se sentia como que descalço. Comprou duas, uma pra ele e uma pro meu pai. E eu, horrorizada, assisti àquelas aberrações jogadas pelos cantos da casa. Experimentei, pra ver se era o último grito em conforto, mas não. Tropecei naquilo várias vezes, e quase torci o pé uma vez. Topada em sandália crocs esquecida pela casa machuca o mesmo tanto que topada em pedra. Believe me.

Depois, chegando em São Paulo, o horror. Meus amigos que já moravam aqui há algum tempo, todos de crocs. Todos medonhos, e cheios de sorrisinhos e justificativas. Mas é legal, é confortável. Todos concordam que elas não são bonitas. Mas, sweet baby Jesus, como assim gastar R$ 90,00 num negócio daqueles? Eu já achava que a sandália não prestava muito antes de ver o Dado Dolabella usando no Rio de Janeiro. Uma de cada cor. Lançando moda, esse Dado, tão engraçadinho... NOT. Eu acho que se a própria feiúra do sapato não fala por si só, Dado Dolabella usando DEVERIA significar alguma coisa. Um run, forrest, run. Não pode ser legal.


As pessoas se vestiam bem, quando estavam lá no Rio. Ainda mantêm o hábito de combinar calça com camisa, casaquinho com bolsa. Mas aí surge a sandália do demo e bota o visual a perder, imediatamente. Eu to falando, gente, Dado Dolabella. Isso deveria significar alguma coisa. Vocês vivem no mesmo planeta que eu?



Se o argumento Dado não serve, que tal George W. Bush? Bonitinho, engraçadinho, cheio de estilo. Com crocs. Sério. DUVIDO que Obama fizesse um papelão desses. Ou Hillary. Clinton mesmo, com toda aquela lambança que fez com a estagiária, jamais apareceu em público assim, usando tamanha atrocidade nos pés. E, convenhamos, hoje ele até é visto como um homem digno, apesar de tudo. Até o Jack Nicholson, que é o Jack Nicholson, parece um idiota com elas.




Em criança a sandália não fica nem tão ruim. É pequenininha, a cá entre nós, criança fica fofa com sapatinhos engraçadinhos. Quem nunca teve galochas vermelhas quando era pequeno? Mas passou dos 13 anos, please, hora de parar. É sempre importante saber a hora de parar. Sabe quando a gente cresce e não consegue perdoar nossos pais pelo que eles escolhiam pra gente vestir? Crocs é o mal dessa geração que tem menos de 10 anos, nesse momento. Eu não vejo Suri Cruise, ou Apple e Moses, filhos de gente que sabe se vestir, Katie Holmes e Gwyneth Paltrow, por exemplo, aparecerem em público com nada que não sejam sapatinhos fofos e minimamente dignos.



Agora, vem cá. NAONDE que isso é bonito?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Call me a geek, freak, whatever.

Então, eu adoro seriados. Comecei vendo aquelas porcarias traduzidas na Globo, tipo "Barrados no Baile" e "Melrose Place". Me contentava com esses, até porque dava muito trabalho disputar a Directv com meu pai, esse sim, um maníaco por nonsense em TV. Como é que eu iria pedir pra ver o meu episódio de hoje se ele estava vendo uns japoneses estranhos discutirem culinária ou arquitetura? Não dava, e eu nem tentava. Daí me apaixonei por "Party of Five" e consegui, a muito custo, ficar com a tv nas quintas-feiras à noite. Eu era como uma Salinger, morava em San Francisco. Quando o Charlie, meu preferido, teve câncer, eu ficava muito mal, e quando ele foi finalmente curado, fiquei realmente feliz.

Daí ganhei uma DirectV só pra mim, presente de aniversário. O melhor presente de aniversário de todos os tempos, melhor até mesmo que o carro, porque a assinatura se renovava a cada mês, durante anos a fio. Comecei a ver tudo o que passava. Na época, era basicamente Felicity, ER, Party of Five, of course, Dawson's Creek, Friends. Popular, uma série meio que de humor negro relatando a vida de adolescentes em uma high school. Vilões e mocinhos. Virei fiel defensora do Pacey e do Noel. Estaria ali a minha preferência por losers se delineando?

Minha vida se organizava em torno da Sony e da Warner. Ai de quem me ligasse nas segundas ou quintas à noite. Era dia de Dawson’s Creek, ou ER. E eu precisava saber o desenrolar dos dramas. Quando tudo começou a ficar meio doentio, comecei a achar bom quando as séries iam sendo canceladas, porque ia me libertando delas, uma a uma. E assim abandonei Party of Five, Dawson's Creek, Felicity. Friends. Séries novas vieram, séries antigas partiram, e eu lá, em frente à TV, feliz da vida.

Tinha as séries que eu não seguia, mas via sempre que estivessem passando e eu estivesse do bobeira. Nessa categoria, no strings attached, estavam CSI, Will and Grace, That 70’s Show. Daí surgiu o advento dos downloads. Isso coincidiu com a minha entrada no mundo corporativo, e com a chegada do irmão do demo pra dividir o apartamento e a programação televisiva. Eu queria ver Greys Anatomy, ele tinha algum jogo de tênis ou do Brasileirão. Brigávamos, eu ia pro quarto e procurava os torrents. Aprendi tudo sozinha, me guiando pelas comunidades do Orkut. Os nerds desse mundo são adoráveis, aprendo tudo com eles.

E aí surgiu Lost. A primeira temporada eu vi na TV, a última coisa que eu me lembro de efetivamente seguir na TV. E passei a ver apenas algumas horas depois da exibição nos EUA, disputando com os nerds do trabalho quem baixava antes. Baixei Heroes, baixei Greys, baixei America’s Next Top Model. Temporadas inteiras, antigas, eram vistas. Tyra mail, as garotas gritavam. Agora tem tanta coisa legal acontecendo que eu precisei fazer uma agendinha, no Google, pra saber o que baixar em que dia. Tem Heroes, tem Greys Anatomy, Gossip Girl. Fringe, Brothers and Sisters. House. Séries que já foram canceladas mas que eu quero dar uma olhadinha de novo. Queer as Folk. I miss Brian Kinney. Eu sempre torço para o personagem escroto ou para o loser. Nunca o mocinho, nunca o correto. Tem série que eu ainda não vi, mas que sei que vou gostar. Tipo The Sopranos, tipo Six Feet Under, Dexter. Tem série que nem estreou no Brasil, mas que já tem milhares de coisinhas pra assistir no HD, tipo Fringe ou True Blood.

O que não tem é tempo, sabe, pra ver isso tudo e ainda manter uma vida minimamente normal.

domingo, 9 de novembro de 2008

Madame Ç e o assédio sexual

Esse causo aconteceu há um mês. Tinha eu uma entrevista marcada numa grande empresa, estava eu – inclusive – bem indicada por uma gerente, que vem a ser minha tia. Área de mkt, empresa foda, já disse? Prédio alto na Faria Lima, último andar. Estava esperando ser entrevistada por um senhor, imagino. Nem era. Me apareceu um moleque, trinta e poucos anos, calça jeans. Tão moleque que a nossa conversa fluiu. Me dou bem com moleques, em geral, elimina-se o fator intimidação. Estamos em casa, todos. E o moleque – e era moleque mesmo, na perfeita definição da palavra. Parecia vidrado no que eu dizia, morria de rir, e eu nem estava sendo engraçada. Fez perguntas pessoais, disse que já me via na equipe dele, e que não sei quem ia me adorar, e que por ele a vaga era minha. E eu pensando: esse maluco ta me dando mole. Mas isso não acontece comigo, beleza, sigamos em frente. Ele deve ser só engraçadinho mesmo. E ele começa com perguntas pessoais, beleza, tática de Rh. Madame Ç Pollyana, aquela que acredita no ser humano, mode on, força total. Perguntou se eu tinha namorado no Rio, se tinha namorado em São Paulo, e por aí vai. Me deixou encabulada. Obviamente. Madame Ç não lida com pessoas que se jogam na direção dela. Ok. Move on. E o maluco, no meio da descrição da vaga, entre a parte em que ele dizia que o meu sotaque era delicioso (oi?), e a parte em que eu era mesmo absurdamente divertida e inteligente, e brilhante, e tals, me pergunta se eu toparia sair com ele, uma hora dessas. E, vem cá? Comofas? Escorreguei, eu, a especialista em dar fora em engraçadinhos. Fiz como fazem aquelas garotas que riem, jogam os cabelos e insinuam um "quem sabe?". Não fiz exatamente assim, pelamordedeos, mas falei alguma coisa que deve ter dado a ele a impressão de que sairíamos, sim. Whatever. Achei a entrevista boa, tolinha. Um dia depois, sábado, 21h, meu celular toca. Número desconhecido, e eu não tinha ainda o celular de ninguém. Atendo cheia de graça. E é o maluco. O maluco da entrevista. Me ligando pra perguntar como foi o meu sábado (sic), me convidando, descaradamente, para um café. Desconversei, escorreguei. Eu super sairia com ele, circunstâncias outras. Não nessa situação. E eu escorreguei e disse não. Sou moça de família, ora bolas.

Well, não precisamos fazer muito esforço pra adivinhar que ele nunca mais ligou, nem pra falar sobre a vaga. E eu contabilizei, aqui em São Paulo, o primeiro caso de assédio sexual da minha vida.