terça-feira, 18 de novembro de 2008

Então na sexta tinha uma festa. E era aqui na rua.

Aqui em São Paulo, aparentemente, eu moro numa rua que tem muitas festas. Não foi a primeira desde que eu cheguei, e certamente não foi a última. E então todo mundo combinou de vir aqui pra casa. E veio. E são pessoas que já vieram aqui, amigos, desses novos que eu tenho feito, todos muito queridos, todos. E tinha cerveja, e música, depois não tinha mais música, e tinha conversa, e tour pelo apartamento, que é pequeno, e uma volta de 360º em torno do próprio eixo já resolve.

E chegaram pessoas que eu não conhecia, mas que iam pra baladinha, que é assim que se chama festinha em São Paulo. E, algum tempo depois, umas duas horas, sei lá, a gente resolveu, então partir, ali pro outro lado da rua, pra essa festa. E contando as cabeças na porta nos demos conta de que alguém tinha ficado pra trás, dentro de casa. E não deu outra. Resolvemos trancar o maluco, às gargalhadas, e fingir que tínhamos ido. Uma gritaria no corredor. Acontece que eu e a roomie temos uma vizinha. E a porta dela é MUITO perto da nossa. E nós esquecemos que a vizinha, assim, existia at all. E dá-lhe gritaria no corredor, e gargalhadas. Eu costumo ser super preocupada em não incomodar, vigio até o volume da TV. Nem me ocorreu que a gente tivesse vizinha, àquela altura do campeonato. Já chegando no elevador, a vizinha aparece na porta, muito puta mesmo, com toda razão. Pijamas, cabelo solto e desgrenhado. Era 1h da manhã. E eu nem tinha me dado conta, podia ser, sei lá, 22h, 23h. Na minha cabeça.

A vizinha deu um mega esporro, gritando mais alto do que todos nós, disse que aquilo era absurdo – porque era – e que era falta de respeito, e que ela acordava cedo. Nem me ocorreu, ali, de pedir desculpas na hora. Descemos para a festa, com a idéia de tentar recompensá-la pelo incômodo. Mas depois, né? Quando eu finalmente voltei da festa, algumas horas depois da roomie, vi a caixinha fofa no tapete da vizinha. Me abaixei, peguei o bilhete e li o pedido bêbado de desculpas, que era meu, também. Pensei comigo, que ótemo que ela tenha pensado nisso, já que a vodka não me deixaria ir ali, até o supermercado, pensar em agradar a vizinha. Mas roomie pensou. E tinha um resto de sobriedade pra colocar as coisas no lugar.

Dia seguinte, batidas na porta. Não temos campainha, até iríamos colocar uma, mas depois achamos mais legal não ter, e forçar batidas na porta. Era a vizinha. Cara doce, cabelos penteados, voz trêmula. Pedindo DESCULPAS. Por ter brigado com a gente. Eu disse que ela tinha toda a razão, e que a gente não tinha se dado conta do barulho, mesmo, etc. Mas era ela pedindo desculpas. Desculpas por ter se incomodado com o nosso barulho, praticamente. Chocolates operam milagres nessa vida.

Note to self. Próxima festa, fazer menos barulho. Ou então, convidar a vizinha, ou então comprar chocolates, e deixar na porta, antes mesmo de fazer barulho.

4 comentários:

lola aronovich disse...

Que bom que vc e sua vizinha estejam em paz, Madame Ç. Prazer em te conhecer, vc escreve muito bem!

Anônimo disse...

Obrigada por este post, viu? Mesmo. Me dá um pouco de esperança pro futuro.

assinado: pessoa enlouquecida pelo barulho e pelo tô-nem-aí de vizinhos, que fazem ainda mais barulho e escarnecem quando peço para maneirarem, e só param mesmo com ameaça oficial de multa pelo condomínio.

Mary W. disse...

q historia bonita mesmo. eu nunca faria isso. tipo passaria o resto da vida desviando da vizinha. descendo de escada. *o* terror. mas desculpa eu nao pediria. nao pq ela nao mereça. eu q nao sei fazer mesmo.

Anônimo disse...

na proxima, da tequila pra mulher. 10 em ponto.

ficaadica