sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

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Podem me chamar de implicante. É possível que eu seja. Eu tenho feito um esforço pra gostar da pessoa. Eu juro. Fato é que, dado o caos na oficina, foi contratada uma gerente de projetos.

E eu tava lá, no meio do projeto do demo, com o dobro de coisas pra fazer na metade do tempo. Trabalhando 12h 13h por dia, cansada, sem descanso, e as coisas surgindo pra serem feitas sem aviso nenhum, sem organização. Vejam bem. Passei duas, quase três semanas, nesse ritmo. Dormindo pouco, e mal. sendo cobrada por coisas que não eram meu trabalho. E com um sorriso FOFO nos lábios. Óbvio que no final da terceira semana, eu dei uma pifada. E isso foi bem quando a gerente chegou. Eu me alimentava de amendoim, que era o que tinha pra comer no trabalho. Saía 23h todos os dias. Amigos, não sei, não vejo. Sono? Lembrança distante.

E chegou a gerente nova, cuja função é botar ordem na bagunça. Quando eu digo bagunça, eu me refiro a cronogramas absolutamente surreais, que são estipulados por outras pessoas, sem considerar quem vai cumprir. E que entendem, naturalmente, que eu tenho todas as minhas 24h do dia disponíveis pro trabalho, as well as finais de semana.

Imaginem a minha cara, no final do processo? Restless, mal humorada, sofrida. Doente. Uma alergia que fez minha boca pinicar, como se tivesse queimada de frio. Menos 1kg na balança. Olheiras cobertas com argamassa, porque só o corretivo não dava mais conta.

E eu tinha essa apresentação, que era numa quinta-feira. E na quarta-feira surgiram mais coisinhas não previstas, que deveriam ser feitas pra deixar o cliente incrível. E eu lá. Morrendo. Chegou uma hora que eu tinha terapia, e avisei que estava indo, e voltava depois. E tomei cara feia. Mas nem liguei. Minha terapia não é negociável.

E o projeto ficou pronto, e eu virei aquela última noite, e fiz uma apresentação perfeita. Na quarta, véspera, eu estava mais ansiosa que de costume. Eu sou ansiosa. Ponto. Estava mais, é bem verdade, porque as coisas começaram a pesar nos ombros, mesmo.

E a gerente de projetos lá. Observando, demandando. Organizando, função dela.

E essa semana eu fui chamada na sala de reunião, pra um feedback. Você é muito ansiosa, ela disse. Não lidou bem com pressão naquele último dia antes da apresentação. Deixou as pessoas em volta nervosas, etc e tal. Disse que eu não devia ter saído para a terapia no meio do caos (que foi intencionalmente causado, vejam só, por ELA, com tarefas não programadas e de última hora). Minha terapia é pós-expediente. Nem preciso dizer, né? Disse mais. Que eu preciso achar a minha válvula de escape. E que a dela é sair pra beber uma cerveja com os amigos.

E eu. Whut?

Fiquei puta. Agredeci o feedback, e disse que contava com ela para a organização de cronogramas mais justos com os funcionários. Que a minha terapia não era negociável. Até porque eu trabalhava 13h por dia e nos finais de semana. Aquela hora era minha, e não cabia a ela questionar isso. Disse mais. A minha válvula de escape, sabe gerenta, é SONO. DESCANSO. Coisa que eu não tive nas ultimas três semanas. E ainda dei um duplo twist carpado, fazendo ela me elogiar, dizendo que SIM, o projeto foi lindamente apresentado, mesmo com o caos a que eu fui submetida. E que eu sou boa, sou ótima. Mas sabe quando a conta ainda não fecha?

Faça-me o favor.

Tomei horror a ela. Pode ser o cabelo mal cortado e arrepiado pela escova mal feita, pode ser o tipo de roupa ERRADA que ela escolhe se vestir todos os dias, com vestidinhos esvoaçantes e sapatos pesados, ou coisas ripongas. Ou o batom. Meodeos, o batom. É vinho, e tem brilho. Não é só brilho. Sabe aqueles batons anos 80, que tem tipo um cintilante purpurina horroroso?

E depois não entende quando eu vou pra terapia.

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