segunda-feira, 19 de abril de 2010

caos

eu fico lembrando de todos os blogs que eu já li, em todos os pedacinhos de vidas de desconhecidos que eu absorvi, que eu me vi acompanhando e torcendo, que eu quase que podia esticar o braço e tocar. completos desconhecidos. o dia a dia de confusão, de bagunça, de tentativas frustradas de se equilibrar no meio do caos. porque blog pessoal acaba sendo um pouco isso. uma forma de lidar com o peso das coisas todas, o peso que mal se sustenta. e eu acordo todos os dias de manhã, e me visto, e passo blush nas bochechas, e ando pela rua passando por cachorros, velhinhos, crianças e mendigos, e eu entro na firma colorida com a cara mais inteira do mundo, e eu digo bom dia, e boa tarde, e todas aquelas coisas que a gente diz no elevador. e eu sorrio. e boa parte do tempo eu não sei o que eu estou fazendo. eu sei pra onde vai o meu trabalho, eu resolvo os problemas que surgem durante o dia, eu discuto ideias com uma equipe colorida. e sou agradável, e falo de lost, de séries, de terapia, de vida em geral. todo um esforço de pertencimento, quando às vezes tudo o que eu quero é entrar debaixo dos cobertores e ficar quietinha, um tempo que seja. sem ninguém perguntar o que eu tenho, o que vai comigo, se eu tenho algum problema. não, eu não tenho. nada que me aflija, nada que me machuque demais, só as dores todas que são da gente, e que moram ali, e acompanham pra todo canto que se vá. a sensação de não saber onde se está indo. se era esse caminho mesmo que eu queria. eu passo 90% do meu tempo com a certeza absoluta de que sim, era isso. é isso. e eu sorrio e me sinto bem, e penso que tudo está em seu devido lugar, assim como eu planejei, assim como eu imaginei. mas não. de repente alguma coisa aperta e eu não sei bem o que é, mas uma vontade estranha, de que o tempo corra mais rápido do que eu possa perceber, e que o mesmo tempo congele, não ande, não mude. e eu possa estar sozinha, em silêncio, meio anestesiada de todo o resto. e eu fico pensando que eu sou apenas mais uma, e que existem outras, outros, assim como eu, vagando por aí. se sentindo sozinhos, recolhendo pedaços, tentando se equilibrar no meio do caos. sorrindo, dizendo bom dia e boa tarde, parecendo inteiros, mas aos pedaços, espalhados. as mesmas dúvidas, o mesmo desconforto, as mesmas questões.

todo mundo perdido.

4 comentários:

Delma Paz disse...

Profunda reflexão. Isso se passa comigo também, pois às vezes a estrada tem duas vias e a gente tem que escolher uma - e se a que a gente escolheu não é boa? A inconstância (até combina com o seu nome) faz parte de todos os pensamento, todas as decisões. E talvez se as dúvidas não existissem, a vida não seria tão legal.

Beijinhos
(Adoro os seus posts reflexão).
Meu blog é www.buterflies.com.br/blog

stella disse...

sim, fia, é assim mesmo. e com todo mundo, eu acredito. bom, pelo menos todo mundo que se permite ser gente e não super-homem. eu já parei não sei quantas vezes e me perguntei se é isso que eu quero: casa, marido, gatos, quase 40 anos, desempregada. e muitass vezes não, não era o que eu queria para mim. e muitas vezes é, e muitas vezes é quase isso. só quando a gente é criança que os adultos têm todas as respostas. e, no meio do caos, a gente sorri e diz bom dia, tudo bem, também.

Unknown disse...

Muitas vezes temos que desempenhar o nosso papel, interpretar o personagem que criamos enquanto por dentro tudo está desmoronado e sem muito sentido. Não sei bem como, mas uma hora parece que por dentro tudo se acalma e volta a fazer sentido novamente, é cíclico e é a vida!!

Luiz com Z disse...

Woody Allen's "Anything Works". A melhor auto-ajuda possível nessa hora.