sexta-feira, 17 de abril de 2009

Talk nerdy to me


Ao passo que me entrosar com as pessoas coloridas do meu departamento se revela tarefa difícil e custosa, sofrida, por que não dizer, é com medo e assombro que me dou conta de uma coisa. Eu super me entrosei com tudo que se assemelhe a um geek dentro da firma.

Sério. Eu sempre fui meio nerd, e sou declaradamente o tipo de pessoa que possivelmente verá mais graça e brilho em um menino magrelo com camiseta engraçadinha de super-herói ou código HTML, do que num desses que use cabeça raspada e músculos. Tem nome pra isso? Maria-mac? Maria-app? Maria-html?


Sei lá. Eu nunca acompanhei efetivamente os conhecimentos dessas pessoas, mas gosto de ser incluída num grupinho que começa a discutir IFs e DIVs. Eu pertenço. Mas eu pertenço naquela categoria rasa, a última das castas, quase uma intocável. Eu consigo entender uma piada engraçadinha de programador, eu adoro o thinkgeek, eu vejo The Big Bang Theory. Mas eu sou só uma menina que ama seriados e gosta de roupas coloridinhas, no final das contas.

Ganho carinho pelos japoneses a cada dia que passa. Passo horas discutindo downloads de Lost via MSN. Vejo os nerds super queridos com seus pen drives, se oferecendo pra copiar as séries pra mim, pra que eu não precise baixar nada. Sou a única garota nessa equipe, especificamente. Tirando um cara que é viado, aquele que me tratou mal mas até que agora já estamos amiguinhos. ¬¬


Então, eles se apressam pra me dar pen drives com seriados. Que eu, auto-suficiente que sou, recuso com uma risadinha. Não preciso. Vou pegar sozinha. E aí a internet não ta muito rápida e eu fico sem a série. Corro pro MSN, e eles estão lá, solícitos e presentes. E já se apressam em carregar tudo pra um servidor – porque nerd que é nerd tem servidor e faz app – pra que eu, bonitinha, baixe tudo com uma velocidade digna. No meio do processo de subir Lost pro servidor eu sinto sono. Porque já é tarde, e coisa e tal. E digo que desisti, e digo boa noite, e vou dormir. Lost fica pra depois. E os malucos lotam os respectivos twitters, falando que eu fui dormir e nem peguei a série. Hehe. Me sinto a Penny, no meio de sheldons, leonards, rajs e wollowitzes. Pior é que eu gosto.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

As pessoas da firma

Eu tenho vontade de fazer posts sobre cada uma das pessoas com as quais eu convivo. Fico numa de que é melhor nem falar, porque trabalhando com internet a gente cria paranoia (sem acento, maldita reforma). Eu sou capaz de achar muito coisa, apenas digitando palavrinhas espertas no Google. E, cá entre nós, se eu achei os blogs das pessoas, é possível que achem o meu, né? Qual o nível de psicopatia necessário pra stalkear pessoas, assim como eu faço? Gente normal faz isso também? Gente normal trabalha com internet?

Eu sei, ali, exatamente quem pode ser meu amigo. Consigo mapear direitinho, munida das impressões do dia a dia, das características que eu vou descobrindo nas pessoas, mais os registros online, blogs, orkuts e afins. E eu ainda tenho tido muito trabalho pra me sentir em casa. Eu sou uma pessoa sociável. Sou inclusive mais reservada que os outros em ambiente profissional, porque é algo que eu realmente preciso prestar atenção. Eu faço amigos com relativa facilidade. Pelo menos os amigos que me interessam. Boa parte dos meus amigos, dos meus melhores amigos, são pessoas que eu conheci em ambiente corporativo. E aí eu fico nesse impasse.

Lá na firma colorida, são várias questões. A primeira é que, a princípio, eu saio de lá em 3 meses. E talvez nem seja muito inteligente me apegar, porque a despedida vai ser sofrida, caso venha. Mas aí também há a chance de surgir a vaga definitiva, e eu não quero desperdiçar 4 meses não me apegando a pessoas que continuarão por perto. As pessoas que eu quero conhecer melhor. E aí a gente cai no outro problema. As pessoas. Eu fico super feliz em perceber, aos poucos, que existe eye contact. Isso é um avanço real. Já sabem que eu existo, ali, atrás do monitor, ao lado do gerente de covinhas. Lembram de mim pros almoços. Isso é realmente algo, mas em condições normais de temperatura e pressão, eu já estaria, inclusive, convencendo pessoas a irem em um ou outro restaurante. Hoje, eu sorrio e os acompanho.

Não é que seja uma bolha que eu não consigo entrar, de um grupo formado e resistente a intrusos. São bolhas individuais. Todo dia é uma batalha. Eu acabo ficando cheia de dedos, e sendo muito menos legal do que eu sou, por medo de assustar os bichinhos. Me vejo escolhendo palavras, guardando idéias geniais, sorrindo artificialmente. Não vi nenhum deles tendo um acesso de risos, ou sendo absolutamente espontâneo. Nunca, nenhuma vez. Nenhuminha. E eu continuo fazendo as minhas análises. Estou cercada de gente blasé por todos os lados. Nada é MUITO legal, nada é MUITO irritante. Eu não sou pessoa blasé. Eu sou pessoa cheia de nuances, de gargalhadas e piadas de humor negro. Todas guardadas numa caixinha.

E o pior é que eu quero me entrosar. Já saí com eles pra happy hours, festinhas e almoços mais informais. Em alguns momentos, eu até tenho a impressão de que um portal pra uma outra dimensão foi aberto. Mas ele rapidamente se fecha, antes que eu entenda direito o que está acontecendo. E aí me vem essa idéia dos posts sobre cada um deles. Porque eu consigo desenhá-los. E eu consigo me ver desenhada, ao lado. Mas não consigo imaginar um desenho único, todos no mesmo papel, lado a lado.

Eu quero escrever sobre essas pessoas. Mas ainda preciso perder o medinho.

domingo, 12 de abril de 2009

delírios de consumo de madame ç

Num mundo ideal, eu, moça prevenida que sou, guardaria dinheiros. É uma questão até óbvia. O contrato da firma tem fim. E é óbvio que eu vou tentar continuar lá, e que nem estou mesmo pretendendo ficar desempregada daqui a 3 meses, ainda que não seja trabalhando no environment coloridinho. Mas é preciso guardar dinheiros, abastecer a poupança caso as vacas magras se anunciem no horizonte. Fiz planos de continuar uma vida regrada nesse período de incertezas. Fiz planos.

Daí acordei num bad hair day. Acordei tensa, e cheguei a conclusão de que já havia passado da hora de cortar os cabelos. Mas ainda não criei em São Paulo a minha rede de serviços, não tenho amiga que indique cabeleireiro camarada e baratinho. E São Paulo, sabe como é. Cabelo é cultura, e é caro. O que eu fiz? Marquei com o cara mais legal ever, o gênio das tesouras, um maluco que, há dois anos, por muitos dinheiros, me deixou com um repicado mó legal. Sabe como é. Cabelo é investimento.

Munida do meu novo corte chanel invertido levemente repicado by Oscar Freire, rumei para o trabalho. E o surto de compras começou. Casaco matelassado preto. Laís, amiga antiga da faculdade, depois inimiga, agora pessoa neutra, coisa que nem vem ao caso, chama esses casacos de rompe viento. Com ênfase do R, e V com som de B. Sotaque espanhol. Casaco fofo comprado, pra quando o inverno chegar, caí de amores por um outro, xadrez, desses de mangas mais curtas, pra usar com segunda pele por baixo. Arrematei. Quando a vida parecia mais fácil, caí de amores por pashminas. Duas. Uma preta, uma gelo. Porque “orna” com as outras coisinhas que eu tenho. E aí lembrei que chegou o tênis de oncinha na lojinha da esquina da minha casa, e eu super tenho que ir lá essa semana garantir o meu. Tenis de oncinha é sonho antigo, esse blog bem sabe.

Faltam ainda as meias calças, os vestidos, os quilos a menos, necessários depois de duas semanas de orgia alimentar. Tudo na to do list.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Esse não é um post feliz o.O

Aí tem esse cara que resolveu me torturar sadicamente, e vem logrando sucesso. Era ele que estava sobrecarregado quando eu cheguei, e eu meio que fiquei ajudando/substituindo ele nas suas funções. Agora a garota que estava de férias voltou e ele juntou a + b e resolveu criar ciúme do seu trabalho. Que eu vinha fazendo, e bem.

Primeiro ele me mandou voltar para a masmorra. Foi meio que brincando, e eu meio que ri de volta. Uma risadinha constrangida, já que eu não estava gostando nada nada de ser tratada daquela maneira, mas tinha gente em volta e eu sou uma pessoa educada e gentil.

masmorra.

Ainda, nesse dia, eu devolvi a alfinetada. Falei pra ele tomar cuidado, que eu era vingativa. E tinha trabalho dele nas minhas mãos. Ele devolveu, dizendo que não tinha medo. Entrou no elevador pra reunião que não quis me levar e, descendo as escadas, eu me dei conta de que uma pequena cena havia acontecido ali. Uma cena de alfinetadas entre mim e o viado. Em tom de brincadeira, mas bem a sério.

Fiquei puta, e esse dia ficou marcado para a posteridade como a primeira vez que eu chorei por causa de viado nessa minha vida. Tá, o meu choro pode ter sido drama, mas ele acabou se justificando com o que vinha a seguir.

O que vinha a seguir foi, basicamente, ele me excluindo de toda e qualquer reunião, inclusive das que eu, humildemente, pedi pra assistir. Ele me administrando, me dando trabalho de corno all the time. E eu lá. Filho da puta. Esse viado vai me atrapalhar. Daí hoje surgiu o assunto, eu disse pra ele que estava meio de bobeira, porque entendi que ele estava menos sobrecarregado. E ele me disse que ele ia continuar me passando os trabalhos de corno, porque a minha função na equipe é a mesma do estagiário.

juro.

Sério. Eu respirei fundo (mentira) e disse. Olha aqui sua bicha louca, estagiário é a puta que pariu. Mas você não concorda que se o meu trabalho é o mesmo do estagiário, seria mais vantajoso para a empresa contratar um estagiário, pagando bem menos? Ele olhou para o vazio e continuou descendo as escadas.

E me passou mais trabalho. Eu morri um pouquinho, magoei profundamente e a vida seguiu. Eis que chega um e-mail.

mais um job super legal pra você. hehehehehe.

Tem que perguntar né? Eu pergunto. É impressão minha ou essa sua risadinha no final do e-mail é uma risada maligna? Ele diz. É.

Dai-me paciência.

Então, eu, pessoa put together que sou, desespero. E penso que a firma é ruim, e que eles me enganaram com paredes e pessoas coloridas. Crio na minha cabeça pautas pra reuniões que eu pretendo agendar com o gerente, perguntando que porra é essa se é isso mesmo o que esperam de mim. E correndo o sério risco de ele dizer que era. Pra eu morrer logo de uma vez.

E o que eu faço? Marco uma horinha bááásica com a minha personal tarot lady. Pra ver o que as cartas têm a me dizer.

drama é meu nome.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

retrospectiva

Então, um mês depois, esses foram os meus highlights.

Emagreci 2kg. Uma junção de falta de horários para comer de forma saudável + fugas desesperadas do carrinho de doces. Acabo fazendo menos refeições do que devia, chegando em casa mais tarde e tão absurdamente cansada que tudo o que eu faço e tomar uma tigela de leite com cereal e cair na cama. Obviamente que ir e voltar a pé todos os dias também contribuiu para o processo, mas nem é assim um grande trajeto. 1.2 km na ida, 1.2 km na volta. Pra quem era sedentária declarada, isso é exercício, sim senhor. Ah. Tem os 62 degraus diários que eu subo entre os andares, pra fugir dos elevadores loucos. Isso também deve contar.

Olheiras que eu disfarço graciosamente com corretivo e rímel.

Sorriso que eu não disfarço, porque não quero e não preciso.

Um crush no gerente de covinhas. Já devidamente corrigido, por questões óbvias.

4 episódios de Lost atrasados. O mesmo pra Damages e Heroes. Mas Heroes é aquela coisa, não abandonei ainda por pura teimosia. E pelo Sylar. Em contrapartida, consegui manter em dia The Big Bang Theory, Gossip Girl, Private Practice, Brothers and Sisters e United States of Tara. Um marco nessa minha vida.

Um crachá com foto de psicopata. Duas gavetas, dois monitores e uma janela para a adorável paisagem paulistana. Um environment bonitinho, e coloridinho.

4 co-workers coloridas e legais, com potencial pra virar amigas. Work in progress.

1 co-worker pra ficar esperta. Pode ser amigo, pode ser um problema. Tomara que seja a primeira opção, porque eu gosto dele.

14 fugas da ginastiquinha, e 14 tentativas de esconder que eu estou rindo das minhoquinhas que topam a brincadeira.

4 novos restaurantes descobertos, todos gostosos, baratos e legais.

Um momento de fúria com o banco onde eu precisei abrir minha conta.

Uma festeeenha com a equipe, mega divertida.

Muitas horas de ansiedade e sofrimento, pensando no que será de mim se meu contrato temporário não virar definitivo e eu tiver de dizer adeus em 3 meses, atualizando os prazos.

Muitas horas de extrema fé no universo, acreditando que tudo é mesmo maravilhoso e que eu super merecia estar onde estou. Finalmente.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

eu tenho um milhão de posts na minha cabeça. poderia escrevê-los agorinha.

só pra registrar.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Então eu fico nesse impasse.

Porque eu sei que o contrato é temporário, e a minha vontade é conversar sobre isso com o gerente desde o primeiro dia. Ninguém me deu esperanças. Pessoas saem de licença pra ter seus bebês, depois largam as crianças com as avós, na creche, com babás que bem podem ser espancadoras sádicas, mas que também podem ser cuidadosas e responsáveis. É uma vaga de 4 meses. Ninguém me deu esperanças, tirando uma mocinha simpática secretária do rh, que se apressou em me dizer que teve uma garota com caso igual ao meu que foi aproveitada, e etc, e tal, mas que depende da área, da crise, do momento, e obviamente da minha competência. A minha competência eu garanto, mas todos os outros fatores são externos.

E obviamente eu não posso chegar no primeiro dia pedindo pra ficar pra sempre. Eu preciso mostrar trabalho, me inserir nos contextos, criar laços. Então eu tinha meio que estabelecido que, ao final de dois meses, eu iria conversar com o gerente, pra ter uma idéia mais clara sobre que diabos vai acontecer comigo. Acontece que eu não sou exatamente uma pessoa calma. Ansiedade é algo que me consome, sempre, sempre. E eu tive um primeiro mês muito bom. Criei laços silenciosos com os japinhas, com as paredes coloridas, com a moça do carrinho de doces, com as piadas sem graça do diretor. Com as covinhas do gerente. Criei laços silenciosos com as meninas coloridas que, a muito custo, começam a interagir comigo. Criei laços com a agenda lotada de reuniões e com os sessenta e dois degraus que eu subo diariamente entre os andares.

E eu fico tentando manter a calma, e não colocar os pés pelas mãos. Respiro fundo um milhão de vezes. Fico pensando na ampulheta, na areia escorrendo, o tempo esvaindo.

E eu não quero me apegar às pessoas, porque no momento atual, eu ainda não sou indispensável. Não que alguém seja, efetivamente, anyway. Estarei dizendo adeus a elas em pouco mais de 3 meses, isso é o que eu tenho de fato nas minhas mãos. Eu sou péssima com despedidas. Me desfaço em questão de segundos. E as pessoas são tão legais. E é um grupo ao qual eu pertenço, sabe? Feels like home. Eu poderia ser amiga dessas pessoas, e discutir seriados, e competir pelos downloads mais rápidos. Mas qual seria o sentido em me aproximar, se eu tiver de me afastar depois? Eu entendo que amizades são circunstanciais. E eu não quero imaginar esse mundo existindo se eu não fizer parte dele. Eu não quero que esse mundo exista sem mim.

Então, é isso. A empresa tem brilhos, muitos. Tantos brilhos que me aperta o coração a cada vez que eu me pego gostando muito de alguma coisa. É preciso ser racional, e nessa tarefa eu venho falhando miseravelmente.