Mostrando postagens com marcador 13 anos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 13 anos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de maio de 2011

and again.

eu ainda levanto a cabeça sobressaltada, por cima das baias, e procuro por eles, sentados em seus lugares. antes esse movimento era pra completar com o olhar algum comentário feito no msn, ou se comunicar sobre algo acontecendo. 

houve um momento em que bastava um olhar. não sei direito quando ele acabou, mas eu senti de um jeito bem forte o afastamento. a falta de convites pra jantar, pra almoçar, praquelas coisinhas que a gente sempre fazia, juntos.

fiquei mal, tentei conversar, fiquei emburrada, me afastei, me aproximei de novo, fingi que nada estava acontecendo, tentei não parecer abalada, não me chatear, lidar com isso de forma adulta. tentei de tudo. o olhar sobressaltado buscando os queridos em seus lugares deu lugar a um sentimento ruim, de abandono. as cadeiras vazias, todos juntos na cozinha, ou indo comer algo no meio da tarde, ou saindo pra jantar. a diferença era que, agora, eu não estava mais ali.


nada houve. eu não fiz nada para merecer o afastamento. me debati com isso durante algum tempo, procurando razões, ressentida. olha eu passando por isso de novo. num segundo, tudo mudou. conversas em tom mais baixo, eu sempre de fora. dá-lhe terapia. dá-lhe lágrima escorrendo por detrás do monitor. coisa da minha cabeça, eu escutei. não há nada acontecendo.


mas havia.


e eu tenho cá milhares de teorias, todas explicando de um jeito pobre e raso aquilo que não tem explicação. 

vão continuar sendo apenas teorias.

terça-feira, 1 de março de 2011

“Ma petite Amélie, vous n’avez pas des os en verre. Vous pouvez vous cogner à la vraie vie. Si vous laissez passer cette chance, alors avec le temps, c’est votre coeur qui va devenir aussi sec et cassant que mon squelette. Alors, allez-y, nom d’un chien!”  “Minha pequena Amélie, você não tem os ossos de vidro. Você pode bater na vida real. Se você deixar passar essa oportunidade, então ao longo do tempo seu coração ficará tão seco e quebradiço quanto o meu esqueleto. Então, vá em frente, caramba!"

Essa foi possivelmente a coisa mais bonita que alguém me disse essa semana. Julinha, conhecedora profunda dos labirintos em que eu me perco, prevendo mais um escorregão, lança mão de Amélie Poulain e me acalma.

Eu sou a pessoa mais medrosa do mundo. Ninguém é mais medroso que eu.

Julinha sabe das coisas. 

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

pequeno príncipe #fail

eu, ali, deitada no divã, meio desmontada em lágrimas, questionando a vida, os meus medos, as pessoas. tudo muito difícil, sempre, na vida em geral.

e freud me interrompeu. a voz meio ríspida, o tom de esporro. eu me calei. ela disse. esse troço de 'o pequeno príncipe', vou te contar. você não tem ideia do estrago que essa droga de pequeno príncipe fez.

e eu. comigo? com a vida em geral?

e ela. com a vida em geral. e com você. esse medo de magoar as pessoas, essa fragilidade ao ser magoada, esse peso, essa responsabilidade.

e eu pensei. toma essa, saint-exupèry.

freud continuou dizendo que essa porcaria de pequeno príncipe me estragou, que tudo o que eu faço é pensar no peso das coisas. na responsabilidade.

tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas é o caralho. a boca suja é minha, só minha. boca suja de carioca. desculpaê.

e eu contei pra ela do meu post do pequeno príncipe, um que me doeu a vida escrever, mas que eu gosto tanto TANTO. a insistência de manter a porcaria da rosa amada na redoma. protegida, a salvo.

ninguém está a salvo. nunca.

ainda outro dia, o menino jornalista de covinhas e olhos verdes me perguntou, em tom de brincadeira, se corria algum risco, ficando por perto.

e quem não corre? eu respondi.

risco corremos todos. riscos corremos os dois.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

só pra me convencer mais um pouquinho

não é bem rejeição. ninguém se aproveitou de ninguém. é que eu entro nesse looping de tentar achar, no meio de todos os caras, algum que seja legal. que seja inteligente, engraçado, gentil. que saiba o que fazer, que tome o controle. e a gente se vê fazendo concessões caso hipoteticamente, aquele cara que até parece ter essas coisas, seja mais novo, e moleque, e goste de piriguetes, e de festas duvidosas. finge que não vê. tudo aquilo que grita em cores fortes. a gente pesa a matriz swot tentando fazer com que as coisas legais pesem mais.

mas elas não pesam. um cara que seja mais novo, que goste de música ruim, que seja moleque, que tire fotografias fazendo hangloose do lado de louras seminuas e siliconadas, não preenche os pré-requisitos mais básicos pra ser alguém com quem eu admitiria ter algo a mais. eu tenho vergonha, hello. toda uma imagem a zelar. respeito próprio. etc. e dane-se que ele escreva bem, e tenha um bom sorriso, e goste de cinema ou saiba exatamente como fazer pra te desconcertar. no fim das contas, é um moleque. vai servir pra essas meninas louras e iguais, com piercing no umbigo e sobrancelha quase inexistente, e unhas muito, muito compridas. vai ser perfeito pra elas. e super vai, mesmo. pra mim, não serve.


não serve, todos sabemos. eu olho no espelho, e eu simplesmente sei. não serve.


e a gente se esbarra. e eu fico tremendo. e eu faço a blasée mas, por dentro, eu quero morrer, só porque a gente se esbarrou. e eu já preciso que ele não exista, pra que a vida possa seguir sem sustos. ele é tão bonito. ele, o moleque com quem você sabe que não poderia e nem conseguiria ter nada de mais.

há um tempo atrás, eu olhava as pessoas, e eu imaginava que cada uma delas tivesse algo incrível, bastava só eu conhecer melhor. qualquer pessoa era a possibilidade do incrível, há um tempo.


hoje, qualquer pessoa é uma dor de cotovelo em potencial.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Da vida como ela é. Da vida como ela tem sido.

eu sei que a gente vive a vida falando das maravilhas de ser solteira, e livre, e poder fazer o que quiser, com quem quiser. e se gabar de ter ficado com os meninos mais bonitos da festa, e de ter continuado saindo com um deles, o mais legal, o mais divertido, o mais interessante.

e parecer bem resolvida, bonita, interessante, inteligente, essas coisas todas que todo mundo acha que é bonito parecer. e saber que eu sou, de fato, muito legal. porque eu não pareço: eu sou.

e tudo se esvai num telefonema que não vem depois do date que terminou com o menino bonito na sua casa. a segurança, o sorriso, a sensação de dominar o mundo.

porque - sim - é muito legal ser solteira, e livre, e poder fazer o que quiser. e, sim, no caminho existem milhares de caras bonitos. mas tudo isso, no fim das contas, se resume a buscar um menino, um só, que não abandone a gente no dia seguinte.
a questão toda é. o segundo menino era muito, muito legal.

eu não sabia. eu não tinha como saber. eu só via ele pelos elevadores, e eu nem nunca achei que ele estivesse me observando. eu me lembro do dia que eu o vi pela primeira vez. quais são as chances de alguém se lembrar da primeira vez em que vê outra pessoa?

faz uns três meses, e eu estava no elevador, subindo. o elevador parou no sétimo andar, abriu as portas, e ele estava ali. provavelmente querendo descer, porque ele não entrou. houve aqueles 3 segundos em que a gente se olhou, ele do lado de fora, eu do lado de dentro. eu achei que ele parecia com martim, e cismei que martin trabalhava na firma. eu andava meio obcecada. o elevador fechou as portas, eu terminei de subir, ele provavelmente desceu.


houve esse momento. e eu me lembro.


na festa, ele contou que me observava há uns seis meses, e que apostava que eu nunca tinha visto ele por ali. e eu contei que já tinha, sim, e citei o dia do elevador.

fomos ao cinema. jantamos. ele me buscou e me levou em casa. mãos dadas. eu não sei andar de mãos dadas. não consigo. toda uma vida sem a mão de alguém na outra ponta. o menino jornalista é mais novo, meio moleque, no bom sentido. uma coisa mais leve. o que faz com que eu realmente acredite que isso não vai pra frente. 

o que não me impede de aproveitar o passeio.

e, vou dizer. que passeio. :)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

os dias seguintes

a parte divertida é contar pros amigues. eles pedem foto. você acha. do menino número 2, aquele que te adicionou no facebook, e você já tem acesso aos álbuns antes bloqueados. fácil, simples.

o menino número 1 não tem links. fico meio pra morrer com gente sem links, sem fotos. como vou provar pra veneceous e velma quem era o menino bonito que eu tava falando?

daí vou pra reunião com ele. fico entediada. o assunto não me interessa tanto, não me envolve, sou apenas consultada pruma questão ou outra. me entretenho com o que? o iphone querido. o bom do iphone é a discrição que a pessoa pode sair fotografando seres humanos por aí. sem que eles notem.

eu precisava de fotos. o menino mais bonito do mundo não tem fotos. e estava ali, na minha frente. distraído.

fiz um book. tem de lado, de frente, mão na testa, braços cruzados. eu fotografava e mandava pra veneceous, pra minha irmã, pra anne louise, pro baile todo.

eis que a reunião vai acabando, e eles precisam fazer um teste. NO MEU IPHONE. o mesmo que eu tava mandando mensagens, e tirando fotos? e de repente meu iphone está nas mãos dele. e eu de pé, meio desesperada, torcendo pra que ninguém tivesse a brilhante ideia de me responder as mensagens.

momentos de terror.

domingo, 19 de dezembro de 2010

o dia seguinte

toda uma novela essa minha vida.

comofas com o dia seguinte em que a gente aprontou na festa da firma? comofas quando a reunião que você tem, e que vai durar a tarde toda, é junto com o menino mais bonito do mundo. aquele que você estava beijando poucas horas antes? e a reunião é com os outros meninos, que VEJA BEM, podem ter assistido aquela cena bonita da noite anterior, de camarote? 

nunca se sabe.
 
comofas quando você sabe que tem um outro menino, alguns andares acima, que também pode ter sido visto. e que um não pode saber do outro? e que seria bom que ninguém soubesse de nenhum? mesmo quando você sabe que não tomou os cuidados necessários pra não ser vista?
 
comofas quando você não sabe exatamente quem te viu com um, quem te viu com outro, e quem te viu com os dois? comofas pra impedir que os assuntos se propaguem, e se misturem, e as pessoas troquem informações e descubram que você, menina fofa e educada, fez strike, como costuma dizer sua irmã?
 
comofas quando alguém insinua que te viu na festa, e você não sabe exatamente de quem a pessoa estava falando? e não pode perguntar, porque VEJA BEM, vai que você acaba contando que eram dois, e a pessoa achava que era só um?
 
cada encarada, cada sorriso meia boca. pra mim, é alguém que viu. alguém que sabe. alguém que tem informações. cada email que chega com links de fotos faz gelar a espinha. porque pode ser você, ali, em alguma situação que não devia ser registrada.
 
comofas quando você tem outra reunião, em outro andar, e é parada pela secretária principal, uma fofa que conhece todo mundo, e que vem te perguntar se os rumores são verdade, se você pegou mesmo o (inserir apelido do OUTRO menino, no diminutivo) na festa? e quando você, CORADA, pergunta como ela soube, ela responde. só se fala nisso aqui no andar? comofas? quando a sua chefa faz a mesma brincadeira, com a mesma pergunta, e o mesmo apelido carinhoso, no diminutivo, se referindo ao menino jornalista?
 
posso ficar feliz porque os dois não se conhecem, e porque PELO MENOS eu tive o cuidado de me entreter com meninos de áreas diferentes? posso torcer pra que quem circule pelas duas áreas, assim como eu, não tenha a brilhante ideia de discutir a festa?
 
***
 
com o menino número 1, aquele mais bonito do mundo, foi assim. 15 minutos de awkwardness, com a gente com vergonha um do outro. em seguida, tudo bem. ele continua incrivelmente bonito. não fiquei imune, não.
 
com o menino número 2, o também bonito e alto, muito alto, conversas começam a se desenrolar, tímidas. msn, seu lindo. a conversa continua boa. cinema, talvez, pro final de semana. vamos ver.

***

consequências. tamos aí. LIDANDO.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

o menino mais bonito do mundo

ok. nem todo mundo concorda que ele é o menino mais bonito do mundo. mas eu não conheço UMA pessoa que não olhe pra ele e não concorde que - sim - ele é bem incrível.

meu primeiro contato com ele foi ainda na oficina. eu ia realizar uns testes com usuários, e fui avisada em cima da hora que eles seriam assistidos pelo cliente. entre um teste e outro, tive a brilhante ideia de invadir a salinha pra papear com o cliente, pra saber o que ele estava achando, pra acertar os erros.

entrei na salinha num atropelo, e dei de cara com esse menino. pele branca, barba, olhos incrivelmente verdes. o cabelo castanho claro, cortado curto. perdi o rumo. mal consegui ordenar as palavras. saí da sala em estado de choque, e fiz um escândalo com as meninas na sala. quem é esse menino? por que ninguém me preparou para esse encontro?

elas riam, e boa parte já tinha passado pelo mesmo processo de choque. resolveram não me avisar de propósito. pra que eu passasse por isso. desde então, toda vez que o nome do menino mais bonito do mundo é pronunciado em um recinto, qualquer recinto, eu repito em voz alta, meio com um gemido. porque precisa. é o drama necessário que acompanha a situação.

há alguns meses, a notícia de que ele estaria vindo para a firma colorida. não na minha área, mas lá na outra, a equipe antiga e querida, do gerente de covinhas. quase morri. alertei todo mundo. o menino mais bonito do mundo vem aí. preparem-se. nos esbarramos vez por outra e o efeito que a criatura causa se manteve inalterado. em mim, nas outras meninas, nos meninos, o baile todo.

há três semanas eu chego numa reunião do projeto e ele está ali, sentadinho. quase morro. muita informação para a minha cabeça. enquanto ele era anunciado o novo responsável pela outra parte do projeto, o MEU projeto, eu lancei o iphone e twittei. susan miller, sua linda. porque ela tinha dito que urano era o fator incrível na minha vida. e urano trouxe o menino mais bonito do mundo para o meu projeto.

desde então, é susto todo dia. ele chega na minha mesa sem avisar e eu levo uns bons 30 segundos pra me acalmar e entender sobre o que estamos falando. eu fico desnorteada. quando ele sai, eu brinco. ele precisa me avisar da visita antes, pra eu me preparar. é tão bonito.

aos poucos, a gente vai se entendendo. ele me chamou pelo meu apelido no outro dia, e eu confesso uma pequena crise quando isso aconteceu. VEJAM BEM. não estou a fim dele. é só choque, mesmo. com aquela beleza toda concentrada numa só cara, a dele, ali, a poucos metros. me chamando pelo apelido, me olhando com os olhos verdes, se despedindo com beijo. quase morro. muita emoção.

ele tem namorada, obviamente. além disso é mais novo. não é um cara interessante. não tem essa coisa que eu super olho, a personalidade, a piada pronta, a risada. ele é tímido. tímido e lindo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Processando 2010 - parte dois

Em 2010 eu não me apaixonei nenhuma vez. Tive meu coração partido lá bem no inicinho, com covinhas encontrando o amor de sua vida bem debaixo do meu nariz, fiquei um tempão colando os cacos. Me envolvi com meninos errados e meninos certos. Nenhum dos envolvimentos foi pra frente. Valeu pra consertar minha autoestima, que sempre foi capenga. Eu sempre me achei sem graça. Aquele tipo de pessoa que você até acha ok, mas não é nada demais,  passa despercebida. Esse ano eu me olhei no espelho e o que eu vi foi uma mulher bonita. Desculpaê. Eu gostei do que eu vi.

Junto com a autoestima veio a atitude. O bancar uma one night stand, coisa que eu nunca tinha feito na vida. Menino Pedro, cabelos cacheados, saiu da minha casa um domingo de manhã e a gente nunca mais se viu. Eu estranhei, mas a vida seguiu. E eu pude me engraçar com o hipster, com o menino ruivo, com o menino de olhos azuis que não valia era nada, e com todos os outros. A arte de manter um relacionamento (?) depois das primeiras semanas, ainda desconheço. Aproveitei o ano pra ser inconsequente, pra tomar porres homéricos, pra stalkear guys from last night no facebook, pra dançar no pole dance do Vegas, pra correr risco de ser presa por atentado ao pudor dentro do carro do menino que não prestava. Foi bom, sabe? Foi divertido.

Flertei de leve no trabalho, flertei loucamente nas festas, e todos os meninos pelos quais eu me encantei tinham namorada. Uma droga, eu sei. Vida que segue. Todos os caras com quem eu realmente me envolveria já estavam envolvidos. E, justamente por serem caras tão legais, não estavam disponíveis para experimentar uma traição. E nem eu toparia.

Eu costumo me encantar com os caras mais legais. Isso é uma regra. Fica aquela aura de amor impossível, de coisa interrompida, de que pena, não pode ser. Eventualmente, quem sabe, eu acho um cara legal e disponível.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

geek whore

aí você esbarra num cara incrível, num desses eventos de trabalho. exatamente do jeito que você gosta. não exatamente bonito, a barba, o sorriso tímido por trás do cabelo bagunçado, o allstar colorido. vocês começam a discutir um case e antes que vocês percebam estão, os dois, rabiscando colorido nos papeizinhos. ele ordena as ideias escrevendo, e a letra é bonita. e ele escreve na folha sem pauta em linhas tão retas. minhas linhas são tortas, sempre foram.

ele deita o iphone no modo paisagem e digita furiosamente com os polegares. eu fico uau. porque esse não é um celular feito pra isso. pra digitar com os polegares. quer dizer. você *até pode* fazer isso. mas o design não favorece. o aparelho é escorregadio, mais largo, feito pra ser segurado com uma mão e acionado com outra. 

e o menino ali. ninja. 

e eu ali. uau. imaginando as maiores bobagens da história da humanidade.

geek whore. o/

é óbvio que ele tem namorada. precisa nem perguntar, né?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Teoria da distração

Venho elaborando cá comigo essa teoria. Se você está muito puto com alguma coisa, tipo 100% puto mesmo, você precisa se distrair. Faça uma bobagem qualquer, algo que te tire do assunto, do eixo, que desvie a sua atenção para outra coisa, ou outra pessoa, ou outra vida em geral.

Daí você continua puto com o que você já estava antes, mas só 50%. Ou 30%. Ou 10%. O importante é que o  espaço restante, aquele da distração, passa a ser gasto com coisas legais. E de repente, você está só 50% puto com alguma coisa, e 50% animado/distraído/gargalhando com outra. Ou 60%. Ou 90%.

Tenho colocado em prática. Isso explica uma parte das so-called bobagens que eu ando fazendo.

Vale cada segundo. De distração.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Menino de olhos azuis. The end.

Check.

Quer saber? Não foi nada de mais. Não foi legal. Ele não foi legal. Eu sabia que ele não era. Eu sabia. Velma avisou. A minha convivência com ele, ainda que esporádica, avisou. Tudo avisou. Eu sabia.


Eu estava curiosa. Porque tinha aquele lance de ele ser bem incrivelzinho quando a gente se encontrava. E era uma coisa mais de química, mesmo. A gente não tinha grandes conversas, assuntos. Não havia. Eu sou capaz de me apaixonar em dois tempos por um cara com quem seja fácil conversar, que seja espirituoso, que me faça rir. Ele nunca me fez rir. Quer dizer. Ele rendeu boas gargalhadas nas minhas longas conversas com velma querida, as duas concordando que tipinho mais babaca ele era. Com ele, eu nunca ri.
 
Mas era isso. Eu estava curiosa. Criei uma certa expectativa, não nego. Eu imaginei que passar a noite com ele seria ALGO. Por causa do piercing, por causa das mãos todas, por causa do algum senso de intimidade que acaba se criando quando você fica com a mesma pessoa muitas vezes.

E não foi legal.

Sim, ele foi escroto. Ficou malcriado, respondão, antes do que eu imaginava. Eu olhei pra ele, vazio, vazio, passive-agressive, enquanto ele tentava se fazer de vítima insinuando que eu estava brincando com ele - vejam só - e perguntei.

Mas já?

Ele não entendeu. Bobagem minha tentar uma conversa que exijisse um pouco mais de raciocínio por parte do menino vazio. Eu fui embora. E pensei que tudo isso foi mesmo uma grande bobagem.

Não me arrependi. Nem um pouco. Eu queria saber, eu caminhei com as minhas próprias pernas até a casa dele. Eu experimentei. Valeu por isso. Agora eu sei. O que eu já sabia, mesmo.

Pensei na Velma, e na sorte que ela teve de ser abandonada enquanto dormia.

De resto, ainda pensando em Velminha, eu acho que finalmente entendi o que ela queria dizer quando falava sobre ele não ser legal. O menino de olhos azuis deixa uma sensação ruim quando vai embora. Ou quando a gente vai embora, anyway. Fica isso. Essa coisa ruim. 


De perda de tempo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O menino nórdico

Porque o buraco é sempre um pouco mais embaixo.

Há umas semanas teve uma festa da firma. festa que rola vez por outra, meio karaoke, com uma banda do pessoal da equipe antiga. E geralmente eles chamam todos que já saíram da firma, e isso sempre serve pra encontrar as pessoas perdidas. E eu perdi dois amigos para o mercado recentemente. Uns dias sem um deles e o meu coração doi. Ele era quem sempre pedia a minha coca-cola, com gelo e sem limão, antes mesmo de eu me sentar na mesa. O que eu vou dizer? Se alguém olha pra você, diz que você é foda e que te paga uma fortuna, você tem mais é que ir embora, mesmo. Foi o que ele fez. Eu respeito ele mais ainda por isso, mas meu coração despedaça a cada vez que eu entro no restaurante árabe sem ele.

E ele foi na festa, junto com a amiga, junto com aquele pessoal esperto dos outros andares, com quem a gente pouco esbarra, mas que, em alguns casos, até topava esbarrar muito mais. E eu tava lá. E tinha esse menino desenvolvedor, que trabalhou na firma até meados desse ano. Desde o ano passado eu achava ele meio incrível. Eu era tímida, ainda não estava nessa fase meio pomba gira em que me encontro agora. Ele é alto, meio louro, magro, mas do tipo que vai à academia. Preferia até que não fosse, vejam bem, mas ele vai. E ele toca guitarra, e eu sempre vou achar isso um charme. E ele tem o olho meio puxadinho, mas é louro, nórdico, sobrenome alemão. Acho bem digno.

No ano passado, enquanto eu seguia o coworker territorialista pelos corredores, eu esbarrava nesse menino. Nunca percebi ele me olhando, nada de mais, nada além daquela troca de olhares normal. Saí da firma colorida, fui pra oficina. A firma colorida cliente, de vez em quando a gente esbarrava nas pessoas, por lá, observando os testes com os usuários. E teve esse dia que ele foi. E eu não sabia. E quando eu soube que era a minha amiga querida na salinha de observação, entrei lá que nem uma flecha, fazendo festa. E era ele, lá, com ela. Fiquei sem graça, sorri, vida seguiu. Voltei pra firma, nos esbarramos algumas vezes, aquela coisa default. Quando chegou o email de despedida dele, eu pensei. Oh, crap. Mas nem era assim, algo importante.

Quinta feira, festa da firma, ele aparece. Trocamos olhares. Sóbria, eu fico sem graça. Cumprimentei, começamos a conversar. Ele me contou como estava, onde estava, falou que tinha saído da firma porque foi aprovado num concurso público whatever e era hora de buscar estabilidade na vida. Estabilidade. Tudo que eu não procuro na vida. Eu quero a aventura, thankyouverymuch. Falou que estava pensando em "casar, constituir família". Eu disse. Nossa. Tudo do que eu mais fujo.

Não deu meia hora, eu ainda sóbria, ele me pegou pelo braço. Pra me dizer que desde o ano passsado me achava incrivel, bla bla bla whiskas sachê. E eu. Nossa, menino. Mas que surpresa. E ele segurando o meu braço. E eu. Mas assim você me deixa sem graça.

Abre parêntesis.
Estivesse eu bêbada, como sói acontecer, enlaçava meus dois braços em volta daquele pescoço e o resto era história.
Fecha parêntesis.

Eu estava sóbria. Fiquei sem graça mesmo. E não rolava pegar ele ali, no meio da festa da firma. Pelo que eu me lembrava, de acordo com um leve stalking uns meses antes, o menine tinha até namorada.

Vida seguiu. Cheguei em casa, resolvi buscar. Facebook, e coisa e tal. E tava lá. In a relationship.

Pulei fora. Porque. Né?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

o menino de olhos azuis - parte 5?


Então. Percebo que cometi um erro básico. Eu estou lidando com ele esperando que ele siga um determinado padrão de comportamento. E eu não sei se ele percebeu isso, mas fato é que ele começou a fazer tudo ao contrário. Arrisco dizer que de propósito. Meu aniversário foi um belo exemplo disso.


Vou contar.

Recapitulando. Ele tinha aparecido perguntando do aniversário e eu super fiz charminho, dizendo que claaaaro, eu super ia convidar. well. não convidei. Estava numa reunião quando ele me mandou uma mensagem, perguntando se o aniversário era naquele dia mesmo, e onde seria. Eu respondi e, novamente fazendo graça, perguntei se ele iria aparecer.

Que fique claro. Eu não queria que ele fosse no meu aniversário. Eu queria, sim, que ele aparecesse no final da festa, e aí, quem sabe, eu sairia com ele.  Escondido. Eu estava tranquila, certa de que ele não apareceria no meio da festa, pra não se expor. Ele nunca se expõe. Ninguém sabe. Ninguém vê. Certo?

Errado.

Eu estava no meio de Mr. Brightside, já meio bêbada, quando o vi atravessando o salão. Demorei a reconhecer. Miopia misturada com vodka, agravada pelo fato de que eu nunca o vejo à distância, assim, andando, se movendo. Meu ângulo costuma ser muito mais próximo. Close up. Ele atravessou o lugar e se sentou com meus amigos. E eu perdi o tom, perdi o rumo. Fiquei mesmo sem saber o que fazer.

Acabou a música, eu fui cumprimentar. Beijo no rosto, civilizado. Ele agarrou a minha cintura e tentou me beijar. Eu desviei, ele me mordeu a bochecha e debochou da minha cara de choque, dizendo que eu estava muito comportada.

Eu perguntei. Você está louco? São os meus amigos. O que você esperava?


Ele riu. E debochou novamente. E enquanto eu, de pé ao lado dele, conversava com uns amigos, ele agarrava a minha perna, e me dava beliscões. Juro. Resolvi mandar um sms, dali mesmo. Mandei ir lá pra fora, e me encontrar. Hohoho. Ele foi. Eu estava indo, logo atrás. Eis que uma voz me chama. Era a minha vez de cantar Total Eclipse of the Heart. Voltei. Cantei. Enquanto eu cantava, ele me mandava sms. Onde você está? Eu respondi. No palco.

Finalmente lá fora, falamos pouco. Eu estava constrangida. Ele perguntou se eu não queria que os meus amigos nos vissem juntos. Eu disse que não.

parêntesis. e eu não quero mesmo. eu tenho vergonha de ser vista com ele. ele não é legal, repito. além disso, tirando o fato de que sim, ele tem o seu charme e um rosto bonito, ele não é o tipo de cara que me atrai. não é alto, o cabelo começa a implorar por um corte, a barba maior do que devia ser permitido. um visual todo largado. uma arrogância disfarçada, eu sou bom demais pra todos vocês. não curto. fecha parentesis.

Acabamos concordando que do jeito que as coisas estavam era mais simples. Até porque não há nada a ser dito. Não há nada a posicionar. Não nos encontramos socialmente. Não somos amigos.

E eu comecei a me dar conta de que o cretino tinha feito de propósito, MESMO. Que ele foi lá pra me expor, enquanto ele permaneceria totalmente protegido. E ainda serviu pra fazer graça, pagando de gatinho para os meus amigos, que conhecem e interagem socialmente com ele.

Ele começou a insinuar que eu podia sair da festa com ele, eu cortei. Meu aniversário. Acorda. E então ele começou a fazer mimimi, dizendo que precisava acordar cedo, e que tinha não sei o que pra fazer não sei aonde, e não podia demorar. Eu perguntei. Por que você veio, afinal? Vá pra casa, vá dormir. Ele disse. Eu vou. E foi. Acompanhei até a calçada, nos despedimos e eu voltei bem a tempo de cantar Bon Jovi com meus queridos.

Chegando em casa, percebi que, como se não bastasse todo o resto, o espertinho tinha mexido na minha cãmera, e configurado para o modo manual. E não avisou ninguém. E todo mundo continuou fotografando como se ela estivesse no automático. E não sobrou UMA foto boa pra contar a história.

#fail

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

consultório de freud

eu começo a falar do menino de olhos azuis, e da ideia das coisas serem assim, sem compromisso, sem expectativas, com um tentando dar xeque-mate no outro. freud começa a questionar as minhas reais intenções, e diz que eu posso me machucar. hello. a gente sempre se machuca. a diferença é as regras do jogo estarem claras, desde o início. dessa vez, estão. eu não vou me envolver, eu sei bem o tipo de pessoa com a qual estou lidando. e, sim, eu quero continuar lidando com isso. é escolha. não é tipo outro tipo de história que o cara se mostra apaixonado, você cai como um patinho e assiste, despedaçada, ele dizer que não é bem assim, que não pretendia que as coisas se tornassem sérias. nesse caso, não há aviso. é meio armadilha, mesmo. com o menino de olhos azuis, não tem armadilha. eu saio com ele quando eu quero. ele sai comigo quando ele quer. ninguém fica esperando telefonema no dia seguinte. ninguém espera nada. é combinado assim.

freud franze a testa. eu olho, e pergunto se ele está me julgando. freud diz que não, mas que precisa me mostrar todos os prós e contras, me fazer enxergar todos os desdobramentos que a história pode ter. que eu não controlo nada. eu não controlo, in deed. eu sei que eu não controlo. mas eu estou me divertindo. não é vingança, não é só dar a volta num cara que costuma dar a volta em garotas como eu. é mais que isso. é experimentar ser de um outro jeito, ser uma pessoa que não faz drama, que não cria expectativas, que aproveita o momento. esse é o desafio, aqui. sejamos sinceros. eu já sabia onde isso ia terminar. eu já sabia que isso terminaria com ele conseguindo o que quer, o que quis desde o primeiro segundo. e, ok, eu também quero. quero ver qual é, o que tem de tão especial esse menino vazio. mas que sabe direitinho o que fazer quando não está preocupado com a própria imagem refletida no espelho.

e freud ali, testa franzida. eu encarei, sorri de leve e disse. por que você não me diz o que realmente pensa? é por isso que existe o divã, não é? não é pelo paciente. é por vocês. o divã protege vocês da nossa expressão inquisidora, e vocês podem, finalmente, falar o que realmente pensam.

dra freud sorriu. e disse. então, minha querida, na próxima semana você vai se deitar, de costas pra mim.

pânico. eu não quero me deitar de costas pra ela. eu gosto do olho no olho. de controlar aquele espaço, espalhar as almofadas de forma que eu esteja confortável. eu acho que ficar de costas me deixaria vulnerável. talvez tenha sido isso. eu começo a não estar vulnerável naquele divã, sentada, frente a frente com quem me analisa.

e, aparentemente, isso acaba de me ser tirado.

divã é simbólico demais. não sei se eu dou conta não.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ainda sobre o menino de olhos azuis


O mais divertido mesmo são as conversas que rolam em paralelo, entre Velma e eu.

Ela me conta as investidas dele, eu conto as investidas dele. A gente discute por horas, fala da vida, bola planos malignos pra humilhar o pobrezinho em praça pública. Ou pelo menos dar a ele um tiquinho do próprio veneno. Óbvio, depois de esfriar a conversa, percebo que iríamos, as duas, ser processadas se fizéssemos um terço do que planejamos. 

(A minha teoria é assim. Ele vai abrindo todas as janelinhas de instant messengers que ele acha. Lança a mesma frase isca pra todas as meninas. As que caírem, ele vai dando corda.)

Nesse meio tempo, eu e Velma, cheias de assunto. Ela me dizendo que ele procura ela, com papo furado, também tarde da noite, no gtalk. E que ela disse pra ele que estava vindo pra são paulo visitar a amiga cedilha dele. Sucedeu-se um silêncio profundo e ele desapareceu. Correu para as montanhas.

Ontem à noite ele veio me perguntar se vai ser convidado pro meu aniversário. Eu disse. Claaaaro. Você vai, né? Ele pergunta. A Velma vai? E eu. Não. Por que a pergunta? E ele. Você me disse que ela vinha. E eu. Eu? Por que eu te diria isso? Acho que você se confundiu. E ele. É. Devo ter me confundido. o_O

Ele nem sabe mais com quem está falando, se comigo ou com ela. Deve estar levemente com medo de esbarrar em nós duas juntas. Deve ficar intrigado com essa nossa amizade, se perguntando se a gente fala ou não sobre ter ficado com o mesmo cara.

Well. A gente fala. A lot.

Estou pensando cá comigo, que é hora de botar fim na questão. Eu posso tanto pular fora agora, como já venho fazendo, e simplesmente não dar mais papo. OU. Eu posso ceder aos encantos da criatura. Dizer que eu não estou curiosa seria mentira. O pulo do gato seria fazer com ele o que ele fez com Velma. Desparecer enquanto ele dorme.

Se eu fosse filhadaputa, assim como ele é, eu ainda podia esbarrar, assim, por acidente, na Nespresso dele. Tô pra ver fixação maior em homem, ultimamente. A bendita máquina caríssima de fazer café.

domingo, 17 de outubro de 2010

menino de olhos azuis, parte 4

Toda uma espécie de código se desenrolando. Eu dou check in no foursquare, e de alguma forma isso serve de sinal para o menino de olhos azuis. Se ele estiver por perto, ele me manda mensagem. Vez por outra, eu dou corda e ele vai me encontrar. Daí teve esse dia que ele começou a  insistir e eu disse que ele não fosse. Porque estava com meus amigos.  Deixamos para o dia seguinte. Passamos a noite trocando mensagens engraçadinhas. Meio que combinando.

Dia seguinte, ele sumiu. Hohoho, eu devia esperar, bla bla bla whiskas sachê. Fiquei puta. Ele me mandou uma mensagem que dizia apenas "work issues", e não deu mais notícias. 

Work issues my ass. Ele nem conseguiu me levar pra cama ainda, onde é que já se viu me dar perdido? Tem que ser mais educado, assim que eu penso. Enquanto isso, ele dava check in na fnac, check in num café, twitava alguma coisa sobre ter achado o blu ray de homem de ferro whatever. E eu. Filho da mãe. Nem é por causa de alguma outra garota, situação que eu estou preparada para lidar, dada a filhadaputisse da pessoa em questão. Não. Fnac. Home de ferro.

Ele sumiu. Eu sumi.

Semana passada ele ressurge. Gtalk, msn, mensagem no celular. Querendo sair. Perguntando quando é que ia me ver. Eu, atordodada com o prazo de um trabalho e ainda mordida com a descortesia, cortei:

RT @meninodeolhosazuis work issues.

Ele tentando me convencer a largar o trabalho e sair com ele, achei melhor provocar. Disse que agora quem não queria era eu. E que ele tinha perdido *a* chance, porque no dia que ele sumiu, eu estava sozinha em casa e mal intencionada.

BINGO.

Desde esse dia, ele não me deixa em paz.

domingo, 10 de outubro de 2010

dos textos adormecidos

(post escrito em 29 de dezembro de 2009, censurado, adormecido. que eu reli, agorinha, e não mudei nenhuma vírgula. porque é isso, mesmo. exatamente como eu escrevi. há quase um ano atrás.)

~ o irmão mais velho da amiga ~

Então, vamos lá. Eu tinha uns 16 anos quando me apaixonei irremediavelmente. Ele era irmão mais velho da minha melhor amiga. Louro, olhos azuis. Não era do tipo que arrasava corações, era até bem bobo, na verdade. Nunca soube o poder que tinha.

Tocava piano lindamente. Tocava violão lindamente. E eu lá. Embasbacada. Sem coragem de me declarar, escrevendo páginas e mais páginas em agendas, chorando até dormir, torcendo para ser vista. Ele nunca me viu. Ele levava e buscava nas festas, ligava nos aniversários, trocávamos um monte de histórias. Cada vestido que eu usava, era pra ele. E ele nunca me viu.

E, naqueles quase dois anos em que eu girei em torno dele, ele ficou com cada uma das minhas amigas. Namorou uma delas. Partiu meu coração todos os dias. Em pedaços pequeninos. Eu sofria calada, me achava feia, justificava a  sua falta de atenção no meu andar desengonçado, na minha falta de charme.

A primeira vez que eu beijei um menino, foi tentando fazer ciúmes nele. E ele não viu. E a vida seguiu. E, um dia, eu resolvi que ele devia saber. Tinha esse amigo oculto, e eu mexi uns palitinhos pra que ele fosse o meu. Comprei um cartão bonito, onde deixava mais do que claro o que eu sentia. Foi um espetáculo de coração partido em praça pública.

Ele nunca mais falou comigo depois daquele dia.

Meu coração se partiu, o que sobrou eu colei, sozinha, e congelei. Essa história de coração congelado é conhecida, por aqui. Por causa dele eu tomei cuidado com cada pessoa que mostrou interesse em mim, depois desse dia. Pra não quebrar, pra não machucar. Porque eu fui quebrada e machucada.

Mudei de cidade, mudei de amigos, de vida. Mas continuei quebrada. Tentei acreditar que ele não tinha mais efeito sobre mim, que eu estava curada. Uns cinco anos depois, encontrei com ele numa dessas lojas de conveniência em posto de gasolina. Meu irmão estava comigo, e eu era uma nova pessoa. Mais confiante, mais segura, mais consciente de que era, sim, uma mulher bonita. Nos encontramos e conversamos, aquelas conversas vazias de quem não sabe muito o que dizer. Quando saímos da loja e eu entrei no carro, meu irmão me disse: Balançou, hein? Aparentemente, era óbvio o vermelho nas minhas bochechas, as minhas mãos meio tremendo, a agitação. E eu me dei conta de que era a mesma pessoa, ainda.

Há quinze dias nos encontramos de novo. Depois de mais uns cinco anos, arrisco dizer. Eu estava linda, vestido de festa. Cheia de histórias da metrópole, feliz, segura. Viramos pessoas diferentes. Nunca daria certo, e coisa e tal. O tipo de coisa que eu, racional, digo e repito. Eu sei disso.

Mas vai explicar isso praquela garota de 16 anos, rimel borrado no rosto, desengonçada, rejeitada? Porque, novamente, era ela girando em torno dele. E rindo, e sendo gentil, e simpática, e fazendo charme. E ele não viu. Não importa o que eu fizesse aos 16 anos, não importa o que eu faça agora, aos 30. Ele é imune a mim. Não vê, não liga. E eu posso, sim, encher a boca com todas aquelas frases feitas de ele não me merece, e whatever, mas a verdade é que tem essa garota gritando dentro da minha cabeça, sem entender por que diabos ele nunca olhou pra ela.

Ela nunca foi desengonçada. As fotos estão lá, desde sempre. Ela era linda. Eu estava linda, há 15 dias, sendo rejeitada por ele.

domingo, 12 de setembro de 2010

a teoria dos pacotes


Eu tenho pensado muito, muito nisso, esses dias. É engraçado como a cabeça dá voltas e para sempre em lugares parecidos. Ou tudo parece virar um sinal. Eu estava olhando o reader e essa imagem me apareceu. Quem postou não fui eu. Foi ela. Até pensei em deixar um comentário lá, mas me dei conta que meu comentário seria um post. O post que tem estado em looping dentro da minha cabeça, há mais tempo do que eu posso imaginar. O post que talvez não tenha, até agora, achado as palavras certas para me escorrer para os dedos. Ontem, pelo twitter, uma amiga querida disse que lembrou de mim e da minha teoria dos pacotes. Porque tinha lido um texto a respeito. Um texto que falava que um comerciante de pedras preciosas, ao comprar um lote, deveria se ater às gemas defeituosas. Porque as melhores gemas, essas serão sempre maravilhosas, e serão facilmente vendidas. Mas que a decisão de compra do lote deve ser tomada após cuidadosa análise das gemas ruins, feias. Deve-se pensar em como elas podem ser trabalhadas, o que de bonito pode ser extraído delas. The perfect gemstones are blinding. E eu já vinha pensando nisso. No quão sofrido é quando a gente acha gente que gosta da gente, ou que diz gostar, mas impõe condições, aponta os defeitos. E eu fico pensando que num mundo perfeito, esse tipo de coisa não existiria. Você se cerca de gemas perfeitas, ou do que enxerga de perfeito nas gemas, e passa a apontar o dedo, e empurrar pra longe tudo aquilo que não brilha, ou que você não vê brilhar.

Eu penso que o bonito é abraçar qualidades e defeitos, sempre. Aceitar, entender, trazer pra perto. Sabe amor incondicional? Amizade incondicional. Eu tenho essa ilusão. De que num mundo perfeito as pessoas se entendem, basta olhar. Não funciona assim. Eu sei. Viver nessa ilusão me arranca pedaços todos os dias. No final do brilho eterno de uma mente sem lembranças, por exemplo. Quando o Joel e a Clementine estão se dando conta de que os defeitos deles afastaram os dois. E ela fala que ele parece velho, e é rabugento, e que ele fez com que ela se achasse chata. E quando ele diz que acha ela ignorante, e que disfarça a falta de autoestima nas cores berrantes no cabelo, e que ela usa sexo pra fazer as pessoas gostarem dela. E os dois estão em silêncio, ouvindo as fitas, quase sem poder se encarar. Porque se machucaram demais, e não parece mesmo haver caminho de volta. E ela sai pelo corredor, e ele vai atrás, e pede que ela espere, e que fique ali com ele, um segundo. E estão os dois, cada um encostado numa parede, frente a frente. Um olhando para os defeitos do outro. Duas gemas estragadas, ruins, defeituosas. Ele diz que não vê nada que ele não goste nela, naquele instante. E ela diz que ele irá. Ele irá, eventualmente. Porque é isso que acontece. E ele diz okay. E ela diz okay. E eles riem.

Eu estou um pouco esgotada, sabe? Eu fico olhando de longe. Imaginando onde é que estão as pessoas que pensam assim como eu. Que toleram mais do que atacam. Que dizem okay, com lágrimas nos olhos, te aceitando do jeito que você é. No matter what. As gemas perfeitas cegam. E é fácil achar gemas perfeitas. Não há mérito nenhum nisso. Mérito está em aceitar as pessoas assim como elas são. Amor que impõe condições não é amor. Amizade que impõe condições não é amizade.


"I'm selfish, impatient and a little insecure. I make mistakes, I am out of control and at times hard to handle. But if you can't handle me at my worst, then you sure as hell don't deserve me at my best."
  Marilyn Monroe