Mostrando postagens com marcador outburst. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador outburst. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

liquidificador

não tem como falar de trabalho, aqui, sem acabar falando demais. então eu me apego a metáforas.

existe um processo. que se propõe a ir no início das coisas, conversa com cada envolvido, alinha as demandas, estrutura as necessidades por ordem de urgência. cada detalhe vira um post it, dividido por temas, agrupados por temas ainda maiores. cada post it ali.

e você se vê numa sala de reuniões por HORAS, discutindo o óbvio que acaba não sendo óbvio porque se ninguém falar ele não vira post it. e quando eu digo horas, pessoas, acreditem.

:~

foi assim em dezembro, em dias intercalados. tem sido assim em janeiro, essa semana, terça, quarta, quinta, sexta. cada post it colado, cada vez que o problema fica mais claro (e maior), eu penso MERMÃO, como proceder?

porque eu sei que dá pra fazer. mas é tão gigante, tão gigante, tão absurdamente avassaladoramente gigante, e ao mesmo tempo tão detalhado, cada post it interligado, dependente de outros post its. eu respiro fundo, fundo.

voltei a atacar as unhas feitas, mas ainda sem esmalte. sofri vendo minha fraqueza. eu desespero, unhas desaparecem. cheguei em casa e pintei de vermelho. pra poupar. eu olho os post its, e a conversa que se aprofunda demais quando não precisa, e se você distrai 5 minutos você perde o raciocínio, desacompanha a barca. e quando finalmente acaba você tem sede, e fome, e vontade de deitar, e dormir, quem sabe morrer.

e eu penso assim. é tudo novo. eu me meti nesse liquidificador, e eu tenho tomado uns tombos violentos quando me distraio. mas eu sei fazer. eu sei. só é grande, e complicado, e maior e mais grandioso do que tudo o que eu já fiz e já vi fazerem antes. em lugares mais, hum, ninjas. vamos colocar assim.

eu sei fazer. precisa de tempo, e de nervos, e de tripas, o tempo todo. precisa de calma, e isso eu não tenho tido tanta. mas eu sei. é possível. e daqui algum tempo, sabe-se lá quanto, eu vou olhar pra trás e saber que eu fiz. que deu certo. que passou a fase ruim.

mas a fase ruim está aqui, agora, me encarando com sua parede infinita de post its. eu tento imaginar o futuro. eu penso que eu estou passando por isso, aqui, para que ninguém mais precise passar. pelo medo, pela confusão, pelo desespero. 

eu fico querendo que no meio das reuniões alguém olhe pra mim, sorria com calma e diga que vai ficar tudo bem. que já viu isso antes, que é assim mesmo, que demora, é custoso, mas vale a pena. 

tudo o que eu tenho, agora, é essa certeza teimosa de que dá pra fazer. e que eu sei fazer.

build, and they'll come. campo dos sonhos. to aqui. construindo. precisa acreditar. to aqui. tentando.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

friendly fire

nunca tinha ouvido nada de sean lennon, até que li a história do segundo disco dele. gosto de falar disco, dá um ar antiguinho, cheio de charme. bem, vou resumir, ele tinha essa namorada, amor da vida dele, e tinha também o melhor amigo, daqueles de anos. fez um disco, parou, seguiu a vida. e o amigo e a namorada dele se envolveram, e ele perdeu os dois amores, de uma vez só. amigo é amor, já falei. acaba sendo. daí, no meio desse sofrimento todo que ele deve ter passado, ainda sem conseguir processar os acontecimentos, o amigo morreu, num acidente.

e agora? 

sean processou toda a história, toda a dor, toda a perda, toda a impotência diante de algo que não poderia ser resolvido jamais, jamais, fazendo música. sete anos depois do primeiro disco, ele lançou friendly fire, um disco lindo lindo, triste, sofrido, que fala de amor. de perda. de como a vida acontece e deixa a gente sem rumo. e de como isso é bonito, ainda assim.

friendly fire.

tem dor, tem raiva, tem tristeza, decepção, tem amor, dor de coração, abandono. tem alguma resignação. tem vida, sabe?

só fui escutar esse disco outro dia, e não consigo parar. sean confirma a minha teoria de que as grandes obras são sangradas, coração fatiado, espremido, exposto.

é bonito demais.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

a pessoa tinha feito uma promessa

depois de um último surto *importante* dentro da shoestock, em dezembro do ano passado, não comprar mais sapatos, até a cirurgia.

e assim foi. sem sapatos. um longo e tenebroso inverno.

daí chega minha irmã em casa com a notícia de que uma das lojas mais tradicionais da cidade está em liquidação. eu não quis nem saber. coloquei uns esparadrapos nos lugares mais sensíveis e calcei a boa e velha sapatilha pink, a mais larguinha. inventei um andar meio robocop e migramos, as duas, pra ver a liquidação. eu tenho uma sapatilha arezzo comprada nessa loja por 49 dinheiros. acho coisa incrível. bora aproveitar.


minha irmã experimentou um a um pra mim. teve sapatilha de oncinha, de verniz, bota de cano curto verde, oxford dourada. surtei. e, quer saber? eu merecia. 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

então é mais ou menos assim o tamanho do drama

estou a 3 dias das tão esperadas férias. quinta feira cedinho eu pego o carro e vou pra casa. corro na costureira que está fazendo o vestido incrível de babados que eu sonhei, fazemos os últimos ajustes, corro no anestesista pra discutir a cirurgia dos pés, na próxima segunda-feira. corro no ortopedista pra mostrar os exames e fazer os últimos acertos, corro na costureira de novo, pra experimentar o vestido. manicure, pedicure, visita a vó, espero o meu menino, chegando na sexta, pra ser apresentado a toda a família. não sei como vai ser isso. primeira vez que eu coloco a mim e às pessoas nessa situação. ter namorado/ser namorado/conhecer namorado. volto na costureira e torço pro vestido lindo lindo que só existe na minha cabeça, mas que vai existir, impecável, na vida real, pra me vestir pro casamento de anne louise, estar pronto. estando pronto o vestido, corro pro rio. mostrar rio pra paulistano em pouco mais de 24 horas não vai ser possível, mas eu queria chegar direitinho, pela linha vermelha, dando volta do tamanho do mundo, só pra cair ali, no centro, e passear pelo aterro, e apontar os lugares, pra ele ver o lugar lindo lindo que a cidade é, mas que eu não gostei o suficiente pra continuar morando. corro então pra fazer o cabelo, a maquiagem, passar em casa, do outro lado do mundo, deixar as malas, comer alguma coisa, pegar taxi e voltar pro cais do porto, onde eu vou dançar até cairem os pés, os mesmos pés que verão um bisturi dois dias depois.

vai ser dia dos namorados, alguém já notou?


e eu vou ter mais uma primeira vez, dessas que a gente finge que não liga. mas liga.

liga sim, liga muito.

o vestido não está pronto, e eu ainda não estou de férias. as malas nem começaram a ser feitas e eu tenho 3 projetos pra fechar na firma colorida antes de me ausentar. estou fingindo que não é coisa demais, que vai dar tempo de fazer tudo, que não é grave, é bobagem. foco no que realmente importa. meus queridos se casando, meu vestido azul, meu menino. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

houve essa época em que eu era brigona, sabe? respondia professora, devolvia desaforo, mandava e-mails falando absurdos. brigava de volta, mesmo. daí eu comecei a sofrer algumas perdas, dessas que a gente acha que nunca vai se recuperar. ou que a gente até se recupera, mas fica meio manco, ferida de guerra, pro resto da vida.

não foram amores. quer dizer. amigos sempre foram, pra mim, categorizados como amores. eu comecei a ver que na vida a gente vai deixando as coisas pelo caminho, e nem sempre eu estive preparada para deixar assim, as coisas pelo caminho.

então eu achei que era a minha personalidade agressiva, a culpada. e eu abrandei o meu tom, as minhas palavras, me vesti de amor profundo por aqueles que me rodeavam. passei a calar mais, a brigar menos. chocada, comecei a ouvir. tudo aquilo que os meus gritos abafavam, tudo aquilo que parecia não existir quando era eu a pessoa a desferir grandes verdades, grandes ofensas.
e eu vi gente mal educada e cruel, gente tratando gente com ironia, indelicadeza. gente assim como eu era, e escolhia não ser.

naturalmente, eu fiquei mais sensível. mais calada, mais reflexiva. passei a tomar todo o cuidado do mundo com as palavras, a ter horror à ideia de magoar qualquer pessoa que fosse, porque eu sabia que eu podia, se quisesse. passei a não retrucar as bobagens que eu escutava. e assim eu fui levando a vida. desse jeito pacífico e meio adorável, acreditando que eu podia ser apenas alguém agradável. 
 
mas eu tenho natureza belicosa. sempre tive. e passei a me culpar a cada vez que não reagia, a me julgar passiva e covarde a cada vez que alguém se dispusesse a ser cretino comigo.

e, meodeos. como tem gente cretina no mundo.


adiantou foi nada. mesmo fazendo tudo direito eu continuai perdendo pessoas, sendo deixada pelo caminho. mas agora era diferente, porque eu tinha também a sensação de  estar desprotegida, já que eu não rebatia, apenas absorvia os acontecimntos e remoia, remoia. e chorava, sentida.
o que esse período de garras aparadas (e unhas roidas) me trouxe foi uma tolerância baixíssima a qualquer tipo de rispidez, voz em tom mais alto ou grosseria. não aceito, não tolero. eu também fiquei mais sensível ao que acontece com as pessoas à minha volta, uma coisa de prestar atenção, mesmo.

aos poucos, com algum equilíbrio, que só os anos de clausura poderiam ter disciplinado, minha agressividade volta. para os casos em que não, não é ok apenas escutar. para os casos em que rispidez vira instrumento de coação, de convencimento, de violência gratuita. não gosto. não topo. a pessoa meio que morre, pra mim. não sem antes receber um contragolpe.


em volta de mim eu quero gente gentil, assim como eu sou. ou como eu me condicionei a ser.

sábado, 8 de janeiro de 2011

as coisas começaram a ficar preocupantes quando eu percebi que chegou o email com a escala de plantão e eu fui lá checar se o jornalista ia trabalhar. tipo. que espécie de pessoa eu me torno, de checar coisas de uma pessoa que não é nem nada minha? ele não ligou mais depois de sair da minha casa. eu não quero saber sobre a viagem dele. dei hide no facebook, não quero ver, nem saber de nada. nem ver fotos. a festa que ele foi é um tipo de festa que eu jamais poria meus pés. se pessoa equilibrada eu fosse, eu já teria submetido esse menino na minha matriz swot e decidido que ele não serve mesmo. gosta de lugares estranhos, musica estranha, festas bizarras. dessas que só tem piriguete e moleque. sem preconceito. imagina. mas não combina comigo. ele é mais novo. o suficiente pra levantar a sirene e dizer RUN. e eu to aqui. por que ele não me ligou? filho da puta, igual a todos os outros. e ele foi pra pasta the others, pra eu não ver online, e me proteger da dor de coração que é ver ele ali, não falando comigo. e eu vou checar a porcaria da escala de plantão do final de semana, uma planilha que não me interessa EM NADA, pra ver se ele vai estar de sobreaviso. o menino jornalista. alto e legal. que gosta de filmes e me deixou absolutamente sem rumo. que andou de mãos dadas comigo até o cinema. que parece não se importar. que continua gostando de música ruim, e indo a lugares que eu não frequentaria. minha matriz swot, se eu fizer, desequilibra. tanto ponto que não serve. que burra que eu sou. que idiota. meodeos. alguém me mata, faz favor.

sábado, 27 de novembro de 2010

ainda.

quanto tempo é permitido sofrer? qual é o prazo socialmente aceitável?

não estou falando do let go. o let go já veio. eu já entendi que nem sempre a gente consegue manter por perto aqueles de quem a gente gosta. que os estragos são feitos, e uma coisa piora a outra, e muitas das vezes a gente perde o controle. e tudo fica pesado demais para ser simplesmente apagado, esquecido. 

não estou falando do move on, do achar novas pessoas, fazer novas coisas, descobrir outros caminhos.

estou falando da perda, propriamente dita. da saudade que fica quando a raiva vai embora, quando você consegue dissociar as coisas ruins que ouviu do que é verdade, porque sabe que só foi machucada porque também machucou.

estou falando da saudade que te toma de assalto quando você vê a pessoa passeando distraída na rua. Quando vê um livro e sente o impulso de comprar, porque sabe que ela gostaria de ganhar de presente. Ou quando vê um desenho, ou uma fotografia, ou um filme. a cada vez que surge um momento desses, um impulso quase inconsciente traz de volta as lembranças, ainda tão vivas.

eu morro de novo, e de novo.

e o tempo destrói tudo. o tempo desembaça a vista. hoje eu vejo que houve um momento em que eu poderia ter trazido ele de volta. ali, parado na minha frente, sorrindo. eu me assustei. e reagi com medo, depois com gritos, com todas as coisas que andavam engasgadas junto com o choro. minha reação foi a mais verdadeira possível. naquele momento. se hoje a mesma cena ocorresse, se eu fosse surpreendida com um sorriso, talvez eu sorrisse de volta. e eu sei que eu ia desabar, e chorar tudo aquilo que eu já chorei em dobro. e olhar com raiva, depois com pena de estarmos os dois nessa situação, depois com alguma ternura, dessas que sobram, mesmo quando todo o resto desanda. e abraçar com força, pra segurar e não deixar ir embora. porque o último abraço que eu dei selou o fim. e eu sabia, no momento em que soltei os meus braços e recuei.

todo o resto desandou. e no outro dia eu pensei. e se eu abrisse os vidros do carro e gritasse o nome dele? e sorrisse? e tentasse olhar nos olhos, buscar aquela ligação que um dia existiu, tão firme, tão limpa. e eu perguntasse. até quando? até quando a gente vai passar por isso assim, de longe? sem falar, sem saber? evitando cada encontro, evitando cada troca de olhares? será que existe uma outra forma de passar por isso?

eu sei que eu fui machucada. eu ainda estou. eu ainda choro até dormir. ainda ontem eu não conseguia sair do carro, porque o mundo desabou de repente, assim, sem aviso. faltaram as forças, mesmo. porque eu sinto saudades. porque eu sei que eu machuquei de volta.

e não interessa que eu não tivesse a intenção. eu machuquei. e toda a raiva que veio, veio porque eu fugi. eu me afastei. eu cortei. eu me arrependo. eu não sei como eu poderia ter feito diferente, não sei mesmo. eu briguei com as armas que eu tinha. eu tinha um coração partido, eu tinha esse monte de frases que me escapavam quase que sem filtro, eu tinha esse espaço. eu escrevi a minha dor. eu machuquei. eu não queria machucar. 

e se eu abaixasse os vidros do carro e falasse? como a gente conserta? tem conserto? eu tento perdoar. todo dia. não tem mais raiva. tem tristeza, tem saudade, tem esses momentos que eu dividiria com ele, e que ficam aqui, guardados, trancados. eu não substituo pessoas. o espaço que era dele é dele, ainda. aqui do lado. no outro canto do sofá. do outro lado da rua. do outro lado da mesa. é dele.

como a gente conserta o que não tem conserto?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

eu ainda não consigo postar tudo o que eu escrevo. acaba sendo meio ridículo. principalmente depois que um dos meus maiores medos - ser descoberta - deixou de existir.
 
eu fui descoberta.
 
hoje, na firma, várias pessoas conhecem o endereço. não. não fui eu que dei. por algum motivo o que eu escrevi tocou uma pessoa, que enviou para outra, que enviou para outra. e essa outra me conhecia.
 
mundo pequeno.
 
eu fiquei pensando. a gente perde perspectiva, mesmo. por um segundo, quando eu fui ameaçada, eu fiquei muito, muito assustada. hoje, parece bobagem, mas eu ainda aperto control + A e delete depois de algum texto mais, hum, comprometedor. o que é comprometedor, eu pergunto? não há nomes, não há nada. existe inclusive ali em cima, canto direito, atendendo a pedidos (ou exigências), um disclaimer.
 
isso é uma obra de ficção. qualquer semelhança com fatos, pessoas ou acontecimentos terá sido por mera coincidência. além disso, é o que eu sempre digo. blog é opt in. vc digita o endereço e lê. vc cadastra ativamente no seu reader e recebe. vc escolhe. ninguém te ataca com isso, não sai no jornal, não tem a sua foto. é uma história qualquer, de uma pessoa qualquer. numa cidade qualquer. assim como todos os outros. assim como os livros, os filmes. a vida.
 
e eu aqui. deletando textos. com medo de uma ameaça vazia, que mal se sustenta. não há nomes. não havendo nomes, não há provas. não havendo provas, não há caso, não há nada. há a suposição. e o que vc faz com uma suposição? hum. nada. essa é a resposta.
 
pois então eu fui descoberta. o mundo não acabou. eu ainda estou descobrindo como lidar com esse novo lugar, onde uma pessoa me conhece primeiro aqui, depois na "vida real". a exposição é toda minha.
 
ainda outro dia eu conheci uma pessoa que só existia aqui, na caixa de comentários. eu podia olhar pra ela e tratar como uma desconhecida. mas ela não é. ela acompanha meu coração rasgando há meses. eu acompanho o dela, também através de um blog. não tem nada de desconhecido nisso. tem reconhecimento. a gente já se conhece.
 
desconhecido é quando alguém te conhece bem. e ainda assim vem aqui. e não entende nada do que você escreveu. e te julga, e te ameaça, e te amedronta e assusta. isso é desconhecido.
 
todo um exercício, isso de voltar a escrever sem medo. faço questão de conseguir.

domingo, 7 de novembro de 2010

oi, garoto.


faz um tempo que a gente brigou, e eu queria te contar umas coisas. a primeira é que eu ainda sinto saudades. de vez em quando, cada vez menos. mas de vez em quando acontece.

queria te contar que longe de você eu fui livre, e pude fazer as minhas escolhas. e quando eu me dei conta, havia gente incrível em volta de mim. de novo. porque eu sempre reconheço gente incrivel. mesmo que a gente incrível que um dia foi você tenha se tornado essa coisa que eu ainda não sei dar nome. não. eu ainda não sei.

queria te contar que desde que a gente brigou eu comecei a sair. primeiro porque distraia do fato de que eu não tinha por perto o melhor amigo, e todo o grupo. e que vocês continuavam juntos, se divertindo, só que agora sem mim. por escolha. foi escolha vocês me cortarem, foi escolha eu não correr atrás. amizade é mão dupla. se não for, não serve. mas, ainda assim. queria te contar essas coisas.

você dizia que eu era travada, que eu não saia, que eu me permitia muito pouco, quase nada. pode ser. eu nunca vou te perdoar pela forma como essas coisas foram ditas, mas eu queria te dizer que longe de você eu fui livre. e eu virei noites e noites dançando até amanhecer, e eu fiquei bêbada, e eu dancei num pole dance. eu beijei mais meninos bonitos do que eu consigo me lembrar. dormi com alguns. fiquei aborrecida por alguns não me ligarem no dia seguinte, aliviada por outros.

era isso que você dizia? que eu tinha que fazer? eu acabei fazendo, sabe? eventualmente, no meu tempo, na hora em que eu quis, com as pessoas que eu quis. sem que você me dissesse quem e onde. sem que você me ensinasse. sem que você me criticasse por ser uma péssima aprendiz.

sabe a parte em que eu disse que não te perdoaria? eu menti. eu te perdoei, já. ainda tenho um pouco de medo de esbarrar em você, mas só por não saber como agir, mesmo. e porque ainda machuca. não de um jeito ruim, forte, sofrido. é tipo uma alfinetadinha no coração. eu achava que a gente ia ser amigo pra sempre. juro. ou pelo menos por muito tempo. a gente nem foi. engraçado.

ainda ontem eu me lembrei de você. porque era 5 de novembro. remember, remember, de 5th of november. eu lembrei de você me buscando na firma colorida, usando a máscara do V, buzinando alto e gargalhando. e a gente jantou no italiano de sempre, bebeu vinho e teve uma boa conversa. a gente costumava ter boas conversas. eu fico me perguntando onde foi que as coisas se perderam. ali, naquele dia, estava tudo bem.

isso sou eu, purgando a nossa briga. percebendo claramente em quais momentos da minha vida eu faço algo que é resposta pra você, mesmo silenciosa. jogando a cabeça pra trás e gargalhando alto, enquanto tudo gira em volta. eu estou feliz, sabe? tenho novos amigos, e eles são pessoas absolutamente geniais, pra usar uma palavra que eu sei que você adora. com eles não tem tempo ruim, não tem cobrança, não tem julgamento. tem cuidado. tem uma aceitação absurda de cada um como é. um troço que talvez você não conheça. mas que eu te desejo de todo coração.

e era isso, mesmo. o que eu queria te contar. o que eu te contaria, se você ainda estivesse por perto.

domingo, 31 de outubro de 2010

castelinhos

eu tento me concentrar nas coisas boas. e, sim, eu preciso tirar desse ano uma lição. a lição final. eu fico em looping com dramas de amizade não é de hoje. é desde nova, desde criança. grandes perdas, grandes decepções. eu construo um mundo e vejo ele desabar. sempre foi assim. tem sido assim. 2010 concentrou esse tipo de acontecimento com carga extra de drama. acho que pra me ensinar. pra que 2011 comece mais leve. comece só com o que precise restar. o que não precisar, fica por aqui. junto com o ano mais dramático da minha vida, no que diz respeito a amizade.

tem essas duas pessoas oscilando aqui em mim. uma delas ainda constroi castelinhos, e universos, e mundos coloridos. e acha as pessoas incríveis, e se diverte, e abraça, e o coração é quente, e a vida é feliz. eu tive tudo isso esse ano. vi se aproximarem de mim as pessoas mais queridas. estive aberta a isso. a comunicação começa a não precisar de palavras. eu quero guardar todo mundo numa caixinha, dessas de guardados, de lembranças felizes, junto com fitas coloridas e papel de bala de frutas. a alegria é de verdade. o amor é do tipo mais puro. do tipo que dá vontade de chorar, só de pensar que está ali, que existe. e a gente se senta num banco de madeira tomando picolé, no meio da tarde, e gargalha alto. e eu me dou conta de que aquele ali, distraído, é um momento feliz. isso sou eu, repetindo o padrão, construindo castelos bonitos. enfeitando tudo colorido. 

muito escondido, tipo uma sombra, discreta, essa outra pessoa me olha com desdém, e me pergunta até quando? até quando o coração vai encher desse jeito, quanto tempo até que você os decepcione, ou seja decepcionada? e essa pessoa me lembra de todos os escombros, dos castelos que foram construídos. as ruinas ali, me lembrando que às vezes sobra nada, ou sobra muito pouco. e as pessoas que um dia foram guardadas em potinhos foram perdidas, o mundo colorido esmaeceu, aquarelou, escorreu junto com a água da chuva. essa pessoa ainda se contorce de noite, quando ninguém pode ver. e vez por outra ela chora. e amaldiçoa o mundo, as boas intenções, e acha que nada pode dar certo, nunca. e eu me pego, influenciada por ela, achando que nada presta, e nem ninguém. 

num espaço intermediário, todas as coisas que eu ainda não consigo catalogar. todas as relações machucadas. mas que o amor resiste. tem dessas também. os castelinhos que têm rachaduras. que precisam ser reformados, consertados, observados de perto e com cuidado. algumas paredes ruiram, outras persistem. eu não consigo destruir o que restou. fico olhando, meio sofrida, pensando no que ainda pode ser erguido, de volta, naqueles espaços vazios. eu comparo pessoas a construções, me chamem de louca. meus castelos foram surrados esse ano. uns ruiram rapidamente. desabaram como que feitos de areia pura. desmancharam no ar. outros bambearam, algumas paredes caíram. outras persistem, sabe se lá como, sabe-se lá por que.

eu entrei nesse looping, ontem, sem nem perceber. almoçando com dois queridos, desses castelinhos recém construídos, coloridos, firmes. e eu falava de como as pessoas são estragadas. fui corrigida. será que eu estou me tornando uma pessoa amarga, eu fico me perguntando. por que eu não consigo simplesmente me desvencilhar? porque precisa machucar tanto, toda vez? não é justo com quem chega, não é justo com quem persiste. e não é justo comigo, nunca, nunca.

então eu recomeço, do zero. a melhor forma de restaurar a fé é buscar onde ela é testada. e eu corri pra uma dessas pessoas. e passei horas e horas machucando e sendo machucada.  porque machuca, quando a gente se importa. eu me importo. os meus castelos são meus. eu construí, e sim, eu posso me recusar a ver ruir. tem que ser assim. se não for, pra que serve isso tudo? tem que ser assim.

no final, o que resta é isso. é o que a gente constroi. é o que machuca, mas justamente por machucar, é o que deve ser mantido. porque se não machucasse, não era castelinho, não era mundo colorido. e eu fiquei ali. parede por parede, tijolo por tijolo. botando as coisas no lugar. onde elas deviam estar. estou bem esgotada. faltam ajustes. falta a massa, a tinta nas paredes. as novas flores nos jardins. abrir as janelas pra deixar entrar sol, de novo. pra renovar.

eu fico ouvindo que amizade deve ser leve. amizade, pra mim, nunca é leve. nada que tome meu coração é leve. nunca foi. nunca vai ser. alguns vão dizer que é drama. eu chamo de cor. eu pinto as coisas em volta com cores fortes. minhas cores são berrantes. meu castelos são coloridos. eu preciso descobrir um jeito de pegar essa pessoa que se ressentiu, e trancar ela num lugar onde ela só observe as coisas que deram certo. pra que ela acredite, de novo. e deixe de achar que as coisas não têm conserto. pra que ela acredite que não é sempre assim. que não precisa ser sempre assim.

sábado, 10 de julho de 2010

teatro

Eu ando me perguntando muito sobre a real função desse blog. Eu sei o que ele significa pra mim. Diarinho? Já ouvi isso em tom de pouco caso, como se fosse algo que me desabonasse. E daí? Cada um lida com as próprias questões como melhor lhe convém. Não lidar com as próprias questões também é escolha. Eu escolho lidar. Faço terapia. Faço um blog.

Podem me dizer que eu falo das pessoas. Pois é. Eu falo. Você fala. Seja por e-mail, seja na conversa de bar. Todo mundo fala. Ah, é diferente. Não. Não é. É igual. No fundo, é todo mundo lidando com as mesmas coisas. Eu sou uma pessoa, eu convivo com pessoas, não vivo sozinha isolada numa gruta no alto de uma montanha. Se eu vivesse assim, meus posts falariam dos passarinhos, do céu, do meu mundo interior. Eu não gosto de quem só vive pra dentro, só escreve pra dentro. Clarice Lispector, hello. Até respeito. Não  curto. Desculpaê.

Pois então eu falo das pessoas. Talvez eu fale. Eu convivo com as pessoas. Boa parte das minhas experiências se dá no meu contato diário com pessoas, iguais ou diferentes de mim. Sempre um aprendizado. Não vejo o que de leviano poderia haver nesse comportamento. Todo mundo fala de todo mundo. Todos os sites. Todos os blogs. É assim que a vida funciona.

E eu estou um pouco cansada de me defender. Eu posso parecer reativa. Eu estou reativa. Só eu sei o que me custa olhar no espelho todos os dias de manhã e continuar acreditando que eu não estou fazendo nada de grave. e que eu não preciso me explicar. Todo mundo age como se eu devesse explicações, justificativas. Vida bonita, essa, em que ninguém te questiona. Meu mundo não é assim. Eu sou questionada o tempo todo.

E eu volto naquela velha questão. Todas as pessoas que me conhecem e vêm aqui, receberam o endereço do blog através de mim. Eu dei. Eu peguei o endereço, meu coração aberto, numa bandeja, e entreguei. Dei acesso ao que há de mais puro em mim, ao que me é mais caro. E essas pessoas lêem. E não tem um dia em que eu não me questione se não fiz a coisa errada. Em alguns casos, isso se provou um grande erro, o erro maior de todos. O preço é alto. E eu fico me perguntando por que diabos eu continuei achando que não seria problema. É fácil acompanhar a vida de um desconhecido. Você apenas imagina. Experimenta ler um amigo? Você vai saber de tudo. Vai ter as suas opiniões. Eu conto aqui, em linhas gerais, o que me acontece. E eu me pego ouvindo da boca de alguns dos meus melhores amigos piadinhas do tipo "agora a gente vai tirar a prova se sou eu ou não o problema." Por causa das histórias com as roomates. Porque é óbvio, o raciocínio mais fácil. Se aconteceu duas vezes comigo, então eu devo ser a culpada. 


E, antes que eu perceba, eu estou chorando, pedindo que  acreditem em mim. Eu não devia pedir isso. Eu não devia precisar. Eu percebo nos olhos de um amigo quando o brilho aumenta e o assunto machuca. E eu paro. Eu sempre sei quando parar. Pra não machucar, e tals.

E é isso. Meu coração aberto, isso aqui. Fatiado, um banquete. Eu fico genuinamente feliz quando vejo um comentário de um desconhecido que chegou no blog por acaso dizendo que foi tocado por algo que eu escrevi. Porque eu acredito no que eu escrevo. E eu sei o tanto de verdade que existe em cada palavra que me escorre para os dedos. Mas eu não consigo evitar pensar que a minha vida virou um grande circo de horrores. Em que quem me conhece melhor, quem me conhece mais de perto, quem vem aqui porque eu trouxe, passa batido pelas coisas que eu escrevo, e se concentra no reality show. E busca novidades. Pra se atualizar sobre tudo, sobre as pessoas, a minha pequena novela. 


Vira um teatro. E a sacrificada sou eu.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

checklist

pra acabar de vez com esse clima de melancolia chato que se instalou por aqui. ou melhor, que EU instalei por aqui, vamos tratar de animar as coisas. como agora são 2h da manhã e eu acabo de ver o episódio final de lost, e estou concentrada assistindo o elenco querido participar do jimmy kimmel live (internet banda larga, te dedico, justin.tv, amor eterno, amor verdadeiro), sem nem pensar em ir trabalhar amanhã logo cedo, porque, hello, questão de prioridade. 1) lost; 2) todo o resto.

tenho uma lista de coisas sobre as quais preciso escrever:


1. o presente incrível que a ana luiza me trouxe de viagem (com fotos)

2. minha fixação com pessoas ruivas (não o tom corra lola corra da evil menina de cabelos vermelhos, peralá)

3. lost. porque, né? muito amor no meu coração. polêmica instalada e eu só consigo dizer que achei incrível.

4. minha história com séries do jj abrams.

5. o dia que eu dancei no pole dance cercada de viados na balada. (se eu conseguir traduzir o acontecimento em palavras)


por enquanto, é só.

=)



segunda-feira, 10 de maio de 2010

let go.

deixar as coisas pra trás não é tarefa fácil. você faz o que é preciso fazer. se concentra nas coisas ruins, pra que as boas não tenham tanto peso. pra que a falta das boas não machuque tanto. se concentra nas palavras duras, nas fragilidades jogadas de volta, como munição. coisas que haviam sido ditas em momentos de delicadeza, de amizade. e que voltam com raiva, com dedo em riste, pontiagudas.

aos poucos, você se sente melhor. se rodeia de outras pessoas, constroi novos laços. tem novos assuntos. as lembranças vêm de um jeito meio embaçado, como se aquilo tudo tivesse acontecido há muito, muito tempo, num outro lugar, uma outra vida. com uma outra pessoa, que não fosse você. a vida segue dessa maneira. o coração para de apertar aquele tanto. você se veste de serenidade, resignado. era pra ser assim. não tinha como ser de outro jeito.


e aí, um dia, do nada, a sensação te golpeia. pode ser dirigindo, num corredor do supermercado, o tênis colorido de um estranho passando na rua. as lembranças vêm vivas, e você quase sorri. se lembra dos momentos, de cada um deles. da estrada, das palavras doces, de quando você levou em casa pra conhecer os seus pais. porque você queria que eles se conhecessem. que os universos colidissem, que cada um soubesse da importância do outro. de quando o sofá da casa dele era seguro, e você podia ficar escondida lá, o dia todo. você se lembra de quando tudo era leve, e fácil. de quando você passou a tarde no hospital esperando um médico consertar o pé que parecia destruído. fazendo companhia. zelando. de quando ele te tirou de casa no dia em que você estava de coração partido e te distraiu o dia todo, andando pela rua. de quando você olhava a outra pessoa e sabia exatamente o que ia ali. de quando a amizade parecia forte, de quando o chão parecia firme.


não foi a primeira vez em que esses laços se romperam. que eu vi um querido se afastar, fazer de conta que eu não existo, que eu nunca existi. esquecer cada um dos momentos bons, se concentrar nos ruins. eu não aprendi da primeira vez, eu não aprendi da segunda. a deixar pra trás. eu acho que não vou aprender nunca. e que vai doer sempre.


porque eu me lembro.

segunda-feira, 22 de março de 2010

é bom que se diga. pra não haver confusão. eu odeio ser a amiga que põe no sofá. e que diz que vai dar merda. odeio com todas as minhas forças.

da mesma forma, quando a merda acontece, não há nada no meu rosto que se assemelhe a satisfação. ao "eu bem que avisei". dói igual, em mim.

porque é comigo, também.

sexta-feira, 19 de março de 2010

os buracos

Seria mais fácil deixar pra lá, simplesmente não me importar. Ser como aquelas pessoas que se ligam e se desligam umas das outras, sem drama nem coração partido. Eu não sei ser assim. Quando eu abro espaço para uma pessoa existir na minha vida, dificilmente ela vai sair. Ela pode querer sair, e brigar comigo, e gritar para o mundo, e dizer que me odeia, e que eu não sou de verdade. A gente pode se afastar e nunca mais se ver. Eu vou chorar, vou sofrer, o coração vai doer. Eu vou sentir saudades. Eu jamais vou preencher o espaço que era dela com qualquer outra coisa. O buraco vai comigo. Eu vou entender, a dor vai abrandar. Eu vou abrir novos espaços para novas pessoas. Mas o buraco vai comigo. Eu não sei me desvencilhar. Seria mais fácil se eu soubesse. Eu não sei. Sinceramente, nem sei se gostaria de saber. Se saberia ser uma pessoa que se cola e se descola. Eu acho que ser como eu sou, e carregar o peso do mundo nas costas quando se trata de amizade, é o que me faz, de alguma forma, especial. Não vai ter um aniversário que eu não me lembre. Não vai. Eu vou lembrar dos números de telefone, das fotos, dos momentos. Vou lembrar da pessoa ao folhear uma revista. E querer, de todo coração, mandar um e-mail com algum link que tenha me feito lembrar dela. Não vai nunca haver espaço para que outra pessoa a substitua. Porque não cabe. Aquele espaço, mesmo vazio, é tomado. E fica ali, sem ser dela, sem ser meu, apenas me acompanhando.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

get a life.

Eu vinha quase curada da minha obsessão em achar que eu era o centro do universo. Porque eu sempre achei que o mundo estivesse prestando atenção em mim, como se tudo o que eu faço, penso ou falo fosse objeto de estudo e observação. Ana Luiza sempre disse que eu era maluca, e que eu não faço diferença. Que ninguém está prestando atenção em mim.

Eu achei bom. Porque é libertador. Eu não sou o centro das atenções, o que eu falo, o que eu faço ou o que eu penso, não faz, ou pelo menos não deve fazer diferença pra ninguém.


Esse blog é meu. Aqui eu escrevo o que eu quero, eu falo sobre o que eu achar que eu devo. E, no meu blog, vem quem quer. Meus amigos têm a url. Se quiserem ler, eu estou aqui. Eu dou a url para os meus amigos. Se a pessoa me conhece, me pede a url e eu não dou, é porque ela não tem nada o que fazer aqui. No mais, não me importo que desconhecidos descubram o blog. Eu gosto. Tem gente legal que aparece sempre. E, cá entre nós, eu gosto muito dos meus textos. Eu escrevo bem, eu gosto da forma que esse blog tomou. Meu projeto. Eu penso nesse espaço com um sorriso sincero nos lábios.


Tendo dito isso tudo, conto o que aconteceu.


Abri o blog e havia um comentário, assinado por um covinhas. Que bem poderia ser qualquer um, mas juntando as peças, bem poderia ser o próprio. E eu tenho certeza de que é.


E eu não vou nem entrar no mérito de como ele chegou aqui, já que eu não passei o endereço. Porque isso envolve gente (que era) da minha mais inteira confiança passando a url pra ele, na cara dura. E isso: 1) é algo pra ser resolvido na vida real; 2) é algo que eu ainda vou ter que aprender a lidar. Quebra de confiança, a gente se vê por aqui.


A minha questão é outra.


Se eu não sou, de fato, como diz Ana Luiza, o centro do universo, a minha opinião não faz diferença, right? Right. Então eu me pergunto. Por que estaria covinhas, no meio de uma tarde de quinta-feira, digitando cuidadosamente a minha url, pra acessar por livre e espontânea vontade um espaço que é meu, e que concentra o que eu penso, o que eu falo, o que eu faço?


O que faz uma pessoa buscar saber, em detalhes, o que vai dentro da minha cabeça? Já faz tanto tempo. Né?


Então, é isso. Aproveitando o ensejo, ficam os meus votos sinceros de que ele seja feliz, e que construa uma vida linda com essa menina fofa que ele conheceu. Não importa o que eu penso. Não importa o que eu falo. Não importa o que eu faço. As minhas preocupações são minhas, provavelmente frutos da cabeça de uma pessoa que claramente precisa, como ele mesmo, tão gentil, fez questão de dizer, "get a life".


E eu fico pensando que, "having a life" tão incrível e maravilhosa, ele é que não deveria vir aqui, saber o que vai na minha cabeça, investigar o meu mundo, como eu vejo as coisas. Que é o que eu faço no MEU blog. Que é meu canto, meu espaço.


Quem procura, acha. Não procure. #ficadica

Get a life, aparentemente, é coisa que serve para os dois lados. O mesmo serve para um move on.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

¬¬

Podem me chamar de implicante. É possível que eu seja. Eu tenho feito um esforço pra gostar da pessoa. Eu juro. Fato é que, dado o caos na oficina, foi contratada uma gerente de projetos.

E eu tava lá, no meio do projeto do demo, com o dobro de coisas pra fazer na metade do tempo. Trabalhando 12h 13h por dia, cansada, sem descanso, e as coisas surgindo pra serem feitas sem aviso nenhum, sem organização. Vejam bem. Passei duas, quase três semanas, nesse ritmo. Dormindo pouco, e mal. sendo cobrada por coisas que não eram meu trabalho. E com um sorriso FOFO nos lábios. Óbvio que no final da terceira semana, eu dei uma pifada. E isso foi bem quando a gerente chegou. Eu me alimentava de amendoim, que era o que tinha pra comer no trabalho. Saía 23h todos os dias. Amigos, não sei, não vejo. Sono? Lembrança distante.

E chegou a gerente nova, cuja função é botar ordem na bagunça. Quando eu digo bagunça, eu me refiro a cronogramas absolutamente surreais, que são estipulados por outras pessoas, sem considerar quem vai cumprir. E que entendem, naturalmente, que eu tenho todas as minhas 24h do dia disponíveis pro trabalho, as well as finais de semana.

Imaginem a minha cara, no final do processo? Restless, mal humorada, sofrida. Doente. Uma alergia que fez minha boca pinicar, como se tivesse queimada de frio. Menos 1kg na balança. Olheiras cobertas com argamassa, porque só o corretivo não dava mais conta.

E eu tinha essa apresentação, que era numa quinta-feira. E na quarta-feira surgiram mais coisinhas não previstas, que deveriam ser feitas pra deixar o cliente incrível. E eu lá. Morrendo. Chegou uma hora que eu tinha terapia, e avisei que estava indo, e voltava depois. E tomei cara feia. Mas nem liguei. Minha terapia não é negociável.

E o projeto ficou pronto, e eu virei aquela última noite, e fiz uma apresentação perfeita. Na quarta, véspera, eu estava mais ansiosa que de costume. Eu sou ansiosa. Ponto. Estava mais, é bem verdade, porque as coisas começaram a pesar nos ombros, mesmo.

E a gerente de projetos lá. Observando, demandando. Organizando, função dela.

E essa semana eu fui chamada na sala de reunião, pra um feedback. Você é muito ansiosa, ela disse. Não lidou bem com pressão naquele último dia antes da apresentação. Deixou as pessoas em volta nervosas, etc e tal. Disse que eu não devia ter saído para a terapia no meio do caos (que foi intencionalmente causado, vejam só, por ELA, com tarefas não programadas e de última hora). Minha terapia é pós-expediente. Nem preciso dizer, né? Disse mais. Que eu preciso achar a minha válvula de escape. E que a dela é sair pra beber uma cerveja com os amigos.

E eu. Whut?

Fiquei puta. Agredeci o feedback, e disse que contava com ela para a organização de cronogramas mais justos com os funcionários. Que a minha terapia não era negociável. Até porque eu trabalhava 13h por dia e nos finais de semana. Aquela hora era minha, e não cabia a ela questionar isso. Disse mais. A minha válvula de escape, sabe gerenta, é SONO. DESCANSO. Coisa que eu não tive nas ultimas três semanas. E ainda dei um duplo twist carpado, fazendo ela me elogiar, dizendo que SIM, o projeto foi lindamente apresentado, mesmo com o caos a que eu fui submetida. E que eu sou boa, sou ótima. Mas sabe quando a conta ainda não fecha?

Faça-me o favor.

Tomei horror a ela. Pode ser o cabelo mal cortado e arrepiado pela escova mal feita, pode ser o tipo de roupa ERRADA que ela escolhe se vestir todos os dias, com vestidinhos esvoaçantes e sapatos pesados, ou coisas ripongas. Ou o batom. Meodeos, o batom. É vinho, e tem brilho. Não é só brilho. Sabe aqueles batons anos 80, que tem tipo um cintilante purpurina horroroso?

E depois não entende quando eu vou pra terapia.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ah, e tem mais.

Sabe a japonesa maligna que pegou o menino que eu gostava e mais os 347 professores, e que era boa aluna, e fez microbiologia?

Japonesa, né? Pressupõe-se que a bichinha era inteligente, e coisa e tal.


Pois eu digo. Nem a orientação das fotos ela sabe fazer. Só tem foto deitada no facebook.


Sem mais. Hehe.

Galerê da escola combina "churras" ¬¬

Então, gente. Preciso contar. Tinha umas semanas que eu vinha recebendo email do galerê do colégio, dos tempos de cidade siderúrgica.

Eu não sou uma people person, preciso dizer.

Os e-mails começaram a chegar, e galerê respondendo, e um "churras" sendo combinado. Todo mundo se chamando de gnomo, e batata, e coisas que só faziam sentido lá em 1998.

Em 1998, eu já tinha personalidade o suficiente pra saber exatamente quais daquelas pessoas iriam continuar na minha vida.

E elas continuam. Todas as seis.

Modos que eu não quero me encontrar com galerinha animada da escola. Não quero saber o que fazem, o que pretendem fazer. O pouco que eu sei já me apavora o suficiente. Tipo a japonesa que pegou o menino que eu gostava, e fez microbiologia. Ela era boa aluna, e fez uma faculdade legal, mas hoje manda e-mails de uma empresa de turismo no Rio de Janeiro. To julgando não.

Teve o menino que virou vereador lá da cidade vizinha, e aparece em santinhos photoshopados all over the place. Pra mim, entendam, essas pessoas ficaram exatamente onde deveriam ficar. Em 1998. Não me interessa saber deles. Esse tipo de encontro, eu acho, só serve pra passar recibo. Oi, eu sou fulana, eu casei, eu tenho um bom emprego, eu sou bem sucedido. Eu não tenho a menor necessidade de ir lá dizer meus good deeds. Porque não faz diferença. E porque, really, eu acho meio deprimente.

E aí a japa freak que roubou o meu menino que eu amava em 1998, me aparece no msn, se convida pra ir na minha casa, e diz que a gente precisa retomar contato. E eu. WHUT? E ela diz que a gente se divertia a valer. Well. Eu me lembro dela pegando o professor de inglês, Thales, um japonês muito sem vergonha. E de pegar o professor de física, que by the way, fez a limpa na sala. Rumores dão conta de que ela também pegou o de geografia e o de história, mas sabe como é. Talvez isso fosse diversão pra ELA. Eu não achava divertido perder meus sábados aprendendo a porra dos carbonos encadeados que eu não ia usar pra nada na vida futura.

Eu era bem ruim em química e física, e era tortura mesmo ficar tentando aprender aquelas coisas. Eu ainda não tinha encontrado a Ritalina na minha vida. Eu queria era ir pra casa da minha amiga, que era irmã mais nova do menino que eu gostava, e fingir que eu estava estudando enquanto mendigava um resto de atenção. Tom já reinava naquela época.

Então, não tenho bons tempos a relembrar. A pessoa que eu sou em 2009 está a anos luz da pessoa que eu fui em 1998. Essa é mais legal, nem se compara. Essa aprendeu a ter bons cortes de cabelo, e usa roupas mais legais. E mora na cidade grande, exatamente como queria. Ainda que continue levando foras de meninos. Pelo menos ela encara com mais dignidade. Agora, me diz. Tem cabimento ir lá na cidade siderúrgica dizer pra essas pessoas que EU ACHO que eu dei certo na vida?

E agora pipocam as fotos no facebook. O tempo não foi generoso com eles. Talvez por isso eles tenham ficado congelados lá atrás. Pra eles, realmente, aquela época era mais legal.

domingo, 4 de outubro de 2009

chaotic

A semana foi louca. Intercalei trabalho com telefonemas desesperados para imobiliárias, proprietários de apartamentos na região e visitas. De vez em quando eu abaixava a cabeça e suspirava fundo. E levantava a cabeça, e olhava para o computador, e continuava. Senti falta do covinhas, de leve, mas só pra me abraçar apertado enquanto tudo desmoronava em volta. Comi menos do que deveria, e mais um quilo se foi. Entrou uma geniazinha nova na Oficina, e foi amizade à primeira vista. Todo o caos em volta, no trabalho, em casa. As gérberas morreram, não resistiram, mesmo comigo regando e as chamando de fofas, pedindo que sobrevivessem. É a vida. Tive crise de choro no trabalho, de leve, quando eu vi que o trabalho árduo dos últimos dias ainda precisava de ajustes. E eu estava esgotada. Todos estão, é até injusto eu ficar de mimimi. Passei a semana morrendo aos poucos, mas voltei a render no trabalho, coisa que na semana passada não aconteceu. Saudades de alguns amigos específicos. A semana também foi de reencontros. Jantar com amiga querida, assuntos antigos e novos, feels like home. Sou nova em São Paulo, ninguém me conhece. Ela sim. Tá comigo há 10 anos, desde a faculdade. Reconforta isso de não precisar se explicar, de saber que a pessoa te lê, te entende. Nos momentos de desespero, de não querer voltar pra casa (que casa?) e dar de cara com a roomie freak, apelei pra Ana Luiza. Casa dela, maquiagens, assuntos, como nos velhos tempos. É bom ter pra onde correr. As pessoas ficam me oferecendo abrigo. Fica aqui, eles dizem. Te hospedo, traz teu sofá roxo, fica em casa não. E eu me visto de amor profundo por cada um, e agradeço. Mas dessa casa que eu vivo hoje, eu saio para outra casa minha. Que tá por aí, basta só encontrar. Até lá eu tento não me esquecer de comer. O que nem sempre funciona.

E aí, no meio do caos, a semana termina com o evento de encontro de geniozinhos, para discussão de coisinhas de trabalho. Evento organizado pela Oficina, e já com grande expressão no mercado. E eu me vejo entre os loucos, almoços felizes com as meninas coloridas, e reencontro com os meus queridos da antiga forma colorida, gerente de covinhas included. E tudo parece que vai ficar bem. Porque o viado territorialista me abraça, e é sincero. Porque o gerente de covinhas me chama pelo meu apelido fofo, que ele me deu, e o coração aperta de saudades e alegria. E pouco importa se eu peguei uma gripe daquelas, isso não me impede de ir tomar chopp com eles e acreditar, só por um instante, que a vida se acerta. E eu acho que nunca, desde que eu cheguei em São Paulo, eu estive tão inteira, tão eu mesma. Fazendo as minhas piadas, sendo dramática, morrendo a cada vírgula, de alegria ou de tragédia. Essa sou eu. Nave mãe chamou e eu atendi. Estou onde devia. Mesmo. Entre os meus.