terça-feira, 17 de maio de 2011
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Atenção: Maysa não é como um computador
Daí fui ver Maysa, né?
Uma coisa me deixou deveras intrigada. Numa cena, bem no início, quando mostra a cantora meio decadente, dizendo que cantou numa churrascaria, o pai dela diz:
(parágrafo, travessão) Filha, grave um disco...
Maysa responde.
(parágrafo, travessão, all over again) Papai, eu não sou como um computador, que pode ser programado, cante isso, cante aquilo.
+_+
Maysa morreu em 1977, segundo minha querida Wikipédia. Há 30 anos. 30 fucking years.
Sim, já tinha computador. Em algum laboratório ultra secreto dos estados unidos, uma máquina que pesava toneladas estava sendo desenvolvida. O ancestral do PC. Computador não era parte da vida das pessoas, e não poderia simplesmente ser utilizado numa conversa corriqueira, entre pai e filha. Naquela época, será que Maysa sabia que computadores podiam ser programados? Será que alguém sabia disso, ao ponto de usar esta informação como referência? Será que alguém sabia o que era um computador?
Nem vídeo cassete programava naquela época. Nem vídeo cassete. Lembram do vídeo cassete? Então. Ele não programava. Porque ele também não estava zanzando pelos lares brasileiros.
(aliás, comofas? video cassete, videocassete, video-cassete? zerei, desprogramei total.)
Por essas e por outras, decreto que não gostei. Deveria ter assistido Pantanal, que tá nos momentos finais. A ironia é que Pantanal também foi dirigida pelo Jayminho. Antes de ele contratar ex mulher, mulher, cunhado e dois filhos pra trabalharem com ele.
Morri.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Das coisas que em breve eu não saberei mais
Corrijo, né?
Para, dois segundos depois, me dar conta de que em pouco menos de 24h, valerá a tal reforma ortográfica, assinada pelo senhor presidente. E que, sabe-se lá, o hífen volte com tudo, em algumas palavrinhas. Eu sei que ele volta. Só não sei onde, exatamente.
Minha serventia como corretora de português, como revisora de textos amigos, está no finzinho. E, 23h36 eu viro abóbora com tudo o que sei.
+_+
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Scrooged
Peguei o notebook, botei a bateria no modo econômico e comecei a assistir The Big Bang Theory, que estava ali me esperando. A bateria começou a acabar, eu gravei mais alguns episódios no pen drive e passei pro note da minha irmã. E nada da luz voltar. Fiquei imaginando um Natal à luz de velas, péssimo. Eu nem gosto de Natal. Eu passo pelo Natal, desde que não me incomodem tipo me deixando sem luz. E sem internet. Não é por bobagem que um amigo só me chama de Srta. Scrooge. Sou um pouco, sou mesmo.
Aliás, vendo The Big Bang Theory, fiquei meio preocupada. Super me identifiquei com o Sheldon, e eu sei que ele é o personagem mais caricato. Ainda to tipo no episódio 4, mas algo me diz que ele tem boas chances de entrar na minha galeria de favoritos. Be afraid.
Meu irmão diz que eu fico em estado vegetativo. Fico mesmo. Pernas pro alto, Coca-cola ao alcance das mãos, computador no colo. Ninguém ouse me incomodar. Não vou pra piscina, não vou visitar nenhuma tia velha. Espero não ser incomodada. Trouxe alguns seriados pra ver, alguns filmes antigos, tenho todo um iTunes pra organizar. Odeio telefonemas pra desejar Feliz Natal, odeio as cobranças de onde você vai passar o ano novo, e mais ainda o mas não vai fazer naaaadaaaa? Não. Não vou fazer nada. Não faço a mínima questão. Odeio festas, odeio essas cobranças que vêm com as festas, essa obrigação de ter coisas divertidas pra fazer, e pra contar pras pessoas. Pra mim, ficar na casa que eu cresci, batendo papos aleatórios com meu pai, falando com alguns queridos pela internet, ensaiando formas elementares de comunicação com a calopsita, comendo farofa de miúdos na xícara durante a tarde, é a mais completa expressão de felicidade. E me recarrega para o resto do próximo ano.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Reforma ortográfica é o c******
Porque eu me recuso, simplesmente me recuso, a adotar uma reforma ortográfica assinada por um presidente que mal sabe falar o português. E não, eu não sou dessas pessoas preconceituosas que ficam atacando o Lula por ele não ter muito estudo, etc. Eu gosto dele. Votei nele da primeira vez, ajudei a colocar Lula lá, etc. Mas a partir do momento em que ele, com aquela carinha simpática e discursos pouco convencionais, acostumado a amolecer corações com aquelas covinhas*, resolve que o meu português correto passará a ser um português torto e errado a partir de 1º de janeiro do ano que vem, eu preciso me colocar. Porque eu não vou começar a escrever micro-ondas no lugar de microondas, e nem vou parar de acentuar a palavra idéia. Como assim idéia perde o acento mas continua com um "e" de som aberto e aldeia, que nunca teve som aberto, continua do jeito que era? Aldeia e idéia têm sons diferentes, o acento tá ali pra justificar. Como explicar isso pra uma criancinha em fase de alfabetização, que já esteja aprendendo a pensar sozinha e formular perguntas minimamente coerentes? Como arrumar alguma coerência pra explicar esse desarranjo?
Ah. Então entraram no nosso alfabeto o K, o Y e o W? Parabéns, senhor presidente. Num país de Kellys, Washingtons e Luciellys, isso já estava mais do que atrasado. Ninguém nem se ligava pelo fato de não estarem no alfabeto. E o Ç, eu me pergunto. Cadê? Daqui a pouco resolvem substituir ele pelo S e meu nome nunca mais vai fazer nenhum sentido. E eu vou ser obrigada a trocar de nome. E como assim Júlia perde o acento? Fica Julia, com o i de vogal forte. Oi? Júlia e Julia são diferentes. Não me conformo. Não aceito e não adoto.
* Eu tenho pra mim que pessoas com covinhas são geneticamente favorecidas. Porque elas têm um artifício que costuma ser meigo, e não encontram maiores dificuldades em convencer qualquer um de qualquer coisa. Digo mais. Não ter covinhas me fez ser muito mais habilidosa para fins de persuasão. Porque eu preciso vencer no argumento. Não tenho esse artifício de fofura meiguice impresso na bochecha.
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Free Paris
A Paris que merece atenção agora, no entanto, é outra. Loura, magra, bêbada, ex-amiga de Britney, ex-amiga de Nicole Ritchie, inimiga declarada de Lindsay Lohan e aquela uma que fazia a Marissa, do The OC. Paris andou fazendo bagunça, bebendo em excesso, dirigindo sem habilitação. Paris precisa de amigos. Suas amigas estão ocupadas demais vomitando, ou entre idas e vindas da reabilitação, entre cabeças raspadas e gritos de “eu sou o anticristo”. Paris está só.
Eu já ia com a cara de Paris há tempos. Nada melhor nesse mundo do que não ter o que fazer, e ter dinheiro. Ela mora em um hotel, eu assisti ao seu E! True Hollywood Story, com depoimentos da tia, da mãe e de amigas. Não precisa trabalhar, pode apenas dilapidar o patrimônio dos Hilton. Ela pode dilapidar o patrimônio durante toda a sua vida, full time, e ainda assim passará seus últimos anos em um daqueles centros especializados em idosos, tomando champanhe e aguardando sua hora. Paris conseguiu sair sem grandes arranhões do episódio do vídeo de sexo com o namorado oportunista. Guardou sua dor e seguiu em frente. O maligno deve lucrar com isso até hoje. Paris confiou em Nicole, sua amiga dos tempos de The Simple Life, aquele reality que eu nunca quis ver, e Nicole, provavelmente drogada em uma festinha em casa, achou que seria divertido exibir a amiga em um telão, novamente em vídeo. E a amizade se partiu. Paris e Nicole romperam, é possível que a loura bêbada até tenha vertido algumas lágrimas de decepção, mas logo logo, ao pipocarem na mídia especializada (?) as notícias de que a pobre filha de Lionel Ritchie padecia com a anorexia, Paris não se fez de rogada. Pegou seus muitos dinheiros e destinou-os à amiga em apuros, em forma de pizzas, grandes, gordurosas e suculentas, que chegavam à casa da enferma, diariamente, no mesmo horário. Paris é brilho, eu pensava. A garota concordava.
E quando Britney se viu só, recém-separada, gordinha, com dois filhos pra criar, Paris disse: I’ll be there for you, honey. E esteve lá, e levou-a de limusine nas baladas todas dos Estados Unidos, e deu bebida pra ela, e apresentou seus amigos maluquinhos, e disse que a vida continuava, e que ela precisava “move on”. E a Britney pegou o então namorado da loura com nome de cidade, um grego maluco que parece que também é podre de rico. Eu lembro da Britney que queria casar com o príncipe William, que cantava “i’m not a girl, not yet a woman”, mas essa que Paris, querida, recolheu da sarjeta, se muito, cantava que era escrava de alguém em um clipe meio cheio de lama. E Paris não se importou, e disse que tudo ia ficar bem. E Paris perdeu o namorado. E aí a Nicole pediu perdão pelas maledicências todas, Paris chorou e perdoou, criatura nobre que é.
E elas comemoraram, e beberam champanhe, vodka, whisky, latinhas de energético. E Paris pegou o carro e foi presa. E saiu em condicional, bebeu, pegou o carro e foi presa, e perdeu a habilitação. E pegou o carro de novo, e agora terá de ficar atrás das grades mais de um mês. Grounded, de castigo, whatever. E papai Hilton inventou de deserdá-la, como se as coisas já não estivessem feias o suficiente. Eu tenho pena de Paris, sim senhor. Muita pena de Paris.
Por isso eu queria uma camiseta “Free Paris”, pra usar agora, nesse exato momento. E eu queria fazer um abaixo-assinado pra que o pai dela tivesse compaixão, e continuasse soltando seus dinheiros na mão da pobre loura. E que a polícia lá dos estados unidos não prendesse a pobrezinha, e que ninguém mais fizesse vídeos de momentos íntimos para conseguir dinheiros depois, e que nenhuma amiga nunca mais colocasse as mesmas cenas no telão para divertir seus convidados. E que nenhuma amiga, e nem muito menos a Britney, voltasse a roubar seus namorados, que a Cameron Diaz parasse de dizer que está feliz que ela vá para a cadeia, e que todo mundo continuasse dando bebida pra ela. Porque Paris é café-com-leite, Paris é brilho.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Unsent. Ou Menthos, the troublemaker;
Sou consumidora antiga do seu produto. Cinema pra mim só tem sentido se for com bala mastigável. Bala mastigável, pra mim, é Mentos. Ou era, não sei. Estou por demais confusa com o rumo que as coisas foram tomando. Eu gostava daquele tubinho com Mentos de fruta, em três sabores, laranja, limão e morango. Três sabores, veja bem. Achava meio chato porque um tubinho nunca parecia ser suficiente, e sessão de cinema completa, tinha que ter três. Três tubinhos, com três sabores sortidos, escolhidos ao acaso quando as luzes do cinema estão apagadas. Uma surpresa descobrir qual seria a próxima bala. Todo mundo gostava da rosa, a de morango. Eu não. Adorava a de laranja. Tão docinha, tão refrescante. Bom mesmo era achar uma de cada e colocar logo as três na boca. Mastigar tudo junto, assim, fazer um bolão doce sabor tutti-frutti, que naturalmente demoraria mais tempo para acabar.
É preciso dizer, ainda, que minha fidelidade não se abalou nem quando eu quebrei a minha obturação em uma bala extra dura, sabor limão. Porque um dos segredos de Mentos é esse. Nos dias quentes, elas são mais molinhas, nos dias frios, são potencialmente assassinas de obturações infelizes. Um dia, minha obturação se foi. 1 x 0 para a bala. Não reclamei. Fui ao dentista, consertamos o pequeno estrago e lá estava eu, feliz e sorridente, lépida e fagueira, com mais três unidades sortidas dentro da boca, misturando sabores, explodindo em sabores de frutas. Alegria, alegria.
Não gosto da Mentos de hortelã, vejam bem. Já as achava meio estranhas desde muito antes dessa onda de mandar tudo para os ares, explodir garrafas. Não gosto de Coca-light, não gosto de Mentos sabor hortelã. Não ligo, não me afetam essas explosões. Se a combinação fosse feita de Coca comum e Mentos de fruta, eu me rebelaria, faria passeatas, pelo fim ao desperdício de Mentos de frutas e Coca-Cola comum. Mas não. A causa da Mentos hortelã não me mobiliza at all.
Foi com grande felicidade e alegria genuína que eu descobri a caixa grande das minhas balinhas queridas, sortidas, chacoalhantes no mega box colorido. Ou no copinho, tão fofo, colorido e igualmente barulhento. Alegria, alegria. Parecia que vocês tinham lido a minha mente. E lá fui eu para o meu cinema, com minha personal Mentos supply. E algo aconteceu. Da minha caixinha feliz saíram balas de sabores desconhecidos! Uma roxa, ou vermelha, meio fluorescente, quase radioativa. Depois de muito custo, muita degustação, a revelação: sabor frutas vermelhas. É importante mencionar que só descobri do que se tratava ao ler na embalagem. Meu paladar tão apurado e desenvolvido em degustação de balas não conseguiu identificar tamanha aberração. São docinhas, como as outras, mas agem nas papilas gustativas de modo pouco familiar, ardem. A produção de saliva aumenta, triplica, quadruplica. Os olhos ardem, lacrimejantes. Não são balinhas inofensivas, capazes de apenas trazer alegria àqueles que as consomem. São balas malignas, de sabor ultra forte, com poderes de desconcentrar suas vítimas. Qual era o filme mesmo? O que ele disse? Não sei, foi a bala. A bala quer ser a estrela, não lhe cabe o papel de coadjuvante. Então, lá, perdida no meio das malignas balas vermelho-roxas, restaram umas poucas antigas companheiras de laranja, limão e morango. Elas ficam encolhidas no canto da caixinha, humilhadas no meio de tanto sabor. Sabor demais, por favor, entendam, não é qualidade. Eu gostava de suas personalidades suaves e dispostas a fazer o meu dia um pouco melhor. As roxo-vermelhas não aceitam ser renegadas, precisam ser as estrelas da caixa. E se multiplicam. E invadem o ambiente, me tiram do filme, gritam, berram, me fazem chorar.
Então, em nome de todos aqueles que foram prejudicados com essa pequena crise de personalidade da bala em questão, peço que coloquem a pobrezinha na terapia, amansem a sua personalidade. Personalidade demais é problema. As balinhas são geniosas, hiperativas, bipolares. Precisam ser domadas, educadas, adestradas. Nós, pobres consumidores, não devíamos sofrer com suas crises de auto-afirmação, de “oi, eu sou a Mentos frutas vermelhas, eu tenho MUITO sabor”. Não. Queremos balinhas comportadas, com doses adequadas de açúcar e alegria, dispostas a colaborar com a experiência que é assistir um bom filme sem engasgar com excesso de saliva, sem lágrimas que não sejam provocadas pela história. Balinhas seguras de si não precisam de tanto sabor. Elas sabem o seu verdadeiro valor. E, exatamente por isso, fazem as pessoas felizes, que é a verdadeira missão da vida de uma bala.
Sinceramente,
Madame Ç.