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terça-feira, 3 de abril de 2012

back on track

gasto pequenas fortunas no cartão de crédito. trench coat da zara, araras do quarto de vestir, coisinhas fofas pra casa. pintamos a parede pink de verde. ana diz que é azul, e de fato a referência era o tiffany blue, diretamente de um folheto desses que mostram alianças e diamantes. mas se tem amarelo, amigues, é o que eu digo. verde.

fico tão bonito. namorado e eu pintamos e mal acreditamos no resultado. eu tenho certeza de que ele achava que não daria certo. e deu. como todo o resto vem dando. certo.

tenho preguiça, e agora o trabalho voltou a acelerar. voltei a ficar presa em reuniões, e o tal do mercúrio retrógrado e fez arranjar um monte de briga na grande corporação. passou, passou. eu tava certa, anyway. quase sempre eu estou.

a estante da sala virou bar, com dois nichos tomados por bebidas. já é claro. naquela casa, mora um menino. a ex roomate virou coworker, serena van der woodsen fofa está saindo com um chuck bass, a vida volta à ordem, assim, aos poucos.

até esfriou, vejam só.

<3

quarta-feira, 28 de março de 2012

que ano é hoje?

eu tenho um trabalho difícil que é tentar convencer a grande corporação de que já é 2012. e que não, não é o fim do mundo. eles estão em 1995. a impressão é clara. os processos demonstram. tudo é difícil. internet parece uma coisa do futuro, e ó, super vai funcionar. aham.

e eu, descabelada, rouca, exausta. NÃÃÃO. NÃÃÃO. já é o futuro, pessoal. internet já é realidade, já existe, e já dá certo. não é tão dificil. não precisa ser. é certamente mais fácil do que vocês assumem que seja e olha ali, pela janela. tá vendo aquele prédio? é a firma colorida. eles estão fazendo internet ali. e não. não é difícil. 

dá trabalho, trabalho dá, sim. não tem como não dar. mas é por isso mesmo que chega salário no fim do mês. não vamos reclamar. a vida até que é boa.

e neguinho afunda na cadeira, e diz que eu não entendo os processos. que as reuniões do programa - que são obrigatórias - não têm assim tanta necessidade de acontecer. e é claro que têm. meodeos. 

daí eu tenho vivido essa vida de bater nas pessoas. de atravessar reuniões, discordar, discordar, discordar. querer morrer um pouquinho, tomar fôlego, discordar. são altos e baixos. eu desisto da briga, tento me acostumar àquele ritmo, mais lento e pesado. canso, acelero, bato mais um pouquinho. questiono, exponho, discordo. ah. você precisa entender. aqui as coisas são assim.

não. não são. e eu não fui chamada pra me afundar na cadeira e e me acomodar aos processos. eu gosto de pensar que eu fui parar ali porque há um trabalho a ser feito, um trabalho muito mais dificil do que botar o projeto pra funcionar, que é o de conscientizar as pessoas da importância das reuniões que, sendo obrigatórias, precisam sim, acontecer. e apontar pra janela, e dizer que dá, sim, pra fazer. que só dá trabalho. mas que é possível.

sinto saudades do daniel querido rindo com uma cara satisfeita quando eu falo de algum problema e me dizendo "me dê cinco minutos"pra dali a pouco me apresentar a solução. e achar legal eu achar ele gênio.

eu só tenho preguiça de gente que tem preguiça. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

o msn como metáfora da vida em geral

vou notando aos pouquinhos algumas mudanças. sempre usei msn para o trabalho. minha taxonomia para os contatos sempre foi a mesma. um #nomedafirrrma, um #amigos e um #theothers.

mudava a empresa, mudava o nome do primeiro grupo, e redirecionava os contatos. quem tivesse virado amigo ia para a pasta de amigos, quem tivesse valor inexistente era deletado, quem tivesse algum tipo de serventia eventual (contato de trabalho, mercado), ia pra the others. a pasta the others servia, também, para guardar desafetos ou amigos em processo de delete na vida em geral. enquanto eu não era forte o suficiente para cortar de vez o laço, ficavam ali, guardados, numa espécie de limbo. 

saí da firma e vim pra grande corporação. anotem aí. 6 meses. nunca troquei o nome da firma colorida no msn, nunca criei a pasta com o nome da grande corporação, nunca carreguei as pessoas para as pastas amigos ou the others. meu msn ficou congelado, enquanto eu tentava firmar meus pés na escolha que tinha feito.

de fevereiro pra cá, mudanças. indiquei amigos para algumas vagas, e já esbarro em um ou outro querido pelos corredores. já existe aquele levantar de sobrancelhas em reconhecimento, aquele small talk de cozinha, aquele sentimento de estar à vontade, mais em casa. sou dona desse chão que eu piso. já existem novos queridos, já existem amigos antigos aqui e acolá. já existe o olhar que não precisa de palavras.

minha mudança finalmente está feita.

coincidência ou não, as pessoas começaram a pedir o contato do msn. talvez seja hora de apagar a firma colorida de lá, mover os contatos entre as pastas, e abrir esse espaço novo, que vai ocupar os meus dias daqui pra frente. que já ocupa os meus dias há seis meses, mas que levou tempo. o tempo necessário. 

vamos lá.

quinta-feira, 1 de março de 2012

a vista aqui de cima

é bonita, não vou negar. os problemas são outros. são mais chatos. 

organizar processos, fazer com que eles funcionem, assumir a culpa se eles não funcionarem. 

definir que tipo de pessoa deve vir trabalhar comigo. pegar aqueles processos que eu criei ali em cima e dizer por quem eles são feitos.

imaginar essas pessoas. quem são, o que estudaram, que tipo de característica possuem. se se dão bem em ambientes silenciosos ou barulhentos, qual a capacidade ideal de concentração delas, o que elas devem fazer e qual deve ser a medida usada para definir se elas estão cumprindo com o prometido. definir o prometido que elas devem cumprir.

fazer conta, pesar consequencias. cobrar horários, *dar o exemplo*. 

(essa parte do exemplo e da cobrança eu odeio, odeio mesmo, mais que tudo. acredito numa sociedade livre, com todo mundo responsável, fazendo o que tem que fazer sem precisar de porteiro ou segurança atrás. mas anyway)

descobrir onde as pessoas estão, chamar elas pra conversar, pra conhecer. não ser simpática demais nas conversas, pra não gerar expectativas. falho miseravelmente. se eu gosto, eu sorrio com os olhos. smies, aqueles da tyra banks, na hora errada, com a audiência errada. se eu não gosto, sono profundo, vontade de morrer. que vida.

convencer a mocinha boazinha do rh que eu quero quem eu quero, e que não, eu não vou chamar aqui 200 pessoas *pra ter elemento de comparação* e poder dizer de forma neutra quem deve ser convidado a se juntar ao barco. nessa parte do processo, confesso. tenho muito carisma. sou um docinho, o rh me adora.

ser put together. acreditar na coisa toda. me portar como alguém que tem clara noção de onde está indo.

hahaha. como se fosse possível, né?

leap os faith, o nome disso. não há certezas, não há garantias. há fé.

quem diria. eu, que sempre fui pessoa racional, virei pessoa de fé.

john locke me entenderia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

tempo de ajustes

então eu e o meu menino fomos morar juntos. quer dizer. ele veio, eu permaneci exatamente onde estava. o quarto vazio que havia sido ocupado pela roomate ganhou mesas. a minha e a dele. minhas roupas continuam espalhadas, e parecem ter se multiplicado agora que o espaço nos armários aumentou. não sei, sinceramente, como elas cabiam no espaço anterior. convenci o namorado que, melhor que a bagunça, seria ele topar que o terceiro quartinho, menor e desses reversíveis, virasse só meu. ele topou incrivelmente rápido, e agora eu ando afogada em referências no pinterest para um espaço absolutamente girlie, com minhas roupas organizadas em araras. um quarto de vestir. só meu. <3

os outros armários podem ser dele, e podem abrigar aquelas coisas todas que a gente acumula e que são equivocadamente chamadas de bagunça. caixas da apple que a gente não consegue jogar fora (são tão bonitas), toalhas, caixa de remédios. a gente tem se divertido trocando lâmpadas, porque segundo ele eu sempre usei lâmpadas erradas, e os olhos dele ardem. eu passo meu tempo tentando ler as revistas antes de organizá-las. as cadeiras chegaram, e foram caras o suficiente para esperarem a mesa mais um pouquinho. nesse meio tempo, me distraio com referências de lustres e paredes coloridas.

as pessoas me dizem que eu casei. acho a referência tão séria. um dia a gente casa. e eu vou vestir algum vestido com ares de melindrosa, só porque eu mereço. por enquanto, o clima é bom, de mais um passo, de mudança. ajuste dos planos de tv a cabo e internet, ajuste da quantidade de frutas que a gente consome, da frequencia das idas ao supermercado. dos horários de dormir. ajuste da vida em geral.

nunca nunca eu fui tão feliz. nem sabia que a vida podia ficar assim.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

adestramento

se tem uma coisa que eu posso dizer sobre a grande corporação, é que aqui é um grande ambiente de adestramento de pessoas. pra tudo tem regra, tem processo, tem demora, tem protocolo. no início você bufa, reclama, briga, diz que não é assim. depois você vai aprendendo a se movimentar por entre as dificuldades, e vai entendendo que tem coisa que a gente pode contornar ao invés de brigar.

tudo tem um rh olhando. fazendo cara de "isso não é adequado". não se deve dar passos sem consultar antes. porque VEJA BEM, a companhia é muito sólida. Eu quero chegar mais tarde. não gosto de acordar cedo. Eu me recuso a colocar scarpins de bico fino e falar c a l m a e p a u s a d a m e n t e  sobre qualquer assunto. eu interrompo, hello. eu taco tênis de oncinha e blusa de esqueleto. porque isso aqui, antes mesmo de ser um grande símbolo corporativo, é internet, mermão.

daí a gente entra num outro tópico. toda aquela demora que eu mencionei lá em cima não combina com a vida em geral. eu tive a sensação, ao entrar, que tinha feito uma grande viagem, rumo ao passado. estamos em 1995, folks. quando internet é aquele troço incrível, ue vai bombar no futuro.

breaking news, corporação. internet é agora. olhem pela janela, eu digo. aponto para o prédio da firma colorida, na paisagem, e digo. ali, naquele prédio, estão fazendo isso. é difícil não. só dá trabalho. 

o engraçado é que a gente vai notando as diferenças se ajustarem. a corporação começa a querer mais gente como eu. exatamente esse tipinho errado que não segue regras e reclama de tudo. e dá esporro em gerente de projetos. daí a grande corporação resolve ensinar bom comportamento. e enfia a gente em salas de treinamento, pra ensinar a gerenciar *pessoas*.

eu vou, né? ensinaê. aprendo o tom de voz adequado, aprendo o timing correto pra convencer as pessoas do meu ponto de vista, aprendo os termos dequados pra dizer pro gerente de projetos com cara de charlie brown que o que ele tá fazendo ainda não é good enough. precisamos alinhar, e talecoisa.

tamos indo bem, eu e a grande corporação.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

dog days are over

porque quando a vida se acerta, as coisas boas vêm assim, aos montes.

porque tem meu menino em casa, e agora a casa é dele também. e as minhas novas cadeiras rhycas chegaram, junto com o cabideiro colorido. e eu já escolhi a cor que vai cobrir a parede pink, porque agora a casa é de menino também. 

porque janeiro veio e foi embora, e o trabalho acalmou. e veio a menina ruiva ajudar no projeto, e tirou de mim todo o peso que eu não queria e não sabia carregar. e agora eu faço o que eu gosto de novo, e faço o que eu sei fazer. internet como eu acredito. e ainda tem um mundo de coisa pela frente, e o trabalho mal começou, mas eu pedi ajuda das minhas ninjas coloridas, aquelas dos tempos de oficina, que sabem fazer isso melhor do que ninguém. e agora eu tenho reuniões aos montes, mas com pessoas queridas, com quem eu já trabalhei e aprendi horrores.

e eu vou ter que montar uma mini equipe pra me ajudar nesse mundo de trabalho que vai começar. e eu to pensando em escalar para a tarefa algumas ex cowokers queridas, pra colorir os meus dias e me ajudar a construir esse castelinho todo. 

meu começo na grande corporação foi difícil. puxado. projeto legal, com todos os impedimentos do mundo. passei três dos últimos cinco meses chorando, achando que as coisas eram todas pesadas demais. daí engoli o choro, put myself together, e pensei. vou continuar. vou ficar e fazer funcionar. e, amigues, o único jeito que eu sei fazer meu trabalho funcionar é plantando um jardim em volta de mim. com gente boa, competente. com gente querida, gente que me faz feliz. sou libriana, preciso de harmonia em volta. pra tacar batom vermelho e seguir a vida. pra dirigir ouvindo música. pra cuidar da casa nova, e do trabalho, com o mesmo cuidado que eu sempre gostei de ter.

peguei toda a equipe e entreguei pra menina ruiva. cuida, são suas meninas agora, eu disse. não dou conta de controlar processos que eu não conheço. não gosto e não sei. agora, com a casa arrumada, e um organograma colocando gente cujo o trabalho eu entendo pra trabalhar comigo, estou animada. 

nesse meio tempo, rh me bombardeia pedindo indicações. a grande corporação começa a se movimentar, e quer gente boa para as vagas abertas. e acontece que eu conheço essas pessoas. arrogantezinha que sou, digo. eu sou uma dessas pessoas. indico um, indico outro. já tem amiga querida no andar de baixo. em breve teremos mais ninjas desses pelo andar, em projetos diferentes. fazendo funcionar.

quando eu saí da firma colorida, minha ideia com a grande corporação era bem essa. começar a fazer diferença. ter liberdade pra escolher, pra fazer as coisas de um jeito que eu acredito.

it's happening, amigues. dá medo. é uma grande bagunça. mas esse friozinho no estômago é melhor do que qualquer outra coisa que eu já tenha experimentado no trabalho.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

spoiler alert

nos últimos quase dois anos, minha casa foi tipo o lugar mais incrível de se morar. as paredes foram coloridas, o forno viu cheesecakes. almoços de domingo, casa cheia. foi aqui que eu fiz festas, abriguei um batalhão de amigas antes e depois de noites no vegas, entrei em guerra com a evil manager, com o psicopata de estimação, troquei a oficina pela firma colorida pra, um tempão depois, tomar a decisão de ir pra grande corporação.

foi pra cá que eu trouxe a roomate amigue quando a roomate louca se mudou. e, gente. a roomate mais querida é a minha. as discussões intermináveis sobre big brother, as galochas idênticas que a gente comprou antes mesmo de se conhecer. os vestidos, os nossos meninos, o dela e o meu. 

foi aqui que eu virei namorada, naquele carnaval que a gente nem viu acontecer.

dentro de uns dias, mais uma temporada termina. roomate will pack her belongins and leave. sem briga, sem choro. com dorzinha no coração, mas aquela boa, de etapa que se encerra. vai morar ali, na quadra de baixo, mesma rua. com o menino dela. eu acho muito incrível que eu tenha conseguido que os meus últimos anos dividindo apartamento tenham sido com uma amiga. porque refaz, sabe? cura as histórias erradas todas. e quem acompanha esse blog sabe bem das histórias erradas.

por isso que eu preciso contar as histórias certas. :)

roomate saindo, eu viro outra garota. uma garota aparentemente adulta. que ainda roi as unhas, verdade, mas que traz pra casa e pra vida o menino jornalista de covinhas e olhos verdes. pra começar uma nova série. uma nova vida.

sábado, 10 de dezembro de 2011

saturno

a ausência minha, aqui, é excesso de presença no trabalho. não é ausência de assunto, é excesso de cansaço. o dia começa cedo, e eu ainda durmo tarde. os amigos ligam querendo marcar coisinhas, eu só suspiro fundo e pergunto se pode ser na semana seguinte. sinto saudades. mas o cansaço é tanto, a vida corre tão rápido que, quando eu dou por mim, outra semana já foi.

é saturno, diz susan miller. apareceu no meu signo em meados do ano passado, pesou nos ombros, e fica até ano que vem. parece bobagem, mas eu sei. eu sei. saturno é planeta que faz trabalhar duro. eu já venho nessa pegada desde a firma colorida. mas na grande corporação, MERMÃO, a coisa é ainda mais pesada. tem muito pra aprender, muito pra controlar. fora da zona de conforto.

exatamente o que eu queria, né? exatamente.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

eu me distraio roendo as unhas, assistindo realities, me afundando no abraço do namorado. é quase um desamparo. não é trabalho em excesso. é responsabilidade, mesmo. é saber que depende de mim, muito, muito, que os planos aconteçam. eu sei. eu fecho os olhos e ligo pontos, o tempo todo. eu tento não falar de trabalho, mas é só o que eu faço. eu ando encantada com as pessoas, e a equipe incrível que olha pra mim esperando respostas. eu tenho algumas. algumas.

a grande corporação é lugar de gente feliz. as pessoas são gentis, e simpáticas, e acho até que um pouco da minha dureza corporativa, de mandar Att. antes da assinatura de e-mail se quebrou. eu agora mando beijos, me despeço, boto carinhas felizes. eu sorrio e peço ajuda, eu olho para a menina de cabelos bonitos e peço que ela tenha paciência, que a vida vai se ajeitar. eu percebo o peso do mundo nas costas dela, todas as mudanças, a responsabilidade se acumulando. eu sei, eu sei. confia, eu peço. 

e faz um tempo já que, desesperada diante de tanta coisa a ser feita, tanta coisa a ser lembrada, eu lancei mão de post its coloridos e enchi minha mesa, a parede, o monitor. olhar para os problemas ajuda a solucioná-los. e antes que eu pudesse me dar conta, o que eu vi foi a mesa ao lado, o corredor ao lado, as mesas três corredores depois, as mesas no fundo do salão, todas, muitas, se encherem de post its. todo mundo escrevendo os problemas em papéis coloridos e se pondo a encará-los, um por um.

e é assim que se começa. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

e a gente segue a vida achando que o blog é secreto. mesmo sabendo que o namorado veio através dele, que os amigos lêem, que o amigo chefe conhece, que a amiga marida do amigo chefe indica pela vida. e que a professora de espanhol dela gostou de me ler.

oi, professora da amiga marida do amigo. :)

mas aí vem daniel, aquele que nunca precisou de apelido, e diz que também me lê. e eu envergonhei bem no meio do karaoke. porque dele eu não sabia. corei.

oi, daniel querido.

e aí que eu quero escrever sobre o trabalho, e já tenho até permissão, já que o amigo marido da amiga é também chefo e deixou. e eu quero falar do passeio insólito do último fim de semana, e de como a vida é complicada quando você também vira chefe. todo um aprendizado. quero falar de miranda priestly, que existe, amigues, e anda por esta grande corporação fazendo uma blusinha de 49,90 da zara parecer puro luxo. e não olha nos olhos, o que se a gente for pensar bem é até bom, porque periga virar estatua de sal.

eu volto. guenta aí.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Notícias do front

Então a firma nova é assim. Não é firma. É grande corporação. Com todas as dores e delícias de uma grande estrutura. Tem que aturar o elevador gigante que comporta muita gente, parando de andar em andar. Tem que aturar um help desk que eu, carinhosamente, já apelidei de helpless desk. Porque abre chamado, cria burocracia, demora uma vida pra responder. Quando finalmente responde, briga comigo porque eu to navegando no chrome, e me manda usar o internet explorer como navegador padrão. OI? QUE ANO É ESSE? 

A firma colorida me acostumou mal, nesse sentido e em alguns outros. Mas se a gente for entrar numas de comparação, MERMÃO, as críticas param por aí. Meu estacionamento veio com 4 dias,  e o carro fofo e novo fica guardadinho, com mais espaço e menos chance que algum espertinho desavisado e filho da puta marque minha porta. Aliás, alô menina de cabelos vermelhos, agora pretos, que muda o cabelo mas não muda o espírito de porco. Olha eu aqui ainda indo de carro pro trabalho. Tão perto quanto antes, hohoho. Ainda quer me dar porrada? Quer?

Pronto, passou. Respira.

Então, continuando. A grande corporação tem gente de todo tipo. Na firma colorida o galerê ia basicão, e não raras vezes eu vi, muito contrariada, moleques usando bermudas e havaianas. Eu nunca me vesti montada, sempre fui mais basicona, mas a firma colorida me permitia pequenas brincadeiras como bota de oncinha e short curto com meia calça. A grande corporação também tem gente largada, basicona. Mas tem uma parcela importante de gente que é do mundo da moda, e que é meio formador de opinião. Gente famosinha, mesmo. como o meu projeto é relacionado à moda, e é uma coisa muito legal e incrível, eu me sinto direcionada pra esse mesmo lado. Me montar. Só que eu não me monto. Por falta de disposição, por falta de peças de roupa que comportem uma superprodução todo dia, por minha aversão a saltos. E aí tem a ex trainee fofa toda vida, que tá ali pra trabalhar junto e dar o tom da coisa toda. E ela sempre está montada. Serena Van Der Woodsen trabalha do meu lado. Enquanto eu me desequilibro desajeitada entre tentativas de ser Blair Waldorf, clássica e boneca, ou Vanessa Adams, uma coisa hipster/alternativa. Todas frustradas, já adianto.

E dá-lhe bolsa assinada, salto altíssimo tendência. Ela combina bem as peças, e é uma pessoa simples, no dia-a-dia. Mas, devo confessar. Estar ao lado de uma pessoa tão cuidada nesse sentido tem feito algumas desordens na minha autoestima. E eu me vi usando mais saltos do que costumo, sem coragem de lançar a bota de oncinha. Vamos deixar claro. Eu não me visto mal. Eu tenho um estilo bem definido, mas que se inclina pro alternativo. Blusa de caveiras e audrey zombie tão aí pra provar. E eu fico me sentindo alternativa DEMAIS perto dela. Isso quando eu não me acho uma mendiga mesmo.

A parte boa desse desconforto é que, junto com a vaga nova na grande corporação, veio um salário mais gordo, uma puta promoção. E eu me vejo com liberdade de tomar decisões, de ser ouvida, de participar mais de perto do direcionamento das coisas. Eu só preciso ir na Zara e vestir esse novo avatar. O que me leva a um NOVO problema. Desde que o menino incrível de olhos verdes e sorriso largo adentrou este mundinho, a vida foi bela, e regada a restaurantes, e doces, e comidinhas felizes. A brincadeira me trouxe 5kg, desde fevereiro. Como eu estava, desde a oficina colorida, consideravelmente abaixo do peso considerado "normal" pra minha altura, os 5kg não me transformaram numa figura gordinha. Engrossaram as pernas, deram contorno aos quadris. Meu menino diz que eu estou melhor assim do que quando nos conhecemos, mas só eu sei a dor que eu sinto ao ver meus ossinhos dos quadris mais, hum, digamos, recheados. E como boa pessoa que gosta de ser magra, eu já estou aqui maquinando planos para resolver o problema. Porque Zara, meu bem, é prêmio. E só daqui a pelo menos 3kg eu vou poder merecer roupas novas.

Tamos aí trabalhando horrores, com equipe pra gerenciar, aprendendo com os erros, tentando organizar coisas que vieram antes. Coletando números, decorando nomes, tendo que controlar planilhas. ACORDANDO CEDO. O que, desde sempre, sabemos que eu não gosto. 

Existe vida antes de 8h da manhã, eu me perguntava há alguns meses. A resposta tá aí. Existe. E é a minha nova vida.

Tô reclamando não. Tô feliz. :)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

é tanta mudança, tanta coisa acontecendo. ando meio atropelada pela vida. 

a diferença é que esse atropelo é bom. tem gosto de escolha, de condução dos próprios passos num caminho não necessariamente fácil, mas pensado, cuidado. quase merecido.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

sobre últimos dias

meu primeiro último dia de firma colorida foi numa quinta-feira. chovia. eu coloquei meu casaco de tweed e sapatilhas verdes, e tomei um taxi, porque era doído caminhar aquelas quadras. eu me lembro da data se aproximando, a saída chegando, e eu não queria nem me levantar da cama de manhã. o choro ficava engasgado na garganta. eu só pensava na vida que eu tinha escolhido escorrendo pelos dedos, e eu não podia fazer nada. não era a minha hora. eu estava interrompida.

meu segundo último dia de firma colorida foi numa terça-feira. um dia lindo, véspera de feriado. frio com sol, meu favorito. coloquei meu oxford dourado, pra pisar ali da última vez. almocei com queridos, mandei e-mail piegas agradecendo e dizendo o quanto eu tinha sido feliz. não chorei, não senti vontade. limpei as gavetas, distribuí umas coisinhas entre os que ficavam. almoçamos juntos. em silêncio, eu me pus a observar aquelas pessoas que fizeram parte da minha vida nos últimos quase dois anos. doeu um tiquinho. mas era uma dorzinha boa, de passo necessário. e eu fui de mesa em mesa me despedir, e abracei apertado os amigos que eu sei que vão comigo. ouvi  da coordenadora fofa que se a firma nova não me tratasse bem, eu podia voltar. portas abertas. amor em seu estado mais puro.

saindo do prédio, esbarrei no diretor que foi chefe da primeira vez, em 2009. naquela quinta-feira triste e chuvosa em que eu saia da firma contra a minha vontade, ele me abraçou e disse. "você vai, mas você volta." eu me agarrei àquilo que, de fato, aconteceu. voltei depois de seis meses, e ali permaneci mais quase dois anos. chegou minha hora de sair, de novo, e dessa vez a escolha era minha. quando eu estava saindo da firma pela última vez, todos os cacarecos dentro da sacola pink emprestada pela roomie fofa, esbarrei nele, bem na catraca. sorri e disse que ele tinha aparecido bem a tempo de me dar um abraço de despedida. ele sorriu, me abraçou e disse. "eu te disse isso da primeira vez, e te repito a segunda. você vai, mas você volta."


"dessa vez, acho que não." isso eu pensei, não disse. apenas sorri. é bom, é a coisa mais legal do mundo sair de um lugar, sabendo que você é querido, que tem portas abertas. é como se tudo aquilo que eu construí nesses 3 anos, todas as pessoas, todos os queridos, formassem uma rede de proteção, pra impulsionar um passo que é só meu.


tem mais de uma semana, isso. e eu ainda sorrio.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

da outra vez que eu decidi pedir demissão eu sofri. me tranquei no banheiro e chorei. me despedi mentalmente de cada cantinho, do chocolate quente, das pessoas, mesmo aquelas com quem eu troco dois ou três olhares, quando muito, por dia.

era tão óbvio que eu não estava pronta. ainda.

quanto tempo se passou desde o dia em que eu achei que tinha jogado dinheiro pela janela? dez dias. tempo exato pra eu entender que eu não devia ter medo, que era hora de respirar fundo e pular. eu não me arrependi de não ter aceitado ir para a firma número 1. eu queria um projeto feliz, assim como o meu. algo que me desafiasse, que me fizesse ter ideias novas.

dez dias depois eu tinha certeza, ainda da minha decisão de ficar. o meu salto não era aquele. era outro.

era esse.

e quando eu decidi pedir demissão, de novo, foi estranhamente fácil. eu olhei pro projeto com uma sensação de tarefa cumprida. desapego. olhei para as pessoas com uma pontada sofrida no coração. porque sim, eu fiz amigos aqui. e mesmo os que não viraram amigos são pessoas que eu gosto de ter na paisagem. e eu vou sentir saudades deles.

mas o pedido de demissão veio com um sorriso e uma boa conversa. eu expliquei o que acontecia comigo, essa impossibilidade de ficar parada, eu precisava do movimento. recebi de volta um sorriso meio aborrecido, desconcertado, um abraço verdadeiro e elogios ao meu trabalho. foi uma das coisas que mais me aqueceram nos últimos dias, essa conversa. de término, de despedida, mas de certeza de que deu certo. e que sim, é a minha hora de ir.

e eu vou. 

a outra firma é incrível. parece um clube. anne louise chamava de centro de entretenimento, porque era divertido. ela trabalhou lá há muito, muito tempo, quando eu era a garota que trabalhava no rio e ela a garota que trabalhava em são paulo. agora ela trabalha na firma mais incrível do mundo (mesmo), e eu, dentro de alguns dias, na firma centro de entretenimento.

o mais engraçado é que eu pedi demissão numa sala de reunião que tinha vista para o prédio da firma nova. e foi pra ele que eu olhei durante a conversa.

tô feliz, sabe? 2011 toma disparado a dianteira na briga por melhor ano que essa cedilha aleatória aqui já viu. muito amor. muito mesmo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

season finale

não existe salto sem vertigem, disse a doutora freud. deitada no divã, eu sabia. era hora de andar.


dois dias depois eu pedi demissão da firma colorida.

***

não porque eu não gostasse do que eu faço, mas porque eu já faço há um tempo e é hora. quando, há poucos dias, eu resolvi ficar, eu não sabia, mas já havia algo diferente acontecendo comigo. o let go.

***

a firma colorida tem disso. é meio mãe. te envolve numa névoa, te abraça quentinho, te serve chocolate quente e salada de frutas. zona de conforto. o maior conforto do mundo. o tipo de conforto que a gente sabe que deve escapar, porque distrai, seduz, confunde. e você se vê sentado por meses, por vezes anos, fazendo a mesma coisa, dia após dia. 

eu me prometi não deixar essa névoa me distrair. eu devia isso à garota que chegou com a vida empacotada no carro, ouvindo george michael cantar faith, se preparando para uma vida grandiosa. essa névoa gostosa e quentinha me deixaria no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa, sendo feliz, feliz pela vida.

mas vejam bem. no mesmo lugar.

***

outro sinal veio. outra vida me foi apresentada. de novo. uma vida ainda mais grandiosa. fora da zona de conforto. grandes desafios, grandes méritos. e eu devia àquela garota cheia de planos essa resposta. porque era isso que ela buscava quando largou tudo apostando todas as fichas no que ela sabia.

a resposta era sim.

então, bem no aniversário de três anos do meu caso de amor eterno com essa cidade cinzenta, eu rompo o meu relacionamento sério e estável com a firma colorida. e vou ali buscar um pouco mais do que eu mereço. 

dá licença.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011


parece que foi 2009 que veio e me atropelou de novo. dessa vez um atropelo diferente, meio controlado. de semelhante, a mesma inquietação, a mesma incapacidade de ficar parada no mesmo lugar, vendo o chão firmar de um jeito perigoso, desses que acimentam a gente e impedem o movimento.

comigo não, violão.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

3


Sometimes things have to fall apart to make room for better things.


eu sei exatamente quando as coisas começaram a dar certo pra mim. antes, não se enganem, eu era assim como qualquer outra pessoa que acha que não tem sorte na vida. eu tinha uma vida que eu não gostava, numa cidade que eu não gostava e achava que nada ia dar muito certo. por outro lado, eu tinha cá comigo esse monte de ideias de uma vida que era minha, e que era incrível, e que eu precisava chegar até ela para que as coisas começassem a dar certo. como se eu estivesse no lugar errado mesmo, e bastasse apenas e tão somente me colocar no lugar certo, no cenário certo, pra fazer, finalmente, a roda girar pro lado correto.

eu tinha medo de mudança. quem não tem? fui fazer terapia pra ganhar coragem e fazer o que precisava ser feito. jogar tudo pro alto, começar do zero, novo lugar, novas pessoas, nova vida.

a vida não se acertou imediatamente a partir da hora em que eu em instalei no cenário correto. eu precisei aprender os caminhos entre as prateleiras do supermercado, e entre as ruas da cidade grande. me perdi, me achei. foi preciso um esforço, o maior esforço do mundo. pra sorrir e fazer amizade, abrir espaço pra um mundo novo, de gente nova. engana-se quem pensa que tudo veio fácil. não veio. 

teve muito programa desmarcado por falta de dinheiro, teve muito aniversário de amigo perdido pela distância, teve todo o desampario de ficar doente e estar longe da família. teve muita aventura com gente que eu descobri - depois - que não valia era nada, teve muita roomate errada, teve gerente evil. 

hoje, o que temos? temos um rapazinho absurdamente incrível, com quem eu vejo toda uma vida esperando pra ser vivida. tem roomate fofa e que faz bolos, tem amigos queridos. tem zero gente errada em volta de mim, agora que eu aprendi a filtrar e selecionar. esses, eu quero bem longe. tem a firma colorida que é onde eu escolhi estar, e depois escolhi de novo. tem o projeto mais legal do mundo, o trabalho que me faz acordar todo dia feliz. tem esse friozinho delícia marcando 11º nos termômetros da faria lima. o supermercado novo que eu descobri e que tem o cottage que eu mais amo no mundo. tem fim de semana sem fim com meu menino, daqueles que o mundo pode explodir e a gente não liga. 

sabe esses momentos em que você olha em volta, respira fundo, sorri e sabe? 

nesse momento, eu sou feliz.

tem um monte desses momentos. um montão mesmo.

3 anos hoje, são paulo. and counting. <3

terça-feira, 16 de agosto de 2011

embate com rhs


ligo pro rh contato do processo, um rapaz novinho de barba (tentando passar um ar mais sério, penso eu) e digo que minha decisão está tomada. ele insiste. eu me mantenho firme. minha decisão não está orientada por dinheiro, é o projeto, desculpa, parará. ele insiste. eu me mantenho mais firme ainda. meu pai disse que ia ser difícil. ele chama a coordenadora.

coordenadora de rh repete o looping inicial. fala que eu sou um profissional de ouro, e que absurdo mesmo é a firma colorida não me valorizar, etc e tal. eu concordo com ela (mas discordo na vida, porque eu sou valorizada sim, e isso quem sabe sou eu), digo que está certíssima, mas *no momento* a minha decisão tinha sido orientada por projeto (projeto mais legal da firma colorida e do mundo, desculpaê x projeto sem graça e que não me encantou nem um pouco) e que sim, havia perspectivas. Pra quem sabe onde está indo, qualquer lugar é caminho. Sra coordenadora RH continua falando dos benefícios, pergunta quantoéquetãomepagandopraficar e eu. Veja bem, minha senhora, a questão não é grana, não faço leilão, não gosto disso, nunca gostei. Ouço um áudio diferente na conversa, de barulho ambiente, e me dou conta de que estou no VIVA VOZ. hello?

hello. do outro lado, toda uma pequena comitiva de rhs reunidos, me dando oi, argumentando que eu estava tomando a decisão errada, pra eu mudar de ideia, que lá era legal, etc. eu digo GENTE, desculpa, a decisão tá tomada, e coisa e tal. haja força de vontade. haja amor ao projeto. quando eu finalmente consigo desligar, ainda meio desnorteada, corro pro meu pai. sou desse tipo. preciso de conselho de pai quando as coisas se confundem. meu pai gargalha e diz que o que aconteceu ali foi o meu caráter sendo testado. e que era pra eu aguardar, olha lá, mais uns dias. Que essa firma louca e cheia de RHs felizes e argumentativos ia me testar de novo, oferecendo mais dinheiro. eu rio e digo que ele está louco, mas peraí, tem ligação em espera. 

são ELES. de novo. enquanto eu me choco achando que eu devo mesmo ser tudo isso aí que eu até já achava que eu era mas que não sabia se o mundo percebia, escuto uma proposta de cargo e salário ainda mais alto. penso nos planetas todos, e quero perguntar à Susan Miller se isso é Saturno querendo me ensinar alguma lição ou Urano brincando com a minha cabeça. moça educada que sou, recuso, agradeço, peço desculpas. decisão tomada, galerê. desejo boa sorte na proposta ao candidato seguinte.

ainda desnorteada, volto pra minha mesa. joguei dinheiro pela janela. o bizarro é estar absolutamente em paz com a decisão. se eu sou tão boa assim quanto eles fizeram questão de repetir, não vai ser difícil chegar onde quero. trabalhando nos projetos que eu quero.

OBS. a segunda opção era o ex menino mais bonito do mundo, que sempre foi referência no que eu faço. Hoho. 

i win.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

do not walk.

então eu tinha decidido sair. fui buscada, nem procurei, olha só. me ligaram, vem aqui, fala com o diretor, com o vice presidente, e eu disse assim pro meu menino. vou só olhar, mal não faz, veja bem.


e eu fui, e eles me perguntaram porque é que eu queria sair da firma colorida e eu MENTI, menti que queria crescer mais (que nem é mentira, mas não é tipo algo que não aconteceria na firma colorida), que não queria estacionar, que achava que o projeto tava chegando num ponto que eu já estava satisfeita. eu menti.

a verdade é que sim, eu perdi aquele encanto com a firma, com as pessoas (não todas, mas uma parte relevante, vá lá), mas não, eu não perdi o encanto com o trabalho. não tem projeto que eu goste mais, não tem dia a dia que me dê mais prazer, e meu sorriso é sincero quando eu vejo os resultados chegando. é sim. porque são, agora, estamos contando, 1 ano e 8 meses de trabalho árduo, e nem pasta do projeto tinha na rede, podem me chamar de romântica mas a primeira sementinha está lá, e fui eu que plantei. e lá estava eu na outra firma, em troca da promessa de maiores méritos e riquezas, vejam bem, mentindo pra eles e pra mim de que já era hora de andar.

e nem era, olha só.

O que eu consegui com isso tudo? junto com a proposta, uma gastrite, uma dor absurda de despedida de cada cantinho, de pensar que isso aqui ia continuar lindo e que seria outra pessoa no meu lugar, vendo isso acontecer.

era demais pra suportar.

uma boa conversa com a coordenadora fofa e todo um horizonte se abriu na minha frente. eu respirei fundo, chorei mais um pouco, concordei secretamente com daniel querido, que sabendo da minha decisão de sair e tendo passado por isso um ano antes, me disse. eles vão foder a sua cabeça.

e sim. foderam. não bem eles, mas todo esse mundo que eu quis vivenciar e que é meu. e não tem parabéns que não seja também pra mim, não tem reconhecimento que não seja meu, também. o que fode a minha cabeça, na vida, é o meu amor pelo meu trabalho. e não. nenhuma decisão, por mais incrível ou promissora que seja, vai ser tomada com a cabeça, enquanto eu me arrepiar desse jeito com o meu trabalho sendo reconhecido, e sendo BOM.

porque é bom, sabe? é sim. :)

com isso, depois do meu looping eterno do vou ou do fico, depois das lágrimas, do medo de me arrepender, da sensação de perda antecipada, eu cheguei à conclusão mais óbvia do mundo.

hora de andar porra nenhuma.

hora de ficar. e colher, um a um, os frutos do meu trabalho. são meus. e eu não vou deixar pra ninguém, não.