segunda-feira, 16 de março de 2009

Integração

Salinha de treinamento, apresentação da empresa, um mundo maravilhoso em que eu super acredito.

E eu pensando que não pode acabar, não pode acabar, não pode acabar. É cedo pra pedir pra ficar, há um caminho a ser percorrido.

O kit de boas vindas incluía uns mimos tipo mochila, squeeze, caneta, caderno, camiseta. Eu fico pensando se o kit pé na bunda incluirá lencinhos e óculos escuros.

domingo, 15 de março de 2009

A arte de decorar nomes

Eu posso administrar muita coisa. Eu consigo lidar com a espinha que se instalou no meu queixo na minha primeira semana de trabalho, ali, dizendo bom dia a quem resolve olhar pra mim. Eu consigo lidar com a roleta que vez por outra encana comigo, com o elevador louco que vai para andares estranhos e passa sempre lotado, me obrigando a subir lances e lances de escada. Eu consigo até mesmo manter a cara séria e compenetrada quando tudo o que eu penso é que o gerente é husband material, lindo toda vida. Mas eu não consigo decorar nomes na velocidade em que as pessoas se apresentam.


Sério. Eu já fui melhorzinha nessa arte. Ultimamente, é fail total. Fulano se apresenta, 5 minutos se passam, e eu estou. Quem? Quando? Onde? Um horror. Vou tentando atribuir tags às pessoas. Fuulano é o de cabelo assim, cicrano é o que tem piercing, etc e tal. E você até tem a ilusão de que está indo bem, que uma hora ou outra poderá chamar as pessoas pelos nomes corretos. Aí neguinho te coloca numa reunião com uma equipe de 8 pessoas. 6 delas, japoneses. Eu decorei três nomes, uma média excelente. Um garoto não japonês loiro de piercing, um garoto não japonês moreno e normal, e um oriental levemente diferenciado, com uma cara meio de chinês mas que super pode ser coreano, saca? Ou japonês, mesmo. Os outros, meodeos. Sem pistas.


Estava no banheiro, escovando os dentes. Uma garota entrou, parou na pia ao lado e foi super gentil. Se apresentou, disse o que fazia, perguntou quem eu era e me deu boas vindas. Fofa, né? Adoro gente gentil com forasteiros. Esse troço de se integrar exige esforço das duas partes. Quando ouvi o nome da menina, repeti, numa tentativa em vão de memorizar. 5 minutos depois. Quem? Onde? Quando? Nada mais me lembro.


E aí não dá, néam? Porque se a pessoa deseja se integrar, o mínimo esperado é que ela saiba os nomes das pessoas da equipe. Comofas? Eu lancei na internet. Sou boa fisionomista, isso havia de me servir de algum jeito. Taco geral no Google, Facebook, Orkut. Acho flickr, blogs, twitters. Vou descobrindo detalhes e decidindo de quem eu vou ou não vou gostar, de antemão. Eu não tenho paciência pra esse troço de ir conhecendo as pessoas. O negócio é pegar atalho mesmo, ver se fulano parece legal, se tem bom gosto pra música, se fulana é casada, quem é amigo de quem. Quem é colorido nas fotos, esse tipo de coisa. Não adiciono ninguém, porque ainda não é hora. E eu sigo uma etiqueta. Salvo nos favoritos, no delicious (com cadeado, naturalmente), nos bookmarks do Orkut. Pego RSS do twitter. Porque virar follower a essa altura do campeonato me parece precipitado. Achei a garota legal do banheiro, ela continuou legal depois que eu vi os perfis todos. Agora eu sei o nome. Pode parecer maluquice, meus amigos me olham com cara de /q sempre que eu sugiro tacar as pessoas na internet. Mas esse é o meu modus operandi, é assim que eu funciono.

quarta-feira, 11 de março de 2009

party of five

Eu tenho esses amigos no Rio. Eu tenho muitos amigos no Rio, vivi lá dez anos, mas eu estou falando de quatro em especial. Nem são amigos de tanto tempo, os conheço desde 2006. Nem contabiliza 3 anos, ainda.

Eu me lembro de uma coisa em especial, de como a gente ficar amigo me pareceu algo assim, aleatório¹. Era segunda semana de curso, e ninguém se conhecia. Meses mais tarde eu me daria conta do quanto não valia a pena conhecer melhor boa parte daquelas pessoas, mas anyway. O professor explicava o projeto final, que seria entregue em um ano e meio, e que os grupos deveriam estar formados desde o início, para a execução das etapas. Ninguém se conhecia, tanto faz quem entrasse em qual grupo. Eu não tinha ficado amiga de ninguém, achei uma garota com um papel na mão e perguntei se podia fazer parte. Chegou outra garota, de olho azul. E outra, japonesa. E então um garoto se aproximou, e foi o último nome a completar a lista.

Ao longo daqueles quase dois anos eu vi gente se matando, gente trocando de grupo, gente falando pelas costas e batendo boca. Eu, mais essas quatro pessoas, nos reunimos na minha casa, nas casas delas, no shopping, em restaurantes. Ficamos amigos de um jeito tão incrível que nem dá pra explicar. O projeto foi terminado e ter sido, de fato, o de nota mais alta da turma, foi apenas um detalhe. A gente sempre funcionou bem junto.

Essas pessoas me ouviram falar que queria vir pra São Paulo incessantemente durante o MBA. Quando eu soube que tinha sido aprovada pra essa vaga, foi por eles que eu procurei no msn. E eu podia ouvir as gargalhadas de cada um, mesmo na janelinha sem som. Pedi que alguém me beliscasse, e Bernardo me fez um desenho. Um belisco virtual.


Eu amo São Paulo, amo a vida que levo aqui, e não tenho dúvidas de que me mudar foi a coisa mais acertada que eu podia ter feito. Mas tem coisas que São Paulo não tem, e nem nunca vai ter. O Rio ganha disparado.

¹ Aleatório vem de álea, que significa sorte. Isso eu vi no mba, também.

terça-feira, 10 de março de 2009

Três webmasters conversando atrás de mim,

um deles o cabeludo dono do cramulhãozinho. Algo relacionado a entrevistas para uma vaga em aberto, que os três malucos participaram. Era uma garota, a candidata. Eu acho estranho mulher webmaster. Talvez seja preconceito. Eu também achava estranho ver japonês pela rua. E eles existem aos montes, nessa cidade.

Daí, na entrevista, a garota foi bem, mas nem se destacou tanto, pelo que eu pude entender. Os três estavam agitadíssimos, e tenho certeza de que, se a contratação dependesse deles, a garota estaria lá. Fiquei pensando que ela devia ter foto no currículo, ou que eles têm a mesma mania que eu tenho de tacar todo mundo no orkut, google and stuff.

Mas não. Parece que, ao final da entrevista, eles tentaram socializar, descontrair, e lançaram uma pergunta despretensiosa, sobre qual seria o hobby da garota webmaster wannabe.

Sabe qual foi a resposta? Pornografia. Foi isso o que ela disse, numa entrevista, pra três homens engraçadinhos. Não preciso nem dizer que os malucos estão em surto. Eles acham que ela foi sincera.

Na boa. Eu tenho certeza que ela tentou ser engraçadinha. E eles simplesmente não entenderam. Porque bastou ouvir a palavra pornografia, saindo da boca da garota, na salinha, que o mundo se acabou, e eles não ouviram mais nada. Eu queria que a garota fosse contratada, só pra ver a cara de alguém que faz isso numa entrevista.

eu tenho até medo do tipo de busca que o google vai mandar pra cá depois desse post. O.o

segunda-feira, 9 de março de 2009

Então no trabalho novo é assim.

Eu chego às 9h. Moro pertinho e vou andando. Fiz bolhas atrás dos dois pés, porque o band aid ficava saindo. Fui lá e comprei um com cola reforçada. E ele segurou direitinho até o fim do dia. Daí, quando eu fui tirar o band aid, junto com a cola veio a minha pele. E agora eu tenho as laterais das bolhas machucadas, sem pele. Justo onde eu preciso colar os novos curativos, já que tá tudo muito feio, ainda.

Eu chego às 9h. Mas isso foi só no primeiro dia. Porque eu fiquei lá sentadinha numa poltrona confortável, jogando Halloween Fever no celular, e nada de ninguém da equipe chegar pra me dar as boas-vindas. E aí a galerë chegou 12h. E a pessoa pensa. Agora vão me ajudar a me instalar, e talecoisa. Mas não. É o tempo contadinho de sentar, ler os e-mails e combinar o almoço. Almoço feliz, num japonês. Adorei. As pessoas são coloridas e eu super me vejo, quem sabe, sendo amiga delas. Pertenço, sabe como é? Então.

E aí eu não tinha computador, e passei dois dias absolutamente offline numa empresa de internet. Deu até crise de abstinência. Aproveitei pra acompanhar reuniões e ler meu livro de usabilidade. E fazer altos estudos e análises sobre cada pessoa que ali trabalha.

Hoje, segunda, eu cheguei 9h40. Atrasada e com vergonha, terceiro dia de trabalho, onde é que já se viu? E a roleta não liberava a minha entrada, o que certamente contabilizava mais alguns minutos negativos. E quando eu finalmente subi, não havia viv'alma no lugar. Abri meu livro, e eis que resolvem ligar o computador. Alegria, alegria. Eu cheguei 9h40 e podia dizer que estava em pleno funcionamento às 10h40. Mas nada das pessoas da equipe chegarem. Porque elas chegam mais tarde. Chegando mais tarde, obviamente que elas saem mais tarde. Na quinta, eu saí 19h30. Na sexta, 20h30. Hoje, segunda, 21h30. Porque eu preciso acompanhar enquanto eles estão em pleno funcionamento. Nem que isso signifique que amanhã eu vá estar deixando a firrrrma às 22h30. Podia ser pior, podia ser em progressão geométrica, eu penso. Mas eu tô na primeira semana, e não tenho cara de chegar lá na hora que os nativos chegam. Então, amanhã, eu chegarei 9h30. Pra sair sabe-se lá quando.

Mas eu estou feliz, sabe? Tô reclamando não.

Tem um maluco que divide a paredinha da mesa comigo, e que canta all day long. To reclamando não. To sim. Queria entender essas pessoas que cantam como se não houvesse pessoas em volta. Pessoas com ouvidos. Tipo eu. É temporário. Serei levada pra perto das meninas coloridas. Talvez porque eu seja uma delas, hehe.

Tem outro maluco que divide a outra paredinha da mesa comigo. E ele pendurou um cramulhãozinho vermelho no teto, tipo um sinalizador de onde o indíviduo se senta. Eu gosto do cramulhãozinho mais do que dele. Porque ele fala aquelas gírias de motoboy, tipo trampando, as mina, os mano, véio. E ele tem um rabo de cavalo grandão, mas só na parte de cima da cabeça. Porque a parte de baixo é raspada, sabe? Very stylish. Mas aí ele fica sacodindo na cadeira, e eu tenho pra mim que é a síndrome das pernas inquietas. E, quando ele sacode, ele sacode a mesa, ele me sacode junto. Mas eu não tô reclamando não.

terça-feira, 3 de março de 2009

O milagre da foto 3x4

Não tem coisa nessa vida que eu odeie mais do que tirar foto 3x4. Você tem que ficar parado, sério, enquanto um desconhecido ajeita a sua cabeça mais para a esquerda. A foto sempre sai horrível. Eu tenho fotos com o cabelo esquisito, com a boca esquisita, com o olho caído, com olheiras. Eu sempre penso em Tyra Banks dizendo aquele câmera loves yooooouuuu. Quando alguém é fotogênico, e tals.

Well, Tyra. Camera hates me. besosmellama

Mas aí o milagre se deu. Pra admissão lá na empresa legal, eu precisava de foto. Convenci minha mãe a me acompanhar, pra segurar a minha mão durante todo o infortúnio. Coloquei maquiagem, harmonizei as cores do meu rosto, botei até rímel. Pra ver se dava liga, o negócio.

E deu.

A foto ficou ótema. Juro. Fiquei chocada.

Eu saí bem na foto 3x4. Eu consegui ver que, ali, naquele quadradinho, era eu.

Eu no meu quadrado.

E eu tipo bonitinha. Foi A experiência.

Mandei fazer logo 18 cópias pra garantir as próximas duas décadas.

domingo, 1 de março de 2009

\o/ \o/ \o/

Então foi assim.

O meu telefone tocou, em plena quarta feira de cinzas. Ao desligar, eu tinha um emprego.

Mas calma. Nem tudo é perfeito. Existe uma vaga, muito legal, numa área muito legal, lá naquela mesma empresa que eu queria muito muito trabalhar. É uma vaga temporária, e é nessa parte que as coisas deixam de ser absolutamente perfeitas. Mas vamos lá. Pollyanna.

Tem uma pessoa que vai ter bebê. E eles querem alguém na equipe nesse meio tempo. Quase fico feliz que pessoas ainda resolvam ter filhos, mesmo em um mundo tão horrível como esse em que vivemos. Quase torço para que a criatura caia de amores por seu rebento e diga que não, obrigada, volto não. Minha verdadeira vocação é ser mãe.

Calma, respira.

Fui lá me mostrar absolutamente antenada e genial, e colorida, e cheia de brilhos. Pra no caso de, dando certo, ter 4 meses inteiros pra me mostrar ainda mais antenada, ainda mais genial, colorida e cheia de brilhos. E fazer com que eles cheguem à óbvia conclusão de que não podem viver sem mim. Porque eu já sei disso, há tempos. Faltava só convencê-los.

Dessa vez, a Rh foi bem mais simpática. Quase arriscava dizer que ela gostou de mim. Daí ela saiu, para que o gerente me entrevistasse. Entra um garoto na sala, pouco mais velho que eu, imagino. Bem mais interessante do que eu deveria achar, considerando o meu recente histórico de assédios em entrevistas. O engraçado é que ele era a cara do Michael Novotny de Queer as Folk. E eu sempre fui uma Brian Kinney kind of girl. Mas, devo dizer. Esse Michael é bem interessante mesmo. *

A vaga é ótima. Não é perfeita, porque num mundo ideal a vaga perfeita não começa com a ameaça de kick my ass em 4 meses. Mas é a empresa que EU queria trabalhar quando me mudei pra São Paulo, numa área muito legal. Com pessoas coloridas, e corredores coloridos, e eu estarei naturalmente colorida com tanta alegria de viver. Pode ser o começo de uma vida colorida e, devo dizer, eu super merecia uma notícia dessas pra declarar 2009 oficialmente iniciado.

Então.

\o/ \o/ \o/

3 vivas às pessoas que decidem ter filhos, e ceder suas boas vagas no mercado de trabalho pra uma pessoa, assim, tipo eu.

P.S. Neste meio tempo, estarei reunindo evidências que provem que lugar de mãe é em casa, junto com seus filhos. Quaisquer recortes de jornal que falem sobre babás espancadoras de bebês, sobre crianças que têm sua vida arruinada por abandono na primeira infância, sobre como o mercado de trabalho pode destruir uma família, etc. Para fins de pressão psicológica. Se nada mais funcionar, eu compro uma corrente e um cadeado, e me acorrento à minha work station. Quero só ver neguinho me tirar dali. Ah, quero. =]

* Eu queria entender exatamente como eu consegui passar quase 10 anos no rio de janeiro e contar nos dedos de uma mão os caras que eu achei realmente interessantes, e estar em São Paulo não faz nem 6 meses e achar tantos caras interessantes. Será psicológico?