domingo, 30 de agosto de 2009

iphone (L)

tá. agora a parte legal. minha história começa com drama e sofrimento, vejam bem. quando eu me mudei pra são paulo, eu peguei uma linha com código 011. pré paga. porque eu tinha vida boa no rio, com papai ç pagando contas e eu me preocupando somente com vestidinhos e gasolina. daí, quis vir pra cidade grande, achei justo cortar o cordão. eu pago minha conta de celular. /independência (fail)

toda vez que eu lembrava de ir na operadora pra passar a bendita da conta pra pós pago, eu esquecia o comprovante de residência. comecei a achar que não era pra ser. que o destino queria que eu tivesse uma conta pré paga, mesmo. daí fiquei adiando, pra quando eu trocasse de celular. por troca de celular, entenda-se. eu queria um iphone. com um iphone, não tem essa de ser pré pago. tem que ter pacote de dados. mas o iphone 3gs ia chegar, e não tinha cabimento gastar dinheiros num celular que ia ser substituido por um melhor. resolvi esperar.

minha necessidade de internet móvel foi aumentando. o sofrimento foi aumentando. rumores dando conta de que o bendito ia chegar, e eu sofrida, sem poder fazer coisas fundamentais como twittar da rua. aquilo não era vida, não era não.

e eu estava quieta no meu canto, sexta feira última, afogada naqueles prazos que eu acabo de explicar ali embaixo. e me liga o rapazinho da vivo, que eu tinha deixado sob alerta, pra me avisar quando o gadget querido chegasse. ele disse poucas palavras. assim: iphone 3gs chegou. a loja tá vazia.

precisei de mais nada não. fodam-se os prazos. saí do trabalho no meio do expediente, fugida. me lancei numa corrida desesperada pela faria lima. era a minha internet de bolso. na vida, o importante é saber priorizar. e isso, eu sei. eu priorizo os gadgets. sempre.

(L)

agora eu sou a feliz proprietária de um iphone. muitos e muitos gigas de armazenamento, pra eu tacar todo tipo de diversão. botei piano, que tinha no do menino de covinhas. piano é importante, pra gente tocar no iphone. é arte, sabe como é. piano.

botei twitter. porque twittar é preciso. eu quero twittar da rua, do trânsito, do elevador. da praia, quando eu viajar semana que vem. pra mostrar pras pessoas que o impossível acontece, e que sim, eu vou pra praia. botei twitpic, porque eu quero fotografar o céu lindo azulão que tem feito em sampa por esses dias, com os termômetros confortavelmente estacionados na casa dos 20º. eu quero fotografar tudo com a camera, e fazer videozinhos, porque tudo é possível.

botei regininha spektor pra quando eu precisar de música, e acesso facilitado a tudo de maravilhoso que o google nos oferece. agenda, reader, gmail. orkut, por que não? facebook, naturalmente. botei todos os cortes de cabelo que eu venho favoritando há meses, pra quando der tempo de passar em algum lugar decente pra cortar o meu.

tem bússola. falei que tem bússola? sou pessoa perdida, preciso de bússola. o mapa, então. jamais me perderei novamente. a parte de mensagens é fofa, com balõezinhos. pareço uma boba, absolutamente fascinada com coisinhas que as pessoas já conhecem há tempos. mas dá licença.

murphy e eu

eu aprendi isso no mba. duas coisas. não, pera. aprendi três coisas. aprendi matriz SWOT (L), aprendi que é importante administrar duas coisas. filas e expectativas. tipassiãm. vc ta atrasada com uma coisa, e neguinho tá esperando. fraciona e manda de pouquinho em pouquinho, pra ele se distrair e achar que estamos todos trabalhando para melhor atendê-lo. tenho usado muito isso no trabalho.

a outra coisa é a tal da expectativa. se vc promete, tem que cumprir. se vc acostuma a pessoa com um tratamento tal, tem que manter o nível, porque senão neguinho reclama.

veneceous me chama no msn e diz. tá devendo post. e eu? whut? devendo? ah, sim, devendo. eu venho postando com frequência, com violência, por que não dizer? daí o trabalho me assoberba, eu morro, murphy me abraça dicumforça e o blog fica parado. e eu tomo bronca. ele tá certo. eu gerencio mal expectativas.

então o post é esse. eu tenho um prazo absurdo pra cumprir, um prazo que não fui eu que estipulei. cliente diz. sabe isso que leva seis meses? quero em três. chefona diz. claaaaaro. a gente faaaaaaz. a gente sou eu, sabe? a gente sou eu, a pobrezinha da estagiária e a co-worker genia. e a gente trabalha aos finais de semana. e, obviamente, quando o prazo é apertado, ainda que vc faça tudo direitinho, sempre existe o fator acaso né? que é o incontrolável, tudo aquilo que não depende de você. computador, sistema, internetz, pessoas. acaso fail.

e tudo o que podia sair errado saiu. arquivos se perderam. estamos em 2009 e arquivos se perderam. não, não fui eu. o sistema saiu do ar, o computador travou. sabe ctrl+x? coisa do demo. façam isso não. vc aperta as teclinhas, as coisas desaparecem. quando vc clica pra elas aparecerem, no hay banda, no hay nada.

+_+

então foi isso. fim de semana sofrido, trabalhando. agora é torcer para tudo ter dado certo meishmo. porque mesmo dando tudo certo, tenho cá as minhas convicções de que estarei tomando um senhor esporro amanhã de manhã, quando chefona, aquela que topa os prazos impossíveis com a maior naturalidade da história, descobrir que o arquivinho até foi pro cliente, mas com quase 48h de atraso.

a parte boa foi que eu acabei com o pão de queijo da oficina. e com o guaraná também. e algumas castanhas de caju.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Carrie Bradshaw. Me identifico. (and not in a good way)

Ah, só mais um detalhe. Faço terapia numa vila, néam? E a casa tem dois andares, e tem outro cara atendendo no andar de cima. E, no mesmo horário que eu, tem um cara suuuuper bonitinho fazendo terapia, ali, depois da parede. Hoje tivemos um momento no corredor, tentando passar pela mesma porta ao mesmo tempo. E eu não conseguia abrir o portão, e fiz um draminha pedi ajuda, e ele abriu. E a gente engarrafou tentando sair ao mesmo tempo. De novo. Sabe ceninha de seriado? Foi bem isso. E eu lembrei da Carrie Bradshaw na terapia, que ela se envolve com o maluco que conhece na sala de espera. E o maluco has issues. Sabe como é. Ele tá na terapia, e coisa e tal. Me senti beeem Carrie Bradshaw. Com a diferença que o (meu) maluco é bonitinho, mas não é interpretado pelo Bon Jovi. Bem que podia, né?

My roomate hates me, My roomate hates me not.

E eu entrei numas de achar que minha roomate me odeia. Porque ela não fala comigo. Não há motivo pra ela, ou pra qualquer outra pessoa, nesse momento, me odiar. Porque eu sou fofa, todo mundo já sabe, mas com ela eu sou mais. Mais fofa ainda. Do tipo que busca a mãe no aeroporto, porque eu gosto de fazer esse tipo de gentileza, e porque o carro está ali, paradinho, na garagem. E que compra, junto com o requeijão que eu prefiro, um potinho do que ela gosta. Porque não custa, e é simpático. Mas aí a pessoa vive pela casa fingindo que você não existe. E, num momento de fraqueza, você resolve contar do menino de covinhas e ela fala aham, tá. (O que soa como um couldn't care less.) E encerra o assunto. E você faz perguntas, e ela não responde. E ela te dá unfollow no twitter. O que é claramente uma demonstração de desinteresse no que você tem a dizer. E dá-lhe drama. E você pergunta se tá tudo bem, porque ela tá muda, e ela diz que sim. Que é impressão. Quando claramente não é.

E obviamente levei isso pra Freud. E Freud disse que a questão é territorial. E ele tá certo, sabe? Que nessa de divisão do espaço, de estar sempre tão absolutamente disposta a ceder, eu recuei, e ela ocupou. E que eu me comporto como hóspede na minha própria casa. E Freud tá tão certo, mas tão certo, que eu quero ir ali no quarto ao lado jogar tudo pro alto, em dois tempos. Mas não. Não convém, né? Tudo a seu tempo. Por ora, eu vou é tratar de reocupar cada espaço. Dessa casa que é minha, metade.

Stay tuned. ¬¬

em terapia

É engraçado esse lance de fazer terapia. É também muito pessoal, e eu já notei que as pessoas se constrangem, como se fosse algo sagrado, fazer terapia. Se, conversando com um amigo, eu menciono alguma coisa que se passou numa sessão, um clima de reverência se instala.

Eu não sei como consegui passar esse um ano sem as sessões. Acho que desliguei mesmo os problemas, botei num modo "on hold", pra poder lidar com as mudanças todas que eu vinha passando. Foi só achar que eu precisava voltar, e as coisas guardadas saíram, tomaram corpo, espaço, quase me sufocaram. Agosto está sendo um mês especialmente difícil. Porque o trabalho anda cansativo, e o projeto é complicado, e a saudade dos meus queridos da firma colorida começou a me doer o coração.

E aí hoje o gerente de covinhas - lembram dele? - me chamou no msn, dizendo que galerë combinou viagem no feriado e que eu sou muito bem-vinda, caso queira ir com eles. E eu odeio praia, sabe? Mas são os meus queridos, e só eu sei o quanto eles me fazem falta, o quanto que eu continuo um pouquinho lá, naquele mezanino, funcionando junto. E como bem disse uma das novas co-workers fofas, não é o lugar, é a companhia. E eu topei. E eu vou colocar biquíni, e todas essas coisas que me fazem sentir estranha. Porque eu quero tempo com eles, pra longas conversas, e sorrisos, e gargalhadas. Ando precisando mesmo disso. Daquelas pessoas, especificamente, à minha volta.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Primeiro aniversário

um ano eu peguei toda a minha vida, botei no carro e vim pra São Paulo. Eu tinha rabiscado um mapa da casa que eu ia morar, e vim ouvindo George Michael, lembro bem. Era domingo, uma tarde ensolarada. E quando eu finalmente entrei na marginal Tietê, já no fim de tarde, a cidade me recebeu com um céu amarelado lindo.

Eu não fazia ideia de como seria viver aqui. Se eu faria amigos, se começaria a trabalhar rapidamente, nada. Cheguei em casa e fui explorar o supermercado. Aos poucos aquelas prateleiras estranhas viraram familiares. A cidade ficou familiar. Eu fiz amigos. Amigos tão queridos que o coração esquenta só de pensar neles. O bairro é colorido, e as pessoas também. Eu sou colorida, aqui.

Há algumas semanas eu jantei com duas amigas do Rio. Uma delas, surpresa com a minha mudança, disse: Você está muito adaptada a São Paulo, né? E eu respondi, sem pensar duas vezes. Eu cheguei em São Paulo adaptada. Eu não era adaptada ao Rio. Nunca fui. Quando eu disse adeus àquela cidade, que é linda, e que eu sei, eu estava dizendo adeus pra uma vida que não era minha. Eu estava vindo encontrar o que me pertencia. Isso me pertence. São Paulo é minha. É caso de amor, mesmo.

Home is where you live what you love. Lar é São Paulo.

domingo, 23 de agosto de 2009

homework

Está tão frio que eu mal consigo pensar. Trouxe trabalho pra casa, e não quero trabalhar. Eu queria era largar tudo na mão da estagiária, que me mandou sms na quinta, dizendo que estava com enxaqueca e ia pro hospital. E não apareceu nunca mais. Então, de um lado eu fico compreensiva, porque a pobrezinha pode realmente estar doente. Do outro lado eu fico achando que ela fugiu para todo o sempre. É possível. E o trabalho que ela devia ter me ajudado a terminar está aqui ao meu lado, na cama, espalhado, enquanto eu estou cheia de cobertores, querendo dormir. As mãos são a única parte do meu corpo expostas. E congelam, agora, enquanto eu digito esse texto, numa clara demonstração de procrastinação. Eu podia ficar só chiando pelos 10º que fazem lá fora, mas a verdade é que eu passei as duas últimas madrugadas zanzando errante por aí, acompanhada de amigos queridos, e nessa hora eu nem tava reclamando do frio, que era tipo o de agora.

Pensei em mandar sms pra ela, perguntando se ela melhorou e se vai trabalhar amanhã. Se eu tivesse essa resposta, guardava cada um dos papéis que me acompanham e ia assistir Will and Grace, e dormir. Mas não, né? Seria por demais psicótico. Chefe ligar no domingo pra saber se a pessoa pretende ir trabalhar na segunda. Não, né? Eu me coloco no lugar das pessoas. E é só isso, o fato de eu me colocar no lugar dos outros, que me impede de sair por aí agindo como a louca que eu, de fato, sou.