terça-feira, 15 de maio de 2012

azedou


eu não cansei de ter blog. eu cansei de ter gente que me conhece passando o endereço adiante, ou vindo aqui por motivos não muito nobres. eu cansei das ameacinhas veladas, sempre escondidas num sorrisinho. vou falar o teu blog pra todo mundo, hein? eu cansei das análises supostamente maduras insinuando que era infantilidade minha manter esse espaço. 

cansei, sabe? mas eu não cansei de escrever. à medida que isso aqui ia sendo passado de amigo em amigo, ficou chato. politicamente correto. corretamente chato.

então é isso. essa é a minha condição pra continuar escrevendo. quero os "amigos" bem longe. boa parte deles só me trouxe aborrecimento, anyway. a parte boa de ter blog era gente desconhecida lendo.

let's go back to the start. :)

terei o maior prazer em passar o novo endereço. basta me mandar um e-mail pedindo. :)

ah, claro. e basta não ser uma dessas criaturinhas do mundo real.


terradagarota@hotmail.com



domingo, 13 de maio de 2012

o amigo que era chefe pediu demissão. me ligou numa segunda à noite pra contar. não era como se eu já não soubesse que algo dessa natureza acabaria acontecendo. ele já vinha se desligando. há meses. a grande corporação pesou nos ombros.

desliguei o telefone e chorei. um choro sentido, de susto, de medo. fui chacoalhada com a informação. daí respirei fundo e lidei. esperei pelos dias seguintes, o pedido oficial, o aviso à equipe. a minha poker face dizendo que tudo ia ficar bem, quando eu mesma não tinha muita certeza.

acabou ficando tudo bem. o trabalho segue, e a verdade é que até deu uma acelerada. fiquei mais ocupada. foi bom. a grande corporação demorou a me conquistar. passei meses e meses sem certeza se era isso que eu queria. se eu conseguia me ver no meio daquelas pessoas tão diferentes. aos poucos, a sensação veio. aquela coisa de pertencimento, de saber que faz parte, de se sentir bem.

uma sensação familiar começa a tomar forma, depois de longos 8 meses. a sensação de estar em casa. exatamente o que estava faltando, o que eu precisava pra seguir em frente.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

i`m back

desaprendi escrever. perdi o hábito. daí sumi uns dias, voltei e pá. o blogger mudou. não sei se foi ontem, antes de ontem, semana passada. e daí que ele mudou? eu mudei, também. parei o mimimi, vejam só. nem me reconheço. fico olhando do alto essa pessoa put together que nem paciência de parar dois míseros segundos pra discutir a relação, e que teve semi alta da terapia. pois é, folks. não foi bem alta. mas assim. agora, freud de 15 em 15 dias. porque eu tava ficando com preguiça de desenrolar as histórias. e outro dia eu briguei com um coworker e ele ficou magoadinho. e a garota que um dia eu fui ficaria culpada, e tentaria discutir e se entender com a criatura. mas quando juntou três dias de muxoxo ali do meu lado, eu disse. amigue, o que é que tá pegando? such a girrrllll.

dai-me paciência. a girl em questão era menino. whatever. ando com preguiça até de desenrolar sobre a criatura. meodeos.

carol disse que eu preciso de inimigos pra manter o blog. taí uma coisa meio certa. caso contrário isso aqui vira um porre, cheio de finais felizes e posts contemplativos. eu tô tratando de levar algumas pessoas pra esse posto, mas haja esforço. porque nem bons vilões eu arrumo. tava empolgada querendo falar de trabalho, daí a amiga que virou coworker foi lá e deu com a lingua nos dentes. ensinou serena van der woodsen a buscar meu blog. e adivinha só?

oi, serena querida. conto com sua discrição. já que não pude contar com a discrição da amiga.

história da minha vida.

nem puta eu tô mais, vejam só. tô com preguiça. até de brigar bla bla bla você dedurou meu blog. i`ve had enough.

desisti não. já volto.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

dda maldito

tinha escrito *o melhor post* descrevendo em detalhes o coxinha que atende pelo cargo de gerente de projetos do meu projeto.

dei ctrl + x, pra copiar e colar no email, onde eu ia depois transferir pro blog. sim, eu tenho esse tanto de trabalho. pra ir filtrando, filtrando, até achar o texto publicável, já que tinha uma vibe evil manager ali. não evil, evil. até a evil devia ser mais competente que o coxinha. pois é.

no meio do ctrl + x alguma coisa me distraiu. danei a fazer conta e salvei um resultado.

perdi.o.texto.

destino?
burrice?
sorte, já que meu chefe é também amigo fora de horário comercial e lê o blog?

nunca saberemos.

terça-feira, 3 de abril de 2012

back on track

gasto pequenas fortunas no cartão de crédito. trench coat da zara, araras do quarto de vestir, coisinhas fofas pra casa. pintamos a parede pink de verde. ana diz que é azul, e de fato a referência era o tiffany blue, diretamente de um folheto desses que mostram alianças e diamantes. mas se tem amarelo, amigues, é o que eu digo. verde.

fico tão bonito. namorado e eu pintamos e mal acreditamos no resultado. eu tenho certeza de que ele achava que não daria certo. e deu. como todo o resto vem dando. certo.

tenho preguiça, e agora o trabalho voltou a acelerar. voltei a ficar presa em reuniões, e o tal do mercúrio retrógrado e fez arranjar um monte de briga na grande corporação. passou, passou. eu tava certa, anyway. quase sempre eu estou.

a estante da sala virou bar, com dois nichos tomados por bebidas. já é claro. naquela casa, mora um menino. a ex roomate virou coworker, serena van der woodsen fofa está saindo com um chuck bass, a vida volta à ordem, assim, aos poucos.

até esfriou, vejam só.

<3

quarta-feira, 28 de março de 2012

que ano é hoje?

eu tenho um trabalho difícil que é tentar convencer a grande corporação de que já é 2012. e que não, não é o fim do mundo. eles estão em 1995. a impressão é clara. os processos demonstram. tudo é difícil. internet parece uma coisa do futuro, e ó, super vai funcionar. aham.

e eu, descabelada, rouca, exausta. NÃÃÃO. NÃÃÃO. já é o futuro, pessoal. internet já é realidade, já existe, e já dá certo. não é tão dificil. não precisa ser. é certamente mais fácil do que vocês assumem que seja e olha ali, pela janela. tá vendo aquele prédio? é a firma colorida. eles estão fazendo internet ali. e não. não é difícil. 

dá trabalho, trabalho dá, sim. não tem como não dar. mas é por isso mesmo que chega salário no fim do mês. não vamos reclamar. a vida até que é boa.

e neguinho afunda na cadeira, e diz que eu não entendo os processos. que as reuniões do programa - que são obrigatórias - não têm assim tanta necessidade de acontecer. e é claro que têm. meodeos. 

daí eu tenho vivido essa vida de bater nas pessoas. de atravessar reuniões, discordar, discordar, discordar. querer morrer um pouquinho, tomar fôlego, discordar. são altos e baixos. eu desisto da briga, tento me acostumar àquele ritmo, mais lento e pesado. canso, acelero, bato mais um pouquinho. questiono, exponho, discordo. ah. você precisa entender. aqui as coisas são assim.

não. não são. e eu não fui chamada pra me afundar na cadeira e e me acomodar aos processos. eu gosto de pensar que eu fui parar ali porque há um trabalho a ser feito, um trabalho muito mais dificil do que botar o projeto pra funcionar, que é o de conscientizar as pessoas da importância das reuniões que, sendo obrigatórias, precisam sim, acontecer. e apontar pra janela, e dizer que dá, sim, pra fazer. que só dá trabalho. mas que é possível.

sinto saudades do daniel querido rindo com uma cara satisfeita quando eu falo de algum problema e me dizendo "me dê cinco minutos"pra dali a pouco me apresentar a solução. e achar legal eu achar ele gênio.

eu só tenho preguiça de gente que tem preguiça. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

o msn como metáfora da vida em geral

vou notando aos pouquinhos algumas mudanças. sempre usei msn para o trabalho. minha taxonomia para os contatos sempre foi a mesma. um #nomedafirrrma, um #amigos e um #theothers.

mudava a empresa, mudava o nome do primeiro grupo, e redirecionava os contatos. quem tivesse virado amigo ia para a pasta de amigos, quem tivesse valor inexistente era deletado, quem tivesse algum tipo de serventia eventual (contato de trabalho, mercado), ia pra the others. a pasta the others servia, também, para guardar desafetos ou amigos em processo de delete na vida em geral. enquanto eu não era forte o suficiente para cortar de vez o laço, ficavam ali, guardados, numa espécie de limbo. 

saí da firma e vim pra grande corporação. anotem aí. 6 meses. nunca troquei o nome da firma colorida no msn, nunca criei a pasta com o nome da grande corporação, nunca carreguei as pessoas para as pastas amigos ou the others. meu msn ficou congelado, enquanto eu tentava firmar meus pés na escolha que tinha feito.

de fevereiro pra cá, mudanças. indiquei amigos para algumas vagas, e já esbarro em um ou outro querido pelos corredores. já existe aquele levantar de sobrancelhas em reconhecimento, aquele small talk de cozinha, aquele sentimento de estar à vontade, mais em casa. sou dona desse chão que eu piso. já existem novos queridos, já existem amigos antigos aqui e acolá. já existe o olhar que não precisa de palavras.

minha mudança finalmente está feita.

coincidência ou não, as pessoas começaram a pedir o contato do msn. talvez seja hora de apagar a firma colorida de lá, mover os contatos entre as pastas, e abrir esse espaço novo, que vai ocupar os meus dias daqui pra frente. que já ocupa os meus dias há seis meses, mas que levou tempo. o tempo necessário. 

vamos lá.

segunda-feira, 5 de março de 2012

bato recorde de pobreza pagando as cadeiras novas, os vestidos, o tênis de oncinha. não consigo fazer dieta mas consigo comer direito. não consigo ir pra esteira, mas agora comecei a subir escadas. perder o fôlego em dois lances, onde já se viu? consegui parar de roer as unhas, descasquei o teto do banheiro e agora precisamos chamar um pintor. "eu saio cinco minutos e quando volto você está demolindo a casa", disse o namorado quando voltou do supermercado. 


é ansiedade. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

a vista aqui de cima

é bonita, não vou negar. os problemas são outros. são mais chatos. 

organizar processos, fazer com que eles funcionem, assumir a culpa se eles não funcionarem. 

definir que tipo de pessoa deve vir trabalhar comigo. pegar aqueles processos que eu criei ali em cima e dizer por quem eles são feitos.

imaginar essas pessoas. quem são, o que estudaram, que tipo de característica possuem. se se dão bem em ambientes silenciosos ou barulhentos, qual a capacidade ideal de concentração delas, o que elas devem fazer e qual deve ser a medida usada para definir se elas estão cumprindo com o prometido. definir o prometido que elas devem cumprir.

fazer conta, pesar consequencias. cobrar horários, *dar o exemplo*. 

(essa parte do exemplo e da cobrança eu odeio, odeio mesmo, mais que tudo. acredito numa sociedade livre, com todo mundo responsável, fazendo o que tem que fazer sem precisar de porteiro ou segurança atrás. mas anyway)

descobrir onde as pessoas estão, chamar elas pra conversar, pra conhecer. não ser simpática demais nas conversas, pra não gerar expectativas. falho miseravelmente. se eu gosto, eu sorrio com os olhos. smies, aqueles da tyra banks, na hora errada, com a audiência errada. se eu não gosto, sono profundo, vontade de morrer. que vida.

convencer a mocinha boazinha do rh que eu quero quem eu quero, e que não, eu não vou chamar aqui 200 pessoas *pra ter elemento de comparação* e poder dizer de forma neutra quem deve ser convidado a se juntar ao barco. nessa parte do processo, confesso. tenho muito carisma. sou um docinho, o rh me adora.

ser put together. acreditar na coisa toda. me portar como alguém que tem clara noção de onde está indo.

hahaha. como se fosse possível, né?

leap os faith, o nome disso. não há certezas, não há garantias. há fé.

quem diria. eu, que sempre fui pessoa racional, virei pessoa de fé.

john locke me entenderia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

tempo de ajustes

então eu e o meu menino fomos morar juntos. quer dizer. ele veio, eu permaneci exatamente onde estava. o quarto vazio que havia sido ocupado pela roomate ganhou mesas. a minha e a dele. minhas roupas continuam espalhadas, e parecem ter se multiplicado agora que o espaço nos armários aumentou. não sei, sinceramente, como elas cabiam no espaço anterior. convenci o namorado que, melhor que a bagunça, seria ele topar que o terceiro quartinho, menor e desses reversíveis, virasse só meu. ele topou incrivelmente rápido, e agora eu ando afogada em referências no pinterest para um espaço absolutamente girlie, com minhas roupas organizadas em araras. um quarto de vestir. só meu. <3

os outros armários podem ser dele, e podem abrigar aquelas coisas todas que a gente acumula e que são equivocadamente chamadas de bagunça. caixas da apple que a gente não consegue jogar fora (são tão bonitas), toalhas, caixa de remédios. a gente tem se divertido trocando lâmpadas, porque segundo ele eu sempre usei lâmpadas erradas, e os olhos dele ardem. eu passo meu tempo tentando ler as revistas antes de organizá-las. as cadeiras chegaram, e foram caras o suficiente para esperarem a mesa mais um pouquinho. nesse meio tempo, me distraio com referências de lustres e paredes coloridas.

as pessoas me dizem que eu casei. acho a referência tão séria. um dia a gente casa. e eu vou vestir algum vestido com ares de melindrosa, só porque eu mereço. por enquanto, o clima é bom, de mais um passo, de mudança. ajuste dos planos de tv a cabo e internet, ajuste da quantidade de frutas que a gente consome, da frequencia das idas ao supermercado. dos horários de dormir. ajuste da vida em geral.

nunca nunca eu fui tão feliz. nem sabia que a vida podia ficar assim.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

adestramento

se tem uma coisa que eu posso dizer sobre a grande corporação, é que aqui é um grande ambiente de adestramento de pessoas. pra tudo tem regra, tem processo, tem demora, tem protocolo. no início você bufa, reclama, briga, diz que não é assim. depois você vai aprendendo a se movimentar por entre as dificuldades, e vai entendendo que tem coisa que a gente pode contornar ao invés de brigar.

tudo tem um rh olhando. fazendo cara de "isso não é adequado". não se deve dar passos sem consultar antes. porque VEJA BEM, a companhia é muito sólida. Eu quero chegar mais tarde. não gosto de acordar cedo. Eu me recuso a colocar scarpins de bico fino e falar c a l m a e p a u s a d a m e n t e  sobre qualquer assunto. eu interrompo, hello. eu taco tênis de oncinha e blusa de esqueleto. porque isso aqui, antes mesmo de ser um grande símbolo corporativo, é internet, mermão.

daí a gente entra num outro tópico. toda aquela demora que eu mencionei lá em cima não combina com a vida em geral. eu tive a sensação, ao entrar, que tinha feito uma grande viagem, rumo ao passado. estamos em 1995, folks. quando internet é aquele troço incrível, ue vai bombar no futuro.

breaking news, corporação. internet é agora. olhem pela janela, eu digo. aponto para o prédio da firma colorida, na paisagem, e digo. ali, naquele prédio, estão fazendo isso. é difícil não. só dá trabalho. 

o engraçado é que a gente vai notando as diferenças se ajustarem. a corporação começa a querer mais gente como eu. exatamente esse tipinho errado que não segue regras e reclama de tudo. e dá esporro em gerente de projetos. daí a grande corporação resolve ensinar bom comportamento. e enfia a gente em salas de treinamento, pra ensinar a gerenciar *pessoas*.

eu vou, né? ensinaê. aprendo o tom de voz adequado, aprendo o timing correto pra convencer as pessoas do meu ponto de vista, aprendo os termos dequados pra dizer pro gerente de projetos com cara de charlie brown que o que ele tá fazendo ainda não é good enough. precisamos alinhar, e talecoisa.

tamos indo bem, eu e a grande corporação.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

dog days are over

porque quando a vida se acerta, as coisas boas vêm assim, aos montes.

porque tem meu menino em casa, e agora a casa é dele também. e as minhas novas cadeiras rhycas chegaram, junto com o cabideiro colorido. e eu já escolhi a cor que vai cobrir a parede pink, porque agora a casa é de menino também. 

porque janeiro veio e foi embora, e o trabalho acalmou. e veio a menina ruiva ajudar no projeto, e tirou de mim todo o peso que eu não queria e não sabia carregar. e agora eu faço o que eu gosto de novo, e faço o que eu sei fazer. internet como eu acredito. e ainda tem um mundo de coisa pela frente, e o trabalho mal começou, mas eu pedi ajuda das minhas ninjas coloridas, aquelas dos tempos de oficina, que sabem fazer isso melhor do que ninguém. e agora eu tenho reuniões aos montes, mas com pessoas queridas, com quem eu já trabalhei e aprendi horrores.

e eu vou ter que montar uma mini equipe pra me ajudar nesse mundo de trabalho que vai começar. e eu to pensando em escalar para a tarefa algumas ex cowokers queridas, pra colorir os meus dias e me ajudar a construir esse castelinho todo. 

meu começo na grande corporação foi difícil. puxado. projeto legal, com todos os impedimentos do mundo. passei três dos últimos cinco meses chorando, achando que as coisas eram todas pesadas demais. daí engoli o choro, put myself together, e pensei. vou continuar. vou ficar e fazer funcionar. e, amigues, o único jeito que eu sei fazer meu trabalho funcionar é plantando um jardim em volta de mim. com gente boa, competente. com gente querida, gente que me faz feliz. sou libriana, preciso de harmonia em volta. pra tacar batom vermelho e seguir a vida. pra dirigir ouvindo música. pra cuidar da casa nova, e do trabalho, com o mesmo cuidado que eu sempre gostei de ter.

peguei toda a equipe e entreguei pra menina ruiva. cuida, são suas meninas agora, eu disse. não dou conta de controlar processos que eu não conheço. não gosto e não sei. agora, com a casa arrumada, e um organograma colocando gente cujo o trabalho eu entendo pra trabalhar comigo, estou animada. 

nesse meio tempo, rh me bombardeia pedindo indicações. a grande corporação começa a se movimentar, e quer gente boa para as vagas abertas. e acontece que eu conheço essas pessoas. arrogantezinha que sou, digo. eu sou uma dessas pessoas. indico um, indico outro. já tem amiga querida no andar de baixo. em breve teremos mais ninjas desses pelo andar, em projetos diferentes. fazendo funcionar.

quando eu saí da firma colorida, minha ideia com a grande corporação era bem essa. começar a fazer diferença. ter liberdade pra escolher, pra fazer as coisas de um jeito que eu acredito.

it's happening, amigues. dá medo. é uma grande bagunça. mas esse friozinho no estômago é melhor do que qualquer outra coisa que eu já tenha experimentado no trabalho.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

spoiler alert

nos últimos quase dois anos, minha casa foi tipo o lugar mais incrível de se morar. as paredes foram coloridas, o forno viu cheesecakes. almoços de domingo, casa cheia. foi aqui que eu fiz festas, abriguei um batalhão de amigas antes e depois de noites no vegas, entrei em guerra com a evil manager, com o psicopata de estimação, troquei a oficina pela firma colorida pra, um tempão depois, tomar a decisão de ir pra grande corporação.

foi pra cá que eu trouxe a roomate amigue quando a roomate louca se mudou. e, gente. a roomate mais querida é a minha. as discussões intermináveis sobre big brother, as galochas idênticas que a gente comprou antes mesmo de se conhecer. os vestidos, os nossos meninos, o dela e o meu. 

foi aqui que eu virei namorada, naquele carnaval que a gente nem viu acontecer.

dentro de uns dias, mais uma temporada termina. roomate will pack her belongins and leave. sem briga, sem choro. com dorzinha no coração, mas aquela boa, de etapa que se encerra. vai morar ali, na quadra de baixo, mesma rua. com o menino dela. eu acho muito incrível que eu tenha conseguido que os meus últimos anos dividindo apartamento tenham sido com uma amiga. porque refaz, sabe? cura as histórias erradas todas. e quem acompanha esse blog sabe bem das histórias erradas.

por isso que eu preciso contar as histórias certas. :)

roomate saindo, eu viro outra garota. uma garota aparentemente adulta. que ainda roi as unhas, verdade, mas que traz pra casa e pra vida o menino jornalista de covinhas e olhos verdes. pra começar uma nova série. uma nova vida.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

pequenezas

eu quero é me apegar a esses pequenos momentos em que eu apareço na casa da amiga pra almoçar e conhecer o cachorro, e a gente se ajoelha no chão pra montar as peças coloridas daquilo que vai virar mais um escorredor de pratos, enquanto ela conta da viagem pra paris.

e depois a mãe querida dela me diz que achou meu namorado bonito, e elogia a minha saia, já desamarrando o laço na cintura pra fazer um mais bonito ainda. desses laços que só mãe sabe fazer.

delicadeza nas coisinhas mais bobas. exatamente o tipo de coisa que eu quero pro meu 2012.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

liquidificador

não tem como falar de trabalho, aqui, sem acabar falando demais. então eu me apego a metáforas.

existe um processo. que se propõe a ir no início das coisas, conversa com cada envolvido, alinha as demandas, estrutura as necessidades por ordem de urgência. cada detalhe vira um post it, dividido por temas, agrupados por temas ainda maiores. cada post it ali.

e você se vê numa sala de reuniões por HORAS, discutindo o óbvio que acaba não sendo óbvio porque se ninguém falar ele não vira post it. e quando eu digo horas, pessoas, acreditem.

:~

foi assim em dezembro, em dias intercalados. tem sido assim em janeiro, essa semana, terça, quarta, quinta, sexta. cada post it colado, cada vez que o problema fica mais claro (e maior), eu penso MERMÃO, como proceder?

porque eu sei que dá pra fazer. mas é tão gigante, tão gigante, tão absurdamente avassaladoramente gigante, e ao mesmo tempo tão detalhado, cada post it interligado, dependente de outros post its. eu respiro fundo, fundo.

voltei a atacar as unhas feitas, mas ainda sem esmalte. sofri vendo minha fraqueza. eu desespero, unhas desaparecem. cheguei em casa e pintei de vermelho. pra poupar. eu olho os post its, e a conversa que se aprofunda demais quando não precisa, e se você distrai 5 minutos você perde o raciocínio, desacompanha a barca. e quando finalmente acaba você tem sede, e fome, e vontade de deitar, e dormir, quem sabe morrer.

e eu penso assim. é tudo novo. eu me meti nesse liquidificador, e eu tenho tomado uns tombos violentos quando me distraio. mas eu sei fazer. eu sei. só é grande, e complicado, e maior e mais grandioso do que tudo o que eu já fiz e já vi fazerem antes. em lugares mais, hum, ninjas. vamos colocar assim.

eu sei fazer. precisa de tempo, e de nervos, e de tripas, o tempo todo. precisa de calma, e isso eu não tenho tido tanta. mas eu sei. é possível. e daqui algum tempo, sabe-se lá quanto, eu vou olhar pra trás e saber que eu fiz. que deu certo. que passou a fase ruim.

mas a fase ruim está aqui, agora, me encarando com sua parede infinita de post its. eu tento imaginar o futuro. eu penso que eu estou passando por isso, aqui, para que ninguém mais precise passar. pelo medo, pela confusão, pelo desespero. 

eu fico querendo que no meio das reuniões alguém olhe pra mim, sorria com calma e diga que vai ficar tudo bem. que já viu isso antes, que é assim mesmo, que demora, é custoso, mas vale a pena. 

tudo o que eu tenho, agora, é essa certeza teimosa de que dá pra fazer. e que eu sei fazer.

build, and they'll come. campo dos sonhos. to aqui. construindo. precisa acreditar. to aqui. tentando.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

pequenas promessas para um 2012 grandioso

  • não roer as unhas. mantê-las pintadas e coloridas, sempre, tanto quanto possível.
  • diminuir a coca-cola, diminuir as porcarias e o açúcar. comer frutas.
  • passar menos tempo na internet. passar mais tempo lendo.
  • aprender a cozinhar. comidas gostosas.
  • comer mais frutas.
  • fotografar dias bonitos e feios, e as pessoas todas que me fazem feliz.
  • parar de acumular coisas. abrir espaço na casa praquele pra quem o espaço na vida foi aberto fácil, fácil.
  • não ter preguiça de ir encontrar os queridos. estar mais e mais com os queridos.
  • fazer penteados bonitos no cabelo.
  • me vestir com cores. trocar o preto/cinza/listrado de todo dia.
  • fazer um novo amigo, desses que a gente leva pra vida. 
  • aproveitar são paulo.
  • aproveitar o ar livre.

sábado, 31 de dezembro de 2011

tira teima de 2011. :)

Um ano atrás, eu fiz esse meme. Hora de ver o que efetivamente funcionou, e o que eu quero que valha pra 2012.

1. Onde você estava quando 2010 começou?
Em casa, na cidade siderúrgica, com a família.
Comecei 2011 numa festa, na Lagoa, cercada de amigos queridos, absolutamente bêbada, andando de cisne pedalinho com leo, de roda gigante com eric e fazendo promessas de maridos e filhos pra daqui a dez anos com napaula querida.
2. O que você fez em 2010 que você nunca tinha feito antes?
Perdi a vergonha de ir trabalhar de saia curta. 
Comecei a usar maquiagem colorida.
Beijei um menino ruivo. (badge conquistada, hoho)
One night stand. (porque já era hora)
2011 foi ano de coisas muito inéditas. Virei namorada. <3 
Fui promovida, fiz uma cirurgia nos pés. Troquei de firma.
3. Você manteve suas resoluções de fim de ano e fará novas para 2010?
Não mantive a principal, que era passar o ano sem brigar com ninguém. Repito, então, a resolução para 2011.
A nova resolução de fim de ano vai ser fazer menos drama, me rasgar menos, ser mais blasée.
2011: Consegui não brigar feio com ninguém. Fiz drama, mas acho que menos que o normal.
Pra 2012, eu quero o mundo. Casa nova, com meu menino. Meus amigos a poucos quarteirões, como tem sido. Conseguir deixar o trabalho no trabalho. Esse vai ser o maior desafio. 
4. Você foi a algum show em 2010?
Placebo, pela terceira vez. E só. Shame on me.
2011: Katy Perry fofa, de surpresa e de graça, com meu menino. Broken Social Scene, Interpol, Beady Eye. The Strokes, o que eu mais queria, um check pra vida. Planeta Terra, seu lindo. <3
5. Você procurará um novo emprego em 2010?
Eu amo o meu trabalho. Mas, se precisar, se eu achar que é hora, sem dúvida nenhuma.
2011: Precisou, achei que era hora, procurei, achei, troquei. Tá um perrengue só, mas eu continuo apostando.
Pra 2012, se for hora de andar, eu ando. Não sendo, ei continuo. :)
6. Você bebeu muito em 2010?
Porres históricos. A maioria causada por vodka. E um tiquinho de tequila.
2011: Dois porres importantes. Um deles logo no início do ano, quando o namorado ainda era o menino que eu estava conhecendo e me resgatou pendurada na janela do 4o andar, gritando pra ele subir. O segundo na casa do namorado querido da roomie fofa, em que eu fui flagrada declarando amor eterno amor verdadeiro, a todos os queridos que surgiam na porta. Depois deitei no colo do meu menino e dormi o sono dos justos. ˆˆ
7. Você viajou nas férias? Para onde?
Viagem agora de fim de ano, pra visitar queridos do Rio, trazendo os queridos de São Paulo. Colisão de universos, trabalhamos.
Viajei pro Rio, casei Anne Louise. Viajei pra Niterói pra casar outra amiga de infância. Viajei pra cidade siderúrgica, onde fiz um extreme makeover nos pés, o que permitiu o esmalte escuro que eu estou usando nesse exato momento.
8. Qual foi sua maior conquista em 2010?
Autoestima estampada no espelho. :)
2011: Amor correspondido. Olhos verdes me olhando logo de manhazinha. Mãos dadas na rua. Telefonemas de boa noite. Casa com roomate fofa cheia de amigos, com comida quente e sobremesas gostosas. Gadgets espalhados. Duas promoções, uma troca de emprego, salário mais que dobrado em um ano. Veneceous na mesma cidade, no mesmo bairro, rua de trás. :)
9. Se você pudesse voltar no tempo, para qualquer momento de 2010, e mudar alguma coisa, o que seria?
Eu mudaria a briga com o ex melhor amigo. Apesar de saber que por causa dela eu sou uma pessoa infinitamente melhor.
2011: Mudaria NADA. Nada mesmo. Ok, talvez eu deixasse pra depois algumas sobremesas que me arredondaram os quadris. =/
10. Você ficou doente ou ferido?
Fiquei afônica umas quatro vezes. Ferida eu fiquei, de morte, com a briga com o ex-melhor amigo. Já estou melhorando.
2011: Tirando uma gripe terrível na volta das férias, nada de mais. E uma alergia que veio e foi embora misteriosamente.
11. Qual foi a melhor coisa que você comprou?
Outro iphone, depois do primeiro ter sido roubado. O Ipad, agora no finzinho do ano. Minha jaqueta bege da Zara.
2011: Um macbook air. Um iphone 4s. Um aquecedor incrível. Um carro novo. Jaqueta preta na Zara. Tênis de oncinha. Oxford dourado. Sou consumista.
12. Quais são as pessoas cujo comportamento mereceu aplausos?
Alguns amigos. Eu, pra algumas coisas.
2011: Alguns amigos. Eu, pra um monte de coisas. :)
13. E quais são as pessoas cujo comportamento você reprovou?
Alguns ex-amigos. Eu, pra algumas coisas.
2011: Nem tomei conhecimento.
14. Onde você investiu a maior parte do seu dinheiro?
Contas, vestidos, gadgets e festas.
2011: Gadgets, contas, jantares e vestidos, nessa ordem.
15. O que te deixou muito, muito, muito feliz?
Minha festa de aniversário, juntando algumas das pessoas que eu mais amo no mundo.  Minha casa sempre cheia de gente querida. 
Alguns resultados no trabalho.
A notícia de que Veneceous vem vindo morar em SP, agora no inicinho do ano. E que os nossos cafés da manhã de domingo, hoje via skype, poderão ser ao vivo.
2011: Meu menino. Meus amigos por perto. Minha casa cheia de queridos.
Minha promoção, meu trabalho na firma colorida sendo reconhecido. Meus projetos no ar, nos gadgets das pessoas. Minha troca de firma.
16. Qual música sempre vai te lembrar de 2010?
The Suburbs, do Arcade Fire.
2011: Parachute, do Sean Lennon.
17. Comparando este momento com o que você viveu exatamente um ano atrás, você está mais feliz ou mais triste?
Absurdamente mais feliz. Nem se compara. \o/
2011: Mais feliz ainda. Isso é possível, produção?
>> mais magra ou mais gorda? Igual. O que é um excelente sinal, hoho. \o/ Mais gorda. O que ainda significa magra. O que não deve ser de todo ruim. =P
>> mais rica ou mais pobre? Mais rica. \o/ Mais rica. \o/ \o/ \o/
18. O que você queria ter feito mais? 
Fui pouquíssimo ao cinema. Vi pouquíssimo os meus seriados. Dormi menos do que precisava.
2011: Igual 2010. =/
19. O que você gostaria de ter feito menos?
Bebi mais Coca-cola do que deveria ser permitido.
2011: Bebi mais Coca-Cola ainda. #somebodypleasestopme
20. Como você passou seu Natal?
Bem, em família.
2011: Em família, como deve ser.
Não existe a 21…
22. Você se apaixonou em 2010?
Não. Mas me encantei com alguns rapazinhos. :)
2011: Perdidamente, e o melhor. Correspondidamente. Se é que a palavra existe.
23. Qual foi a maior mudança para você em 2010? 
Amigos. Troquei a maioria, por necessidade. Troca válida, troca incrível.
2011:Virei namorada. Troquei festas por finais de semana a dois. Nem senti falta. :)
24. Quais foram os seus programas de TV favoritos? 
Seriados: Greys Anatomy, The Big Bang Theory, How I Met Your Mother.
2011: Greys Anatomy, How I Met Your Mother, X Factor, Top Chef, The Walking Dead.
25. Você odeia alguém agora que você não odiava há um ano?
Não. Mas teve gente que morreu, pra mim, esse ano. Morte sofrida e necessária.
2011: Não. E isso é um bom sinal.
26. Qual foi o melhor livro que você leu? 
Gente, que horror. Não li. Hello. Sou burra?
Em compensação, li todos os blogs do muito, muito, todos os dias. Vou listar depois.
2011: Não leio mais. Lidem com isso. Next.
Mentira, to na biografia do Steve Jobs. Aquele perturbado. :)
27. Qual foi a melhor descoberta musical?
Redescobri Arcade Fire. E Placebo. E Alanis, quem diria.
2011: Sean Lennon. Noisettes. Mika.
28. O que você queria e conseguiu? 
Várias coisas. Recuperar o tempo perdido na firma colorida, fazer amigos novos.
2011: Tudo o que eu quis, eu consegui.
29. O que você queria e não conseguiu? 
Eu queria não brigar. Eu briguei mais do que devia ser permitido.
2011: Gente, nada. Virei shiny happy people. HELP.
30. Qual foi o seu filme favorito em 2010? 
Deixe ela entrar, que só vi esse ano. A Onda, alemão, incrível. Achei Inception bom, mas não, não é o novo Matrix.
2011: A pele que habito. Almodóvar, querido. Dá cá um abraço. <3
31. O que você fez no seu aniversário (e quantos anos você tem)? 
Fiz 31. Juntei todo mundo no karaoke.
2011: Fiz 32. Amigos e namorado numa cantina italiana.
32. Que coisa teria tornado seu ano imensuravelmente melhor?
Ele foi um bom ano. Tenho reclamações não.
2011: O ano foi bom. Foi bem bom mesmo.
33. Como você descreveria seu conceito pessoal de moda e estilo em 2010?
Encurtei a franja e as saias.
Fiz experimentos com maquiagem colorida e delineador.
2011: A franja se manteve curta, o cabelo cresceu. As saias precisaram de meias na troca de firma. Grandes poderes, grandes responsabilidades. Venho aqui ensaiando um visual mais sério, e  falhando miseravelmente. As unhas ficaram curtas, quase sempre roídas. Mas coloridas sempre que possível. Vestidos tomaram conta do armário. Muito batom vermelho e delineador. Porque franja curta pede. ;)
34. O que manteve sua sanidade?
Terapia, uma vez por semana. Senão, nem sei.
2011: Terapia e meu menino.
35. Qual celebridade/figura pública que mais te fascinou?
Hum. Não sei.
2011: Não sei. Fiquei sofrida com a morte do Steve Jobs e temo sinceramente que demore a surgir alguém como ele.
36. Escolha o trecho de uma canção que melhor resume seu ano de 2010.
Sometimes, I can't believe it. I'm moving pass the feeling again.  - The Suburbs, do Arcade Fire.
2011: If life is just a stage, let's put on the best show, and let everyone know. - Sean Lennon, cantando lindo em Parachute.
37. Do que você sente falta?
Do ex melhor amigo, em momentos específicos.
De Julinha do lado, o tempo todo.
Das meninas do MBA juntas, em volta de mim. No Gula-gula. Comendo salada de carne desfiada.
2011: Da Julinha. Dos queridos da firma colorida, agora que eu não os vejo todo dia. 
38. Quem foi a melhor pessoa que você conheceu em 2010?
Japa colorida, que eu já conhecia. 
O coworker que ainda não tem apelido.
As meninas coloridas da firma, que saíram do lugar de coworkers e viraram pessoas favoritas no mundo todo.
2011: Meu menino. 
39. Conte uma lição de vida importante que você aprendeu em 2010.
Nem sempre as coisas têm conserto. E, sim, a gente sobrevive. 
2011: Pra quem sabe onde vai, qualquer lugar é caminho. E não existe salto sem vertigem.
40. Quais são os seus planos para 2011?
Ser mais blasée, quem sabe.
Falhei miseravelmente na arte de ser blasée em 2011. QUE BOM, viu?! Sou intensa, tem jeito não.
Planos pra 2012? Mais do mesmo, muito mais. :)

sobre a pessoa perdida

eu tava aqui pensando em the walking dead. quando as pessoas estão naquele mundo bizarro e simplesmente escolhem não fazer parte. se matam, se explodem, estouram os miolos. eles têm uma expressão bem boa pra isso. fulano opted out.

daí eu fui no CCBB com meu menino. não tava nem me importando com o que estivesse passando lá, porque eu queria mesmo é que ele conhecesse o prédio, a abóbada com a luz entrando lá em cima. não tem como ir ao CCBB e não lembrar da renata. porque foi com ela que eu vi as polaroides do andy wahrol, e os quadros gigantes do roy lichtenstein e do keith haring.

opt out é o termo que eu escolhi usar para justificar o sumiço dela. porque eu já lidei muitíssimo mal com pessoas que sumiram da minha vida, e eu assisti, de perto, renata sumir da vida de algumas pessoas. 

quando ela ficava meio distante eu chamava ela no gtalk e perguntava se era isso, se já tinha chegado a minha vez. ela ria, dizia que eu era louca e paranóica e a gente marcava um japonês pra colocar a conversa em dia.

quando passava lost, e eu voltava da firma colorida a pé, nossos telefonemas eram clássicos. pra comentar o último episódio, pra concordar que desmond era muito legal. a gente brincava que uma era a constante da outra. a pessoa que estava lá no passado, e permanecia no presente. tudo podia mudar, a gente ainda estava ali. quando nós duas ainda estudávamos na puc e não fazíamos a menor ideia do que aconteceria conosco. a gente brincava de imaginar que um dia iria dividir apartamento num predinho no leblon e pintar as paredes de laranja. isso antes de ela casar com um menino querido e se mudar pra são paulo, e me apresentar a amiga que foi a minha primeira roomate quando chegou a minha vez de dizer que são paulo seria minha. renata era a minha constante.

era com ela que eu discutia polanski, e almoçava menos só pra comer mais sobremesa, o supremo de banana do couve-flor. foi ela que testemunhou o ataque do esquilo na faculdade. foi ela que me disse que eu falava pra caralho, e que se eu estava quieta era porque algo de muito errado tinha acontecido. renata me conhecia bem.

ela foi comigo a todos os shows do placebo, franz ferdinand, silverchair. não tem como ouvir placebo e não associar à gente, sempre atrasadas, correndo de mãos dadas e gritando infra-red, junto com brian molko, já do palco.

renata sumiu ano passado. ainda mora a algumas quadras de casa, em são paulo, mas a gente nunca se encontra. os núcleos são outros. parou de me chamar no gtalk, foi desaparecendo, sumindo. mesmo online, ali, a dois cliques. eu chamei uma, duas vezes, tentei marcar jantar, almoço, convidei pro meu aniversário. 

renata sumiu. opted out. quando finalmente chegou a minha vez, renata sumiu silenciosamente. eu senti aquela dorzinha fina e sofrida que eu sempre sinto quando alguém querido se afasta, mas achei que essa seria a minha oportunidade de cura. de não me desmanchar, não perguntar o motivo. entender, aceitar. não houve motivo, nem sempre há. a vida engole a gente, leva por caminhos diferentes, e a verdade é que a gente precisa se esforçar muito pra não perder as pessoas nesse processo. nem sempre as pessoas se esforçam. nem sempre existe algum esforço a ser feito.

renata mora, agora, dentro da minha cabeça. mora no gtalk, e ver o nome dela verdinho faz com que eu saiba que ela ainda existe. e eu tenho, sim, vontade de clicar e dizer oi, e perguntar da vida, e do trabalho, e do menino dela, mas eu entendo. chegou a minha vez. e a forma que eu tenho de ser amiga, nesse momento, é respeitar o silêncio, a ausência. respeitar uma decisão que é dela.

renata mora, agora, dentro das músicas antigas do placebo, dentro do ccbb com suas exposições de pop art, dentro das estampas de cerejinhas. 

renata mora ali. e segue aqui. dentro da minha cabeça.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

no ipod em 2011

As mais ouvidas de 2011, segundo meu Last.fm. Sempre legal olhar as estatísticas. Eu sempre acho que ouvi mais coisas novas. E sempre me dou conta de que eu gosto mesmo é das boas e velhas músicas.

1. Grace Kelly - Mika
               I try to be like Grace Kelly, 
               But all her looks were too sad
               So i tried a little Freddie
               I got identity mad!

2. Is This It - The Strokes
3. Blame It On the Girls - Mika
4. Speachless - Lady Gaga
5. Haemoglobin - Placebo
6. Holocaust - Placebo
7. Hotel Song - Regina Spektor
               I have dreams of orca whales and owls
               but i woke up in fear

8. For Reasons Unknown - The Killers
               I caught my stride, I flew in flied
               I know if destiny's kind, i've got the rest on my mind
               
9. Touches You - Mika
10. Change Your Mind - The Killers
11. Peeping Tom - Placebo
12. My Sweet Prince - Placebo
13. Parachute - Sean Lennon
               If life is just a dream
               then which of us is dreaming
               And who will wake up screaming?

14. Bright Lights - Placebo
15. Alone, Together - The Strokes
16. Take It or Leave It - The Strokes
17. Last Nite - The Strokes
18. Automatic Stop - The Strokes
19. Blue Lips - Regina Spektor
               The pictures in his mind arose 
               And began to breathe
               And all the gods and all the words
               Began coliding on a backdrop of blue

20. Après Moi - Regina Spektor
               Be afraid of the lame 
               They'll inherit your legs
               Be afraid of the old
               They'll inherit your souls
               Be afraid of the cold
               They'll inherit your blood               
               Après moi le deluge
               After me comes the flood

21. Juicebox - The Strokes
22. Friendly Fire - Sean Lennon
23. Kings of Medicine - Placebo
24. Devil in Details - Placebo
25. The Modern Age - The Strokes
26. Come Undone - Duran Duran
27. Under Control - The Strokes
28. Believe me Natalie - The Killers
               Forget what they said in Soho
               Leave the oh-no's out
               And believe, Natalie
               Listen Natalie
               This is your last chance

29. Bones - The Killers
30. Read my Mind - The Killers


Top 30 artistas de 2011

1. Placebo
2. The Strokes
3. The Killers
4. Regina Spektor
5. Mika
6. Sean Lennon
7. Noisettes
8. Florence + The Machine
9. David Bowie
10. Lady Gaga
11. Scissor Sisters
12. Alanis Morissette
13. Robbie Williams
14. Amy Winehouse
15. Yeah Yeah Yeahs
16. The Temper Trap
17. Arcade Fire
18. Queen
19. Britney Spears
20. Jason Mraz
21. Red Hot Chili Peppers
22. Muse
23. CocoRosie
24. Glee Cast
25. The Cure
26. Duran Duran
27. Rufus Wainwright
28. Katy Perry
29. Faith No More
30. Oasis